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Carassauga 2018:

Pavilhão Português brilhou durante os três dias do certame multicultural

Por João Vicente
Sol Português

Após meses de planeamento, cerca de duas semanas de preparação e três dias de execução impecável, o pavilhão português esteve no seu melhor durante a mais recente edição do festival multicultural Carassauga, certame cuja 33.ª edição decorreu no passado fim-de-semana na cidade de Mississauga.

Organizado pelo Centro Cultural Português de Mississauga (CCPM), colectividade veterana destas andanças – nas quais participa desde a fundação do certame – e com a ajuda de uma equipa fabulosa de voluntários, o pavilhão português brilhou, atraindo milhares de visitantes e voltando a ser um dos mais populares do festival.

Não é de admirar que o presidente desta colectividade portuguesa, Tony de Sousa, tenha declarado o seu orgulho na iniciativa quando, ao fim da tarde de sexta-feira (25) e prestes a dar o arranque ao festival, o referiu como uma das suas actividades favoritas entre as muitas que organizam ao longo do ano.

A cerimónia de abertura do pavilhão português, instalado na sede do CCPM, coube ao coro de alunos da Escola Fernando Pessoa, que interpretou os hinos do Canadá e de Portugal, seguida por breves palavras de boas-vindas proferidas pelo presidente da Assembleia-Geral da colectividade, Gilberto Moniz, e por Tony de Sousa.

A ex-presidente da Câmara de Mississauga, Hazel McCallion, foi uma das entidades que fez uma visita a este pavilhão na noite de abertura, aproveitando para dar um pezinho de dança e apreciar a gastronomia lusa.

Também o deputado provincial Bob Delaney ali viria a dirigir algumas palavras ao público no dia da inauguração, tal como o cônsul-geral de Portugal em Toronto, Luís Barros, enquanto o deputado federal Peter Fonseca deu lá um salto no sábado (26), acompanhado pelos filhos, no que pareceu ser uma visita mais informal.

O tema deste ano foi dedicado às cidades de Portugal enquanto que o ambiente de arraial de aldeia foi recriado com as gambiarras colocadas por cima do "terreiro" onde, ao longo do fim-de-semana, foram actuando os ranchos de Vaughan, do Arsenal do Minho, de Oakville, do Barcelos, da Associação Cultural do Minho, da Casa das Beiras, do Ribatejo de Toronto e As Tricanas.

Lá fora, à entrada, coloridas sombrinhas penduradas por cima da porta prestavam homenagem ao "Umbrella Sky Project", que desde 2011 tem feito parte do popular festival de arte AgitÁgueda.

A ideia das gambiarras e das sombrinhas partiu do vice-presidente da colectividade, Jorge Mouselo, a quem Tony de Sousa viria a reconhecer, realçando que trouxeram mais uma pitadinha de Portugal, tanto o antigo como o moderno, ao pavilhão do CCPM.

"Adoro o nosso Portugal", explicou Jorge Mouselo, adiantando que se inspirou ao "ver aqueles arraiais, aquelas festas nas vilas, nas aldeias – pobres, mas bonitas e com tradição".

O público mostrou ter apreciado a decoração e tudo o resto que o pavilhão do CCPM tinha para oferecer, e que incluiu actuações do agrupamento Searas de Portugal, da Banda Lira Nossa Senhora de Fátima – que abriu o palco do festival no sábado – da Luso-Can Tuna, que não fazia parte do cartaz mas fez uma surpresa, de Paulinho do Minho e da banda Baeta e Companhia, esta última vinda de Portugal para entreter os visitantes com múltiplas actuações diárias ao longo dos três dias do festival.

Uma novidade introduzida este ano foram as demonstrações de culinária, que se realizaram em todos os pavilhões e que no espaço português se traduziram no público a aprender a fazer um dos pratos oferecidos no menu de petiscos: salada de polvo e lulas.

O artesanato voltou a ter forte presença neste pavilhão, onde um leque de hábeis artesãos escolhidos por Roberto Medeiros mantiveram o público fascinado com as suas demonstrações.

"O festival Carassauga para mim não é só ponto de encontro da comunidade lusófona e étnica [...] é também o melhor festival cultural que conheço, porque faço muitos na América e aqui [no Canadá] também, em Montreal, e não conheço nada igual", afirma o coordenador de artesanato que esclarece que quando pensa em trazer artesãos a este festival traz sempre os melhores.

Na sua avaliação, o cesteiro convidado, Alcídio Andrade, é um de apenas três no mundo que usam as mãos e os pés simultaneamente na criação das suas peças de verga, técnica que o artesão demonstrava, sentado no chão, juntando grande número de pessoas à sua volta.

Também as outras bancas iam chamando até si visitantes, atraídos pelos produtos feitos pelos respectivos artesãos.

Era o caso de Sandra Ferraz, que produz presépios de lapinha, alguns dos quais ia acabando ali mesmo – por vezes com a ajuda de crianças com vontade de pintar as minúsculas casinhas.

Eugénia Teixeira era outra artesã que tinha sempre alguém a apreciar, com curiosidade, as peças por si criadas e que vão desde malas de senhora a bijuteria onde a cortiça é o material em destaque.

Já Teresa Baganha cria capas e bandeiras do Divino Espírito Santo, vocação a que se dedica desde criança – na altura com enfeites feitos das pratas dos maços de cigarros – e a que hoje em dia dá largas com os materiais apropriados e muita atenção ao pormenor.

Acompanhada da filha, também Eduarda Cardoso ia atraindo público com as suas criações de renda e pano – desde bonecas a brincos e colares.

Logo ali ao lado estava a banca da Escola Fernando Pessoa, que atraia sobretudo os mais pequenos com ofertas de marcadores de livro, lápis e informações, mas também alguns adultos interessados na língua de Camões.

Uma exposição de pinturas e pósteres da artista plástica e designer gráfica Carla Antunes era outro dos chamarizes, disponibilizando quadros entre 200 a 700 dólares, bem como reproduções por apenas oito dólares.

No Canada há apenas três anos, confessa estar a gostar muito deste país e das oportunidades que lhe tem oferecido e explica-nos que a pintura é algo que já fazia de há alguns anos para cá e a que tem dado continuidade desde que aqui chegou.

Os amigos foram gostando das pinturas que criava para decorar a própria casa e daí surgiu o incentivo para dar a conhecer o seu talento a uma audiência mais vasta, uma primeira exposição na Casa das Beiras e agora esta oportunidade no Carassauga.

O público foi-se aproximando, pois as imagens eram apetecíveis e, à falta de meios para comprar os quadros, muitos foram saindo com pósteres, pois tornaram a arte acessível.

Os espectáculos foram uma atracção constante e puxaram pelo público, como foi o caso das meninas que no sábado, logo ao início da tarde, saltaram para cima do palco e se tornaram dançarinas do Baeta e Companhia, ou da família que fomos encontrar junto à banca de colorir com a filha mais nova, e a quem tentaram convencer a aceder ao convite dos jovens do rancho da casa para aprender a dançar com eles.

Para Lan Odesola, um nigeriano no Canadá há cerca de dois anos, esta foi a primeira vez que visitou o Carassauga, destacando os pavilhões da China, África e Portugal como os de que mais gostou.

"O que mais aprecio são as diferentes culturas a unirem-se para celebrarem a diversidade – as actuações, a comida e as pessoas todas a divertirem-se com amor neste festival", afirmou, antes de acrescentar que os filhos estavam a gostar de tal maneira que nem queriam ir para casa.

O pavilhão português, que foi um dos fundadores do festival há 33 anos, recebe cerca de 8.000 visitantes durante este certame e tem sido agraciado já por várias vezes como o melhor pavilhão, pois o entretenimento nunca pára, a comida é excelente e os artesãos são de primeira ordem, como é frequentemente referido.

Claudia Lechtenbenger é uma das visitantes que não falha um Carassauga e garante que este é o seu pavilhão preferido, por isso volta todos os anos com o marido e a filha.

"Vimos aqui jantar no sábado e no domingo, porque é o meu tipo de comida favorito, adoro o ambiente e o facto de que têm entretenimento do princípio ao fim, e sinto-me em casa", afirmou à nossa reportagem.

Para Tony de Sousa, a larga afluência de público e o número de visitantes que voltam ano após ano são testemunho do trabalho desenvolvido pela colectividade e por todos os voluntários que tornam possível a participação do CCPM num certame desta envergadura e projecção.


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