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Inteligência artificial: uma realidade presentePor Idalina da Silva Sol Português
A Inteligência Artificial teve a sua definição conceptual nos anos 1950, na Universidade de Carnegie Mellon. Os cientistas Herbert Simon e Allen Newell foram os pais dessa ciência, criando naquela universidade o primeiro laboratório dedicado à inteligência artificial no âmbito académico. Se ainda não ouviu falar sobre Inteligência Artificial (IA) não está só, já que muitos de nós só recentemente tomámos conhecimento deste conceito que veio para ficar. E sim, estou a falar de máquinas que podem ficar mais inteligentes do que nós, seres humanos. Pode perguntar para que foi criada a IA e a resposta é que o objectivo é a execução automatizada de tarefas actualmente realizadas por seres humanos. Embora a IA consiga ser mais eficiente do que a inteligência humana no desempenho de algumas actividades, é uma inteligência desprovida de empatia pois é "apenas uma ferramenta projectada para gerar respostas baseadas em dados e padrões de linguagem aprendidos a partir de grandes conjuntos de dados", segundo ela mesma se define. Quando Geoffrey Hinton, considerado um dos criadores da IA, deixou a Google, alertou o mundo para os perigos que esta tecnologia pode trazer ao mundo numa carta dirigida ao jornal New York Times. Mais tarde, numa entrevista à emissora BBC, avisou sobre os perigos que os novos chatbots que usam IA representam: "são muito assustadores. Actualmente, não são mais inteligentes do que nós, ao que me parece, mas penso que isso pode acontecer brevemente". Hinton é um investigador e um dos principais criadores de sistemas de IA em chatbots – programas criados para simular conversações com seres humanos na Internet – como o famoso ChatGPT. As redes de Inteligência Artificial são semelhantes às que existem no cérebro humano, na forma como aprendem e processam informação. Hoje, ainda não têm o nível de inteligência humana, mas Geoffrey Hinton acredita que, mais cedo ou mais tarde, podem ultrapassá-la. "Precisamos de ter cuidado com a Inteligência Artificial. Precisamos de nos preocupar", alertou, pois se a IA cair em mãos erradas, os bots podem ser utilizados para fins anti-éticos ou até maléficos e esse é "o pior cenário que podemos imaginar", diz. "Como exemplo, pensemos numa pessoa como Vladimir Putin que pode decidir dar aos seus bots objectivos que podem servir para conquistar mais e maior poder", refere o investigador, que se diz assustado com a própria criação na qual trabalhou toda a vida. Agora, chegou "à conclusão de que a inteligência que estamos a criar é diferente da que temos, e a grande diferença é que com os sistemas digitais podemos ter cópias exactas doutros bots. Todos estes bots podem aprender separadamente, mas rapidamente partilhar aquilo que aprenderam". No Reino Unido, outro entendido em IA, Matt Clifford, considera que a velocidade de progressão desta tecnologia é vertiginosa. "É essencial que o mundo invista urgentemente em Inteligência Artificial, mas sobretudo nas vertentes de segurança e de controlo", alerta. A sua voz junta-se à de Elon Musk, que pede que se repense a evolução da tecnologia e que sejam criadas e implementadas novas normas de segurança. Por esse motivo, Hinton defende que os governos têm de ter um papel preponderante na criação de medidas para controlar a IA, em particular para determinar os limites da sua utilização e formas de a travar, caso o seu uso vá para além do que se pretendia.
Impacto da IA na sociedade actual
A introdução de tecnologias de IA pode levar à automação de certas actividades e, consequentemente, à perda de empregos. Por outro lado, surgirão novos empregos e oportunidades no desenvolvimento de tecnologias de IA e na sua implementação em empresas e organizações. Actualmente encontramos exemplos do uso de IA na Internet, em sistemas de comunicação e marketing, na análise de dados, na educação e ensino, nas áreas de saúde e direito, e no sector da indústria, bem como no desenvolvimento de carros autónomos. Até 2022 as indústrias mundiais já tinham investido 118.000 milhões de dólares em soluções de IA e o ritmo de investimento só vai continuar a aumentar. De acordo com um estudo tornado público a semana passada e elaborado pela IDC, prevê-se um crescimento anual médio neste sector na ordem dos 18% que acabará por tocar todas as áreas de actividade. Dado que a IA é uma área do conhecimento que tem como objectivo principal desenvolver máquinas que simulam o comportamento humano, é importante educar as crianças e alertá-las para a sua existência pois elas são o futuro e serão elas que terão que lidar com essas máquinas. É caso para dizer que mais vale prevenir desde já do que tentar remediar situações quando a IA estiver fora de controlo. | ||||
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