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Material respeitante a alegada interferência da China no Canadá demasiado "sensível" para inquérito público
Um relator independente contratado para investigar as suspeitas de interferência da China nas eleições canadianas afirma que o material referente às investigações é demasiado sensível para constar num inquérito público. Os partidos da oposição têm vindo a exigir um inquérito público à alegada interferência das autoridade chinesas no Canadá, desde que no início do ano a comunicação social noticiou o assunto citando fontes não identificadas dos serviços secretos canadianos. De acordo com as mesmas fontes, a China preferia ver os Liberais, partido do Primeiro-Ministro Justin Trudeau, reeleitos nas eleições de 2021, e desenvolveu esforços para derrotar os Conservadores, considerados hostis por Pequim. David Johnston, nomeado em Março por Trudeau, anunciou a sua recomendação de não abrir um inquérito público, argumentando que tal não poderia decorrer devido à "sensibilidade" das informações recolhidas, que são de caracter secreto e sigiloso. Ainda assim, o relator recomendou a realização de audições públicas sobre questões mais vastas, incluindo a influência estrangeira no sistema político canadiano. David Johnston assinalou também que o executivo canadiano não ignorou ou deixou de actuar com base nas informações recebidas e diz que as notícias divulgadas pelos órgãos de comunicação social careciam de contexto e, em alguns casos, estavam incorrectas. "As fugas de informação baseiam-se em informações parciais. Nalguns casos, os documentos não contam a história completa", afirmou o relator, que foi governador-geral do Canadá de 2010 a 2017. Na sequência do anúncio feito pelo relator, o Parlamento canadiano votou a favor da sua demissão das investigações, numa moção que renova também o pedido para que seja "urgentemente" aberto um inquérito público mas que não tem, porém, caracter vinculativo para o governo. David Johnston já anunciou que não se demitirá do cargo e que irá continuar a investigar as alegações de interferência da China nas eleições federais em 2019 e 2021, bem como as medidas de segurança em vigor. "Quando aceitei o mandato para agir como relator especial independente, fi-lo com pleno conhecimento do facto que a tarefa que me aguardava não seria fácil nem livre de controvérsia", disse David Johnstn numa declaração oficial. "Cumpri a primeira parte do meu mandato com o relatório apresentado na semana passada. Tendo dito isto, como indiquei, há ainda muito trabalho a fazer e um outro processo público que é necessário", continuou, indicando que, embora respeite o direito da Câmara dos Comuns se pronunciar, o seu mandato vem do governo e é seu "dever" dar-lhe continuidade até estar terminado. Entretanto, a China continua a negar ter interferido nos assuntos internos do Canadá e classificou de "ridículas" as acusações feitas pelos media e pelos políticos canadianos. As relações entre os dois países deterioraram-se após a detenção no Canadá, em 2018, de Meng Wangzhou, directora executiva da empresa chinesa de tecnologia Huawei, a pedido dos Estados Unidos, que pretendiam a sua extradição. As autoridades chinesas retaliaram através da detenção dos empresários canadianos Michael Kovrig e Michael Spavor, que foram presos na China e julgados por espionagem numa acção internacionalmente reconhecida como vingativa e sem fundamento. – RA//VE | ||||
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