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Bolsas de Estudo LIUNA Local 183:

Cerca de 30 luso-descendentes entre 89 premiados

Por João Vicente
Sol Português

A LIUNA Local 183 levou a efeito na passada sexta-feira (26) a sua noite de gala para a entrega de bolsas de estudo, cerimónia que este ano contemplou 89 jovens – cerca de três dezenas dos quais luso-descendentes – com placas e prémios monetários que totalizaram aproximadamente 800.000 dólares.

Esta que foi a 20.ª atribuição dos prémios concedidos pelo Fundo Fiduciário de Bolsas de Estudo do sindicato distinguiu os alunos cujo mérito académico mais os destacou entre os 183 candidatos inscritos este ano, recebendo cada um dos premiados um estipêndio de 2500 dólares anuais para os estudos, até um máximo de quatro anos.

"Este é um dia com um significado muito grande, é o dia em que o sindicato estende a sua gratidão às famílias dos nossos sócios, neste caso aos seus filhos, para tentar ajudá-los com os estudos", afirmou o administrador da "183", Jack Oliveira, no decorrer da cerimónia.

"Temos de tentar ajudar a formar os próximos políticos, doutores, engenheiros", destacou, considerando que "esta é uma maneira de retribuir" o trabalho árduo dos sócios – actuais e reformados – que permitiu à "183" atingir este nível de sucesso e representatividade.

O sindicalista luso-canadiano incentivou os pais a continuarem a apoiar a carreira académica dos filhos e estes a continuarem a aplicar-se nos estudos, pois "a bolsa não é tudo", acrescentando estar confiante que esta geração tem um futuro mais brilhante pela frente e muito mais oportunidades à sua disposição do que os seus pais e avós.

Como é hábito, foi o secretário da Local 183, Marcello Di Giovanni, que conduziu a cerimónia, começando por se escutar o hino do Canadá antes de serem chamados ao palco os restantes elementos do Executivo e de Jack Oliveira se pronunciar.

O administrador desta filial da LIUNA reconheceu a presença de Joseph Mancinelli, vice-presidente do sindicato central, bem como de Carmen Principato, que administra a filial "506", além de representantes de outros sindicatos afiliados à LIUNA, como a CCCU, a CCWU e a Local 1, elogiando de seguida o sacrifício dos pais dos alunos que estavam prestes a receberem as bolsas.

Aludindo ainda ao percurso traçado pela "183", Jack Oliveira ressaltou as dificuldades ultrapassadas pelo sindicato e pelos seus filiados, incentivando todos a procurarem na Internet o projecto "City Builders", que detalha muita dessa história.

Chamado também a pronunciar-se, Joseph Mancinelli teceu elogios a Jack Oliveira e ao seu Executivo e reconheceu a presença no salão de entidades representantes dos vários níveis de governo canadiano, com destaque para o ministro federal da Imigração, Refugiados e Cidadania, Ahmed Hussen.

Além de referir as bolsas de estudo entregues pelos sindicatos irmãos da "183", Joseph Mancinelli deixou uma mensagem aos jovens premiados nessa noite para que não se esqueçam das suas raízes, recordando que foram todos os que ao trabalharem para construir esta nação, nos mais gélidos Invernos ou escaldantes Verões, criaram as condições que lhes permitem hoje chegar mais longe na vida.

Entretanto, o ministro Ahmed Hussen fez questão de congratular Joseph Mancinelli pelo prémio "Italia nel Mondo", com o qual o líder da LIUNA tinha sido agraciado na noite anterior, na presença do Primeiro-ministro Justin Trudeau, passando a elogiar o importante papel desempenhado pela LIUNA, não só ao proteger os direitos dos trabalhadores que representa, como em termos da sua contribuição para importantes causas sociais e comunitárias.

Seria ainda apresentado um vídeo do Primeiro-ministro canadiano, com uma breve mensagem de parabéns aos jovens e de agradecimento ao sindicato, antes do pastor Bill Sunberg ser chamado a discursar e, seguidamente, a proferir uma oração de graças pela refeição que estava prestes a ser servida.

O momento foi também aproveitado para reunir as entidades oficiais ali presentes para uma foto de grupo com o Executivo da LIUNA e da "183" e na qual, para além do ministro Ahmed Hussen, posaram os deputados federais Julie Dzerowicz, Michael Levitt, Marco Mendicino, Kamal Khera, Peter Fonseca e Adam Vaughan, o deputado provincial Roman Baber, os vereadores Anthony Perruzza, de Toronto, Chris Fonseca, de Mississauga, Annette Groves, de Caledon e, de Brampton, Gurpreet Dhillon, Rowena Santos e Paul Vicente.

No seguimento do serão e antes da entrega dos prémios escutou-se ainda Shireen Salti, a oradora convidada para essa noite e uma das bolsistas de 2012, que relatou como o pai, vindo da Palestina, se sentiu "em casa" no seio da "183".

A jovem explicou que a bolsa que lhe foi concedida a ajudou finaceiramente a chegar à posição que actualmente ocupa, como analista política, e finalizou a sua alocução com votos de parabéns aos novos bolsistas e um agradecimento à Local 183, da sua parte e do pai.

Segundo o administrador do plano de benefícios do sindicato, Chris McNeill, desde 2011 esta administração já atribuiu mais de 470 bolsas, totalizando quase quatro milhões de dólares.

Um a um, os 89 novos bolsistas ou seus representantes foram chamados a receber o respectivo prémio, momento imortalizado numa foto com os dirigentes da LIUNA e da "183".

Uma das jovens luso-canadianas contempladas nessa noite foi Melissa Duarte de Sá, que se revelou muito grata, tanto pela distinção como pelo facto de esta ajuda a levar a chegar mais perto do seu sonho, que é formar-se como cinesioterapista.

"Quero ajudar as pessoas através da terapia física ou na reabilitação de pessoas que tiveram cancro", destacou Melissa, explicando que foi uma profissão que nunca lhe tinha ocorrido até começar a pensar seriamente no que gostava de fazer.

Como explicou, apercebeu-se então que gosta de se manter saudável e fazer exercício, ao mesmo tempo que gosta de ajudar as outras pessoas, tal como tenta ajudar os pais quando têm dores.

No final da cerimónia, os estudantes premiados viriam a juntar-se para uma foto de grupo com os dirigentes do sindicato.

As Bolsas de Estudo da LIUNA Local 183 são atribuídas anualmente aos filhos ou netos de membros do sindicato no activo ou reformados e que frequentam cursos superiores, escolhidos por um comité independente com base nas notas, experiência de trabalho ou voluntariado, assim como uma composição que entregam com a sua candidatura.


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