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Dia de Portugal em Otava:

Deputada federal convida portugueses a comemoraram na capital canadiana

Em declarações ao jornal Sol Português, Julie Dzerowicz põe em contexto alguns dos resultados da visita oficial de António Costa ao Canadá e revela novidades

Por João Vicente
Sol Português

A deputada Julie Dzerowicz é a representante no Parlamento federal, em Otava, do distrito com maior concentração de portugueses, luso-canadianos e seus descendentes no Canadá.

Desde 2015, quando foi eleita pelo partido Liberal no distrito torontino de Davenport, tem mantido uma forte presença junto da comunidade portuguesa e procura manter-se a par de tudo o que a ela diz respeito, sendo, inclusive, uma das fundadoras do Grupo Parlamentar de Amizade Canadá-Portugal (GAPCP), organização sedeada em Otava e que desde Maio passou a co-presidir com a deputada Alexandra Mendes, do Quebeque.

Mais recentemente esteve envolvida nas actividades ligadas à visita ao Canadá do Primeiro-ministro português, António Costa, que aqui esteve de 2 a 5 de Maio, pelo que com ela conversámos acerca do significado de algumas das medidas que foram então ratificadas pelos governos canadiano e português.

Aproveitámos também para indagar dos pormenores relacionados com a cerimónia de celebração oficial do Mês de Portugal que se irá realizar em Otava, evento que Julie Dzerowicz indicou ter procurado organizar de forma a ser co-apresentado com os outros partidos com lugar na Assembleia.

As negociações com os Conservadores e Neo-democratas viriam a adicionar outro nível de dificuldade e a prolongar o processo, pelo que os planos que em Janeiro tinha estipulado para 2 de Junho acabaram, como refere, por ir "por água abaixo".

Tendo-se perdido o local inicialmente previsto, Julie Dzerowicz e Alexandra Mendes viram-se confrontadas com o facto de que as datas e locais disponíveis eram agora muito mais limitados, dado estarem já um pouco em cima da hora.

Apesar disso, e decididas a levar a comemoração avante, as co-presidentes da GAPCP encetaram de imediato negociações com a Embaixada de Portugal para que se pudesse realizar uma cerimónia conjunta no Parlamento, a qual ficou marcada para a tarde de 13 de Junho, das 15h30 às 17h30, e cujos detalhes foram finalizados na pretérita quinta-feira (24).

Trata-se, como nos refere Julie Dzerowicz, de uma ocasião especial e para a qual lança um convite aberto a toda a comunidade para que nesse dia, na colina do Parlamento em Otava, esteja presente o maior número possível de portugueses e luso-canadianos.

Será a primeira vez que esta comemoração oficial se assinala a nível federal, fruto da homologação no ano passado da sua proposta de lei nesse sentido e a deputada diz ter-se sentido muito feliz ao vê-la referida pelos Primeiros-ministros dos dois países durante o seu recente encontro.

A seu ver, a iniciativa era há muito devida e serve como reconhecimento do trabalho desenvolvido pela diáspora lusa em terras canadianas durante todos estes anos, ao mesmo tempo que realça a importância actual da comunidade lusa para ambos os países.

A propósito da visita de estado do Primeiro-ministro português, Julie Dzerowicz destaca que ambos os países têm valores em comum e partilham o desejo de tirar o máximo proveito do novo Acordo Integral de Economia e Comércio entre a União Europeia e o Canadá (CETA, na sigla inglesa), mas acima de tudo apraz-lhe ter testemunhado o que classificou como "genuíno afecto e cordialidade" entre os dois chefes de governo.

Como refere, a iniciativa de intensificar as relações comerciais entre os dois países partiu do governo português, dai que logo no primeiro dia da sua visita António Costa se encontrasse com Justin Trudeau em Otava, onde assinaram o Acordo de Mobilidade Jovem.

A seu ver, este acordo – que permite aos jovens de ambos os países passarem até dois anos a viver, a estudar, a viajar e a trabalhar livremente no país anfitrião – é "muito empolgante por dois motivos".

Primeiro porque "o Canadá normalmente começa este tipo de acordos de forma muito conservadora, com apenas 500" jovens por ano, mas neste caso "fomos directamente para 2.000 jovens por ano, para cada país", o que, segundo ela, "demonstra não só um claro desejo mas também uma clara procura de parte a parte".

E em segundo lugar porque a sua assinatura "vai além do simbolismo" e confirma que "há um verdadeiro interesse em aprofundar as relações entre os nossos países".

O segundo dia da visita de António Costa foi totalmente dedicado ao fortalecimento das relações comerciais entre os dois países, algo que Julie Dzerowicz considera ter por objectivo tirar máximo partido das acrescidas oportunidades económicas proporcionadas pelo acordo CETA.

"Foi um acto muito deliberado a realização da recepção oficial em Otava, no primeiro dia, e o foco dedicado ao comércio e à economia no segundo dia, em Toronto", explica a deputada que refere que, desde então, já vários empresários lhe expressaram a sua satisfação com a sessão informativa organizada pelo Economic Club of Canada.

Esse encontro, que decorreu na manhã do segundo dia da visita oficial de António Costa, permitiu aos participantes inteirarem-se do quão robusta está a economia em Portugal e do quanto o país se tem tornado inovador, o que os leva a querer investir e fazer mais transacções com Portugal.

A seu ver, o benefício para o Canadá é óbvio pois há agora mais canadianos e luso-canadianos motivados a fortalecerem os laços comerciais entre os dois países e aproveitarem as oportunidades proporcionada pelo CETA, o que se traduz num maior intercâmbio comercial.

Apesar de tudo o que se conseguiu, "o que vimos durante esta visita foi apenas o princípio", refere a deputada de Davenport, acrescentado que "daqui vai resultar uma série de missões comerciais entre os dois países e sei que da minha parte vou continuar a fazer todos os possíveis para que os luso-canadianos e todos os canadianos aproveitem este acordo de comércio".

Julie Dzerowicz aponta ainda outras mudanças de interesse resultantes desta visita, incluindo a criação do Centro de Língua Portuguesa Camões, na Universidade de Toronto, um marco que, segundo ela, não terá recebido o destaque que merece.

"Não foi notícia de primeira página mas, a meu ver, foi algo realmente maravilhoso pois [...] a inauguração dessa instituição numa das universidades de maior projecção, não só no Canadá, mas no mundo, foi muito bom para a língua e a cultura portuguesas", afirmou.

Entretanto, no fim-de-semana seguinte, a deputada organizou um encontro sobre a temática da política de imigração canadiana onde o assunto dos indocumentados portugueses foi assunto central.

Mais uma vez, reiterou, "não há nem houve um "projecto piloto" para lidar com a situação dos indocumentados portugueses", embora admita que houvesse, isso sim, consultas e discussões em torno dessa e doutras opções que têm estado a ser consideradas.

Confrontada com o facto de que para os indocumentados os meses e anos estão a passar sem solução à vista – e questionada directamente sobre a sua noção de quando se irão ver resultados – a deputada citou a resposta do ministro da Imigração a uma questão que lhe foi posta recentemente, nomeadamente: se estava a oferecer esperança à comunidade portuguesa.

"Absolutamente, estou a oferecer esperança à comunidade portuguesa", citou.

Isto significa que para os indocumentados que estão há muito a tentar vislumbrar um horizonte que nunca mais chega e o qual já nem sabem se é miragem, Julie Dzerowicz, utilizando as palavras do ministro da Imigração, assegura que há, efectivamente, luz ao fundo do túnel.

"Quando se estão a explorar muitas opções simultaneamente, é difícil de antever o que vai ser por fim implementado, ou quando, mas dado que tenho 26 a 27% de população portuguesa no círculo eleitoral que represento, é claro que este é um dos principais assuntos para mim e nele tenho estado a trabalhar desde, literalmente, o dia em que fui eleita em 2015", afirma Julie Dzerowicz.

Para já, a deputada do governo Liberal "gostaria de trazer até cá uma equipa de parlamentares de Portugal para descobrir o que mais podem fazer para se apoiarem mutuamente".


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