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Davenport:

Sessão de esclarecimento com ministra responsável pela terceira idade

Por João Vicente
Sol Português

Dezenas de idosos e representantes de organizações com programas dedicados à terceira idade estiveram na manhã de sábado (26) na West Neighbourhood House (ex-Casa de S. Cristóvão) para ouvirem a ministra federal responsável pelos Idosos, Filomena Tassi, pronunciar-se sobre as novas iniciativas do governo federal para dar resposta às preocupações da população sénior.

Organizada pela deputada federal de Davenport, Julie Dzerowicz, a sessão de esclarecimento decorreu na cave do edifício e durou cerca de uma hora, incluindo uma sessão de perguntas e respostas com a ministra durante a qual se ouviram intervenções de idosos, a nível particular, bem como de representantes de organizações como a West Neighbourhood House (WNH), o Abrigo e o First Portuguese Canadian Cultural Centre, além de outras equivalentes, das comunidades italiana, vietnamita, coreana, hispânica e sul-asiática.

"[A população] deste bairro é composta por uma grande proporção de idosos que quando me encontram partilham comigo as suas preocupações, esperanças e sonhos", referiu a deputada, considerando por isso importante fomentar o diálogo directo entre a ministra e os seniores que residem no distrito de Davenport.

Entre o público encontrava-se Angelina Lisboa, uma idosa portuguesa que compareceu integrada no grupo "Esperança e Vida", do centro Abrigo, e que nos indicou ser sua intenção interceder junto das políticas para que aquela organização possa vir a ter uma cozinha – "que tanta falta faz", destacou – assim como para pedir uma ajuda com o preço dos transportes.

Também Jorge Costa, reformado, indicou estar ali porque os impostos, assim como as despesas da água e electricidade, estão a aumentar e apesar da pensão que aufere, está a sentir o aperto.

Ao dirigir-se ao público e ao explicar a sua presença ali nesse dia, Filomena Tassi afirmou ser intenção do governo que "daqui para a frente os idosos se sintam activamente envolvidos e evitem o isolamento" e "se sintam convidados a participar na comunidade, pois sabemos que quando isso acontece não são só eles que beneficiam, é a comunidade inteira".

A ministra deu particular referência ao programa "Novos Horizontes para a Terceira Idade" introduzido pelo governo, o qual concede verbas entre 5.000 e 25.000 dólares para iniciativas que visam apoiar projectos locais para combater o isolamento, os maus tratos de idosos e as fraudes, assim como financiar a construção da necessária infra-estrutura.

No entanto, segundo salientou, este programa tem também um aspecto mais lato, que descreveu como "pan-canadiano" e que visa custear projectos de inclusão social de maior amplitude com verbas que vão de meio milhão a cinco milhões de dólares.

Antes de abrir a sessão a perguntas, a ministra salientou que o actual governo reverteu a idade de qualificação para a reforma (Old Age Security - OAS) e para o suplemento de rendimento garantido (Guaranteed Income Supplement - GIS) de 67 para 65 anos, o que, na sua estimativa, "retirou cerca de 100.000 idosos da pobreza".

Entretanto, destacou, aumentou também o suplemento GIS, considerando que isso "evita que 57.000 idosos vivam na pobreza", e investiu "40.000 milhões de dólares numa estratégia nacional de habitação e 6.000 milhões na prestação de cuidados ao domicílio e paliativos", concluiu.

As primeiras perguntas partiram de uma das responsáveis pelo programa para a terceira idade da WNH, uma delas de encontro a uma das preocupações de Angelina Lisboa pois prendeu-se com a inclusão dum possível subsídio de transporte no financiamento dos próprios programas, tendo a outra a ver com o financiamento da prestação de cuidados ao domicílio e ajudas relacionadas com doenças crónicas.

Em resposta, a ministra referiu que caso o transporte seja uma medida de combate ao isolamento, o que será normalmente o caso, pode qualificar-se para as verbas atribuídas pelo programa "Novos Horizontes para a Terceira Idade".

Com respeito aos cuidados domiciliares, este é um assunto que tem a ver com as verbas atribuídas pelo governo federal aos governos provinciais e caberá a estes assinar o acordo com Otava, enquanto que aos utentes e administradores dos programas cabe a responsabilidade de insistirem com os governos provinciais para que assinem e lhes façam chegar esse dinheiro.

Ao longo da sessão foram ainda abordados outros assuntos, incluindo o custo dos pedidos de naturalização (cidadania) que foi considerado proibitivo para muitos idosos após uma vida inteira a trabalhar e a contribuir para o país, assim como os actuais atrasos na atribuição de benefícios na altura da reforma.

Outros temas destacaram ainda a necessidade de ajudar quem está a tomar conta de idosos e que é, muitas vezes, idoso também, bem como a falta de continuidade nos programas e a necessidade das organizações se continuarem a candidatar para receberem verbas e manterem os seus programas em funcionamento.

Cláudio Martins, que está reformado e é voluntário no programa de idosos da West Neighbourhood House, diz que "foi bom" assistir a esta sessão informativa, mas lamentou que "a maior parte dos assuntos que temos para resolver" venham a revelar-se do foro camarário ou provincial, e não federal.

Segundo a directora do Centro Adultos e Terceira Idade desta organização, Isabel Palmar, foi na WNH que foi feito há alguns anos o anúncio oficial do lançamento do programa "Novos Horizontes para a Terceira Idade" e na sua opinião é importante que os idosos tenham um fórum como este, onde possam expressar a sua opinião e dar sugestões acerca de assuntos que têm impacto directo na sua vida.

Já no rescaldo do evento, a ministra Tassi salientou que o governo está a aguardar a apresentação do relatório referente à implementação do programa "Pharmacare" a nível nacional, mas entretanto levou desta sessão dados novos que prometeu analisar, nomeadamente referentes à dificuldade, atrasos e por vezes até impossibilidade dos idosos receberem benefícios no estrangeiro, entre outros.

Por seu turno, a deputada Julie Dzerowicz diz sentir-se encorajada pelo facto de estar confirmado que o programa "Novos Horizontes para a Terceira Idade" prevê a atribuição de verbas para o transporte de idosos aos serviços de que necessitam.

Na sua avaliação, não vê motivo nenhum porque "os grupos comunitários de Davenport não se possam unir e candidatar-se a estas verbas" que irão facilitar a deslocação dos idosos "aos programas que os ajudam a manter-se activos, saudáveis e a evitar o isolamento", comprometendo-se a trabalhar com essas organizações para alcançarem o seu objectivo.

Segundo a representante do distrito eleitoral de Davenport, o facto do governo ter designado uma ministra para tratar especificamente dos assuntos da Terceira Idade é também encorajador e considera que isso vai eventualmente ajudar os programas para idosos a atingirem a sustentabilidade.

Ainda num estágio inicial, está também a tentar centralizar-se toda a informação sobre, e acesso a, serviços do governo para idosos através de um portal electrónico – que pode ser consultado em: seniors.gc.ca – e no qual são facultadas ligações também aos recursos disponibilizados a nível provincial.


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