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PALUCA 2017:

Público ficou aquém das expectativas na edição deste ano do certame

Por João Vicente
Sol Português

O designado Piquenique Anual Luso-Canadiano (PALUCA) foi criado há 11 anos com o intuito de se tornar um grande convívio anual ao ar livre entre portugueses, uma iniciativa das Casas da Madeira, dos Açores, das Beiras e do Alentejo sedeadas em Toronto que em conjunto plantaram a semente que deu origem a esta tradição.

Ao longo da última década, porém, duas delas abandonaram a iniciativa e ainda que o gigantesco parque Madeira – o único espaço verde pertencente a uma colectividade portuguesa – continue a ser o local escolhido para a realização deste evento, apenas as colectividades madeirense e beirã continuam a tentar levá-la avante.

Assim voltou a acontecer no passado fim-de-semana, reunindo nos dias de sábado (26) e domingo (27), algumas centenas de pessoas, mas, como nos diz quem lá esteve em anos anteriores, esta edição – pelo menos o dia de sábado, aquando da passagem da nossa equipa de reportagem pelo local – foi uma sombra do que já foi nos outros anos.

O cancelamento da tourada à corda, que estava prevista para essa tarde, assim como as actuações dos grupos folclóricos da Casa da Madeira e da Casa das Beiras, por falta de elementos, foram sintomáticas, como foi o contraste com as multidões de anos anteriores.

As poucas centenas de pessoas que se chegaram a reunir no sábado, porém, fizeram a festa com gosto e ao longo do dia foi sempre chegando mais gente, até mesmo já ao fim da tarde – e o domingo esperava-se mais concorrido ainda.

Dado o cancelamento das outras actividades planeadas para essa tarde, reinou principalmente o convívio salutar, ao mesmo tempo que se foi apreciando a chanfana, o rancho e as espetadas que se iam preparando nos assadores, e não faltou um animado espectáculo musical com Ricardo Cidade e a Banda Karma.

Os participantes procuraram fazer o melhor da ocasião e aproveitar o dia ao máximo sendo uma das actividades que se revelaram mais divertidas e populares a "ordenha da vaca".

Segundo o presidente da Casa da Madeira, Rick Coelho, que alugou a "vaca" para este concurso, o objectivo foi trazer algo de diferente ao evento, ao mesmo tempo que se reuniam fundos para a colectividade.

O resultado foi uma diversão que atraiu muita gente ao longo do dia e onde o desafio era mugir uma "vaca" artificial durante um minuto para ver quem conseguia tirar mais "leite".

Vários foram os pares de amigos que aceitaram o desafio e se os primeiros 30 segundos corriam bem à maioria, já os últimos 30 eram os que mais custavam e mais gargalhadas provocavam, tanto nos participantes, que com o seu espírito competitivo tentavam ultrapassar o cansaço dos músculos para chegar à vitória, como nas pessoas que assistiam e se juntavam em seu redor.

Houve até quem mostrasse como realmente se deve fazer, como foi o caso de Agripino Tomás que nos conta como há muitos anos não gostava de ordenhar as cabras e vacas por castigo, mas nesse dia foi com prazer que demonstrou a técnica correcta, colocando o balde entre os joelhos – "porque antigamente tinha de ser com mais cuidado, não se podia desperdiçar o leite", e também para poder evitar algum coice duma vaca mais brava.

A meio da tarde principiaram também as actuações no palco, pelo qual passaram Ricardo Cidade e a Banda Karma, tendo-se a actuação da banda prolongado até perto da meia-noite num animado espectáculo a que não faltou público para dançar.

Segundo escutámos dos espectadores e de alguns dos responsáveis das colectividades organizadoras sobre o evento deste ano, a principal dificuldade com este encontro é superar a falta de união entre as colectividades portuguesas, mas também criar um evento suficientemente apelativo para competir com outras actividades que decorrem em simultâneo.

Assim o disse Albino Moreira, que já é sócio da Casa da Madeira desde finais dos anos '70 e que acha que realmente faz falta mais união entre os clubes portugueses e mais apoio por este excelente recurso que é o parque Madeira.

Entretanto o presidente da colectividade madeirense, Rick Coelho, considerou que realmente faz falta ter mais uma ou duas colectividades envolvidas para representar outras regiões de Portugal ao mesmo tempo que se leva esta iniciativa adiante da melhor forma.

Na sua opinião, seria bom também contar com um forte patrocínio que permita contratar artistas com mais cachet, para servir de chamariz para este evento.

Por seu turno, a vice-presidente da Casa das Beiras, Katia Caramujo, destacou que já o ano passado houve menos adesão do que em anos anteriores e considerou que esta é uma altura complicada por ser uma época de férias.

"Apesar de já ser fim de Verão, muitas pessoas ainda estão em Portugal, muitas estão na [feira popular] CNE", que se realiza durante cerca de três semanas, de meados de Agosto até ao primeiro fim-de-semana de Setembro, "portanto é uma altura onde está a acontecer muita coisa ao mesmo tempo", reforçou a dirigente beirã.

Na sua opinião, o insucesso a nível de público teve mais a ver com a época do que outra coisa e considera que o conceito, em princípio, é são.

"É um convívio, é uma confraternização entre dois clubes em vez de cada clube fazer um piquenique a sós e assim fica mais bonito", realça, adiantando que "torna-se engraçado" também "a nível das comidas, porque os madeirenses gostam de provar a chanfana e o rancho, e os beirões gostam de provar a espetada madeirense".

Entretanto sugere que talvez faça falta um pouco mais de publicidade e promoção do evento, para tentar atrair mais visitantes da comunidade em geral.

Já o ex-presidente e actual relações públicas da Casa da Madeira, Salomé Gonçalves, refere em relação ao PALUCA que "havia divisões porque a coisa nunca foi bem feita desde o princípio", mas considera que o problema pode ser superado.

Quanto à Casa da Madeira, este dirigente destaca que é uma colectividade que está à vontade, "com tudo pago" e com oportunidades para o futuro uma vez que, "desde que haja boa gerência, a casa vai para a frente".

Um dos seus grandes sucessos é o verdejante parque Madeira, localizado em Georgina, e que detém um grande valor para a colectividade e para a comunidade lusa.

Trata-se de um espaço que vai atraindo até quem não é português, como é disso exemplo o jovem Alex Sirko, que tem ascendência ucraniana e que já há cerca de dois anos que tem vindo a visitar o parque com a família.

Fomos encontrá-los nesse dia de roda de um par de ananases que tinham embebido em whisky, vermute, baunilha, canela e açúcar mascavado para depois o levarem ao lume, no espeto.

É um petisco que dizem ser brasileiro e, visto que ali têm espetos e assadores à mão, aproveitam para o fazer sempre que se deslocam até lá.

Segundo nos refere Rick Coelho, um dos próximos passos para atraírem mais gente ao parque deverá ser a construção de chuveiros para quem ali gosta de acampar de um dia para o outro.

O próximo evento no parque Madeira está agendado para dia 9 de Setembro e será a popular Festa dos Compadres, convívio que irá contar também com a realização de uma tourada à corda pela ganadaria luso-canadiana Sol e Toiros.


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