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Vinho português Animus na listagem geral da LCBO

Por João Vicente
Sol Português

O vinho tinto Animus, que está já à venda em todas as províncias canadianas, à excepção de Manitoba, e é comercializado há 10 anos no Ontário – embora até aqui apenas na categoria Vintages – passou agora a integrar a listagem geral da LCBO, foi quinta-feira (22) anunciado pela firma produtora no decorrer de uma apresentação que teve lugar no Consulado-Geral de Portugal em Toronto.

Ao mudar para a listagem geral, este vinho do Douro não só passa a ser um pouco mais barato como poderá ser vendido, potencialmente, nos mais de 600 estabelecimentos desta agência governamental – responsável pela gestão da venda de bebidas alcoólicas no Ontário – espalhados por toda a província.

Atingir este patamar foi um processo moroso, como nos explica Pedro Fonseca, sócio da produtora Vicente Faria, lembrando que lidar com monopólios tem o seu quê, mas é potencialmente compensa-dor uma vez que "a LCBO é o maior comprador de vinhos do mundo por algum motivo".

Segundo ele, a agência tem um processo de avaliação "absolutamente criterioso", só adicionando novos produtos quando há necessidade e procura por parte dos consumidores.

"Não adicionam produtos porque gostam do produtor ou porque gostam do vinho", explica Pedro Fonseca, destacando que "tem que haver uma ligação directa entre a procura e o que a LCBO está a oferecer".

Presente nesta sessão divulgadora no Consulado esteve também o enólogo fundador e sócio-gerente da companhia vitivinícola, Vicente Faria, que destacou que, em termos de produção, levou sete gerações para atingirem este patamar.

Nascido no seio de uma família de há muito ligada à produção de vinhos e ciente desde criança que era esse o caminho que desejava percorrer, Vicente Faria tirou o curso de engenharia agrónoma em Portugal antes de se dedicar ao estudo de enologia na Universidade de Bordéus, voltando a Portugal para uma pós-graduação em marketing de vinhos.

Descrito por Pedro Fonseca como "um homem capaz de perceber a qualidade do vinho produzido só pelo cheiro do chão da adega", o enólogo declara-se satisfeito com esta mudança no estatuto do Animus no Ontário, referindo que a marca é já um dos líderes de mercado no Canadá em vinhos do Douro, com bastante repre-sentatividade noutras províncias e que, só no Quebeque, atingem vendas na ordem de 30 mil caixas por ano.

Ainda segundo os responsáveis, o objectivo deste evento foi o de informar a comunidade e os comunicadores da especialidade, incluindo bloggers, e "deixar que a qualidade do vinho fale por si".

Animus, que já foi reconhecido com vários prémios a nível internacional, é produzido a partir das castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, que lhe conferem um aroma descrito como "caloroso, com travos de frutos silvestres", e é recomendado para acompanhar pizzas, massas e frango.

Como anfitrião deste evento, o cônsul-geral de Portugal em Toronto, Luís Barros, salientou a história milenar do cultivo da vinha e da produção de vinho em Portugal, que remontará pelo menos à altura da presença romana, e congratulou o produtor por ter adicionado mais um vinho português à listagem geral da LCBO.

Posteriormente, e em declarações ao jornal Sol Português, o diplomata considerou este tipo de acontecimento parte da missão do consulado, salientando que qualquer companhia que deseje lançar os seus produtos nacionais no mercado canadiano encontrará as portas da missão diplomática abertas.

Falando especificamente sobre esta nova listagem, Luís Barros considerou-a muito positiva e uma demonstração de confiança na qualidade do produto e na capacidade de resposta da empresa portuguesa para abastecer, na quantidade necessária, as lojas da LCBO, referindo ainda que ajuda a dar uma imagem de Portugal como origem de bens e serviços de qualidade, o que ajudará a abrir a porta a ainda mais vinhos portugueses.

Também o director do ICEP, Raul Travado, considera que as importações de vinho português para o mercado canadiano "têm crescido" e que a situação ""está sem dúvida a melhorar" ressaltando que são cada vez mais reconhecidos pelos consumidores canadianos como vinhos diferentes, mas de qualidade, com uma excelente relação preço-qualidade.

A empresa Vicente Faria exporta cerca de 98% da sua produção para países da Europa, das Américas, de África e do Sudeste Asiático, contando entre os seus maiores mercados a Inglaterra e o Canadá, ambos considerados "difíceis" – a Inglaterra por ser um mercado altamente competitivo e o Canadá pelos monopólios governamentais das províncias, que são relativamente difíceis de penetrar.

O ministro das Finanças do Ontário, o luso-canadiano Charles Sousa, cujo ministério é também responsável pela LCBO, foi convidado a estar presente nesta sessão informativa, mas não lhe foi possível devido a outros compromissos.

À altura deste evento no consulado o vinho Animus tinha sido colocado na listagem geral cerca de duas semanas antes e encontrava-se à venda em mais de 200 estabelecimentos, contando-se que essa oferta venha a ser alargada a um número ainda maior de lojas por toda a província do Ontário.


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