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Festa das Amigas de Toronto:

Mulheres portuguesas unidas na luta contra o cancro

Por Jonathan Costa
Sol Português

Mais de 1100 mulheres, maioritariamente da comunidade luso-canadiana, marcaram presença no salão de festas da LIUNA Local 183 no passado sábado (26) para a 18.ª edição da Festa das Amigas de Toronto.

Este evento, uma realização anual inspirada numa tradição de convívios femininos nos Açores com fins beneficentes, teve como objectivo a angariação de fundos para os estudos científicos e a pesquisa de novos métodos de prevenção e tratamento do cancro, com a receita a reverter a favor da fundação Princess Margaret Cancer Foundation.

Desde a primeira instância até ao presente, este convívio anual já angariou perto de um milhão de dólares e atraiu mais de 20.000 participantes, unidas no objectivo de contribuírem para a descoberta de uma cura para esta doença que nas suas múltiplas manifestações ameaça afectar quase metade da população.

"É uma doença que assombra muitas de nós, mas esta noite não dá lugar a tristezas ou melancolias, a vida é demasiado curta para isso", dizia-nos Ângela Machado, que não escondia o seu sorriso e o orgulho que sentia por mais uma edição de sucesso face ao salão lotado.

Como destacou a organizadora e fundadora deste convívio feminino, é um evento que "celebra a amizade, a união entre todas nós, aqui reunidas em torno desta causa" para a qual "queremos encontrar a cura", sendo que "todo o dinheiro que aqui angariamos permite-nos chegar cada vez mais perto".

Em declarações à nossa reportagem e numa mensagem de esperança, manifestou solidariedades para com "todas as mulheres que enfrentam esta doença", incentivando-as a que "continuem a lutar" pois "nós estamos com vocês".

Com o salão festivamente decorado em tons de rosa – simbolizando simultaneamente a cor da campanha de luta contra o cancro da mama e o contingente de participantes femininas – nas mesas de jantar repletas de caras sorridentes multiplicavam-se as sessões fotográficas entre as Amigas, a par de animadas conversas e momentos de confraternização.

Caberia à locutora Clara Abreu proceder à apresentação da cerimónia, deixando uma bonita mensagem dedicada a todas as portuguesas: "Somos mulheres fortes, unidas, e tenho imenso orgulho de todas vocês e de todas as que batalham contra esta doença cruel, à procura de uma vida melhor".

Escutar-se-iam também breves alocuções por parte de alguns convidados, a começar pelo empresário Peter Ferreira, que no Canadá é representante da mundialmente famosa marca de malas, sapatos e carteiras portuguesa, Cavalinho, e que aludiu à importância desta realização ao destacar que "não podia faltar a esta noite fantástica" pois "todos conhecemos uma mãe, avó, tia ou amiga que sofreu ou sofre de cancro".

Como ressalvou, "todo o dinheiro que angariamos esta noite, e em todos os anos deste evento, permite-nos chegar mais perto de salvarmos muitas das mulheres que amamos".

A deputada Julie Dzerowicz, que em seu nome e do Primeiro-Ministro canadiano viria a entregar uma placa a Ângela Machado em reconhecimento do seu esforço e dedicação ao longo destes 18 anos de organização do evento, foi também oradora convidada, destacando alguns dos investimentos do governo federal na área de prevenção e tratamento do cancro.

"O governo federal e o nosso Primeiro-Ministro Justin Trudeau fizeram um investimento de 4.000 milhões de dólares para o melhoramento do diagnóstico e prevenção de todos os tipos de cancro, assim como 1.200 milhões de dólares para o desenvolvimento de novos e melhores estudos científicos que permitam anular o crescimento e a multiplicação de células cancerígenas", referiu a política que representa o distrito com maior concentração de portugueses no Canadá: Davenport, em Toronto.

"Esta é uma das nossas prioridades: queremos encontrar a cura para esta doença que afecta tantos de nós, especialmente as nossas mulheres", concluiu a deputada que viria posteriormente a declarar à nossa reportagem a sua admiração pelo que ali se realizava.

"Admiro imenso este evento, não é fácil reunir esta quantidade de gente, ainda mais com o mau tempo que se tem sentido ao longo de toda a semana", referiu Julie Dzerowicz em declarações ao jornal Sol Português.

Na sua apreciação, "a comunidade portuguesa continua a surpreender-se, é espectacular ver aqui tantas mulheres fortes, unidas, concentradas no mesmo objectivo que, de alguma forma, nos afecta a todos".

No decurso do convívio proceder-se-ia à realização de um sorteio de artigos doados por patrocinadores e apoiantes, incluindo uma mala Cavalinho e uma viagem aos Açores oferecida pela Azores Airlines, além de produtos de beleza, um casaco de Inverno, um conjunto de tupperwares e uma panela `slow cooker'.

Em declarações ao jornal Sol Português, Srikala Sridhar, médica e consultora do departamento de pesquisa do Hospital Princess Margaret e que se fez acompanhar pelas duas filhas, abordou a importância destas doações para o sucesso dos estudos científicos e das equipas de investigação que lidera.

"Este evento é magnífico, tem um impacto enorme na comunidade luso-canadiana e no sucesso da nossa luta contra o cancro", afirmou a representante da organização, salientando que é "um orgulho enorme termos a confiança de todas estas mulheres" e que a ajuda dada através deste evento contribui para "atingir o sucesso que demonstramos na procura da cura desta doença".

Com respeito ao actual estado das investigações científicas, a clínica explica que "a pesquisa tem evoluído significativamente ao longo dos anos, já temos um maior conhecimento da origem e crescimento das células cancerígenas e agora o próximo passo é descobrirmos os tratamentos necessários para prevenirmos o seu desenvolvimento".

É um processo constante e difícil, sobretudo porque "todas estas equipas de cientistas e médicos, todo o equipamento necessário, acarretam elevados custos", mas é aqui que iniciativas como esta fazem uma grande diferença já que, como salienta, "com a ajuda de doações generosas como demonstram este evento, o nosso sucesso torna-se cada vez mais possível".

Chegava-se à altura prevista para começar o espectáculo e mal foi anunciada a entrada do grupo Mexe-Mexe e do cantor Henrik Cipriano, centenas de fãs invadiram o espaço frente ao palco para dançarem ao ritmo dos seus animados temas.

O conjunto levou o público ao delírio, proporcionando um espectáculo repleto de humor, boa disposição e muita energia, interpretando uma grande variedade de temas clássicos das décadas de '60, '70 e '80, incluindo da música tradicional portuguesa e brasileira.

Declarando a sua solidariedade para com a causa pela qual todas aquelas mulheres se reuniram ali nessa noite, Henrik Cipriano viria a afirmar que "não podia faltar a esta noite" das Amigas e, para aquelas a braços com o peso da doença deixou uma certeza: "nunca pensem que estão sozinhas, estamos todos juntos nesta batalha".

O serão concluiu com uma animada actuação de Tony Silveira, que interpretou alguns temas em conjunto com Henrik Cipriano e muitos mais a solo, e que também ele viria a deixar uma mensagem dedicada às mulheres:

"Vocês são lindas, verdadeiras guerreiras! São noites como esta, repleta de generosidade, que me fazem acreditar que vamos derrotar esta doença", acrescentando que "estes temas são dedicados a todas as mulheres portuguesas – a vossa união faz a força!"


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