CANADÁ EM FOCO


Canadá/Covid-19:

Número de casos continua a aumentar, sobretudo no Ontário e Quebeque

A nível mundial, o número de pessoas infectadas pelo novo vírus corona na última semana cifrou-se mais uma vez em pouco mais de dois milhões, o que eleva o total para cerca de 33,5 milhões, enquanto que os óbitos registaram um acréscimo de 37.600, ultrapassando agora mais de um milhão de mortes desde o início da pandemia.

Invertendo o que até há poucas semanas se registava, porém, a percentagem de pessoas que contraíram a doença e estão dadas como recuperadas continua a melhorar, ao subir de 72,52 por cento na semana passada para 73,48% no início desta semana (24,6 milhões), enquanto que no Canadá se regista o oposto, com a taxa a descer de 86,85 para 85,7%, à medida em que o número de novos casos se volta a agudizar.

O aumento preocupante no número de infecções continua a dar dores de cabeça às autoridades de saúde dos três níveis de governação canadiana – municipal, provincial e federal – que não se cansam de relembrar os cuidados a ter e começam mesmo a decretar o encerramento de certos tipos estabelecimentos.

O país viu o número de casos aumentar quase 9.700 no espaço de uma semana, com 51 mortes a elevaram o total dos falecimentos atribuídos à Covid-19 para mais de 9.300.

A meio da última semana já mais de 400 escolas no Quebeque e 153 no Ontário tinham detectado pelo menos um caso de Covid-19 entre os funcionários ou alunos, altura em que a directora dos serviços de Saúde do Canadá, Dra. Theresa Tam, expressou grande preocupação com o aumento da média de infecções diárias.

Em contraste com os cerca de 380 novos casos que se registavam diariamente em meados de Agosto, o Canadá estava agora a detectar uma média de 1.123 infecções diárias, a seu ver indicativas de um "grande ressurgimento" da doença em várias províncias, sobretudo Quebeque e Ontário onde se contabilizam a maior parte dos casos (79.4%) e das mortes (93.4%).

O Primeiro-ministro Justin Trudeau prometeu que iria fazer mais para ajudar as províncias a darem resposta à procura crescente pelos testes de despistagem, embora continuasse a não dar indicações de quando é que o governo iria aprovar os prometidos testes que permitem obter os resultados em questão de minutos.

Em tom sombrio, o Chefe do Governo avisou que é muito provável que as famílias não se possam vir a juntar para comemorarem o Dia de Acção de Graças, mas deixou a esperança de que talvez não seja tarde demais para salvar as comemorações natalícias, se todos cumprirem com as directrizes oficiais.

A nível do Ontário, o Primeiro-ministro Doug Ford confirmou o início da realização de testes de despistagem também nas farmácias, com 60 aptas a tal desde sexta-feira (25), e revelou que três hospitais dispõem já de testes de despistagem feita através da análise da saliva, o que evita o uso da incómoda zaragatoa no nariz.

Por sua vez, o ministro da educação do Ontário, Stephen Lecce, disse estarem a considerar encurtar a lista de sintomas que actualmente obrigam as crianças a ficar em casa automaticamente, em vez de irem para a escola, seguindo o exemplo da Colúmbia Britânica que retirou da sua lista 10 sinais de potencial infecção com Covid-19, incluindo dores de garganta, de cabeça e nariz a correr.

Recorde-se que para as crianças poderem frequentar o ensino presencial os pais são obrigados a examinarem-nas diariamente com base numa longa lista de potenciais sintomas, cuja validade, em alguns casos, é disputada por serem demasiado vagos.

Entretanto o município de Toronto, que já tinha cancelado todos os eventos até ao fim de Setembro, prorrogou o período de suspensão até ao fim do ano, o que irá afectar uma longa lista de acontecimentos de grande envergadura.

Entre os eventos agora cancelados estão o espectáculo luminoso "Cavalcade of Lights" e a Noite de Ano Novo celebrada na praça Nathan Phillips, o cada vez mais popular Mercado de Natal e várias festividades de Halloween.

A comemoração de arte ao ar livre designada por "Nuit Blanche", que anualmente enche de gente várias ruas da cidade, e a maratona "CIBC Run for the Cure" vão realizar-se de forma virtual, o mesmo sucedendo à tradicional Parada do Pai Natal cujos organizadores indicaram que em breve darão mais detalhes sob a forma como irá decorrer.

Tudo isto quando se pressagia desde já um mau Halloween para os retalhistas e para o público também, no que é tradicionalmente um dos períodos altos de vendas e que habitualmente leva milhares de crianças às ruas da cidade e de porta em porta para pedirem um "truque ou guloseima".

Embora este ano a "Noite das Bruxas" (31 de Outubro) seja num sábado, com lua cheia e a previsão de tempo ameno – condições que, num ano normal, teriam sido espectaculares para os foliões do Halloween – os peritos prevêem pouca procura pelos habituais doces e guloseimas que então deveriam rechear os sacos dos mais pequenitos e temem que isso seja uma ante-visão do que espera os comerciantes este Natal.

Enquanto isto, continuam a dar-se casos de festas e ajuntamentos em contravenção das regras, com a Polícia de Toronto a anunciar que tinha autuado 14 pessoas com coimas no valor de 800 dólares cada, quando os seus agentes responderam a uma queixa de uma "festa ruidosa" a decorrer na área da rua Kingston com a avenida St. Clair Leste e se depararam com cerca de meia centena de foliões.

No dia seguinte, quinta-feira (24), o governo federal revelou que o subsídio de desemprego iria aumentar para 500 dólares semanais, se a proposta de lei que apresentou no Parlamento for aprovada, colocando assim o valor deste benefício ao mesmo nível do do CERB, programa que foi criado para ajudar os milhões de desempregados em consequência das medidas de confinamento e que terminava nesse fim-de-semana.

O Ministério da Saúde do Canadá voltou a indicar não poder ainda pronunciar-se sobre os prometidos testes rápidos de Covid-19, por estarem ainda a ser avaliados, e a vice-primeira-ministra Chrystia Freeland criticou os partidos da oposição por considerar errado continuarem a pressionar o Ministério para que os aprove.

O governo indicou não estar ainda convencido da precisão e fiabilidade dos 14 dispositivos que está a avaliar, apesar de alguns estarem já a ser usados há alguns meses noutros países, incluindo no Japão e nos EUA, e de escassos dias depois ter sido tornado público que o Canadá chegou a acordo com a firma Americana Abbott para a compra de 7,9 milhões de dispositivos de testes rápidos, logo que estes sejam aprovados pelo Ministério da Saúde.

Em contrapartida, Doug Ford anunciou que o seu governo ia investir mais de 1.000 milhões de dólares para aumentar a capacidade das autoridades de saúde do Ontário realizarem testes de despistagem e o rastreamento dos contactos das pessoas infectadas, enquanto se procurava voltar a limitar a administração de testes a pessoas em situações específicas de risco, para reduzir as filas nos postos e clínicas.

Estas incluem pessoas com sintomas da doença ou que tenham sido informadas pelos serviços de saúde ou pelo aplicativo que rastreia os casos de Covid-19 de que estiveram em contacto com alguém infectado; quem resida ou trabalha num local onde as autoridades detectaram um foco infeccioso; ou quem tenha sido indicado pelo Ministério da Saúde ou pelo Ministério de Cuidados Prolongados para se submeter ao teste.

Enquanto isso, a Federação de Professores do Ontário, organização que rege os profissionais do ensino na província, apelou aos que estão reformados, a quem tem a licença suspensa por falta de pagamento da taxa de aderência e aos que estão desempregados para voltarem ao activo por forma a que as escolas possam preencher as vagas e colmatar a falta de pessoal.

Ao aproximar-se o fim-de-semana, o governo federal anunciou ter assinado mais um contrato com uma companhia farmacêutica, desta feita com a AstraZeneca para a compra de 20 milhões de doses da sua vacina experimental para a Covid-19 – o sexto firmado entre o governo Liberal e empresas fabricantes de vacinas.

Face ao crescente número de infecções, que ultrapassavam já os 500 novos casos diários, e para tentar conter o contágio, o governo do Ontário voltou a decretar medidas restritivas para os bares e restaurantes, que desde sábado (26) passaram a só poder servir bebidas alcoólicas até às 23h00 e a ter de fechar à meia-noite, enquanto que os clubes de strip tease encerraram até nova ordem.

Em Toronto, a Dra Eileen de Villa, directora dos serviços de saúde, decretou o encerramento de quatro empresas de restauração até que estas satisfaçam as condições estipuladas na Lei de Protecção e Promoção da Saúde.

Uma das firmas estava a servir refeições em estilo de bufete, em contravenção dos regulamentos actuais, e as autoridades receberam queixas de que havia funcionários em alguns destes estabelecimentos que se queixavam de terem sido pressionados a apresentar-se ao trabalho mesmo estando doentes.

Entretanto, e num revés à tentativa do governo do Ontário de controlar as despesas com o sistema de saúde, o Tribunal Divisional do Ontário decretou que a província teria de reinstituir a cobertura do seguro de saúde a residentes que se deparem com urgências médicas ao viajarem no estrangeiro.

No sábado (26), uma manifestação anti-confinamento junto à Praça Yonge-Dundas, na baixa de Toronto, juntou várias centenas de pessoas em protesto às restrições impostas pelo governo, mas a demonstração decorreu sem incidentes levando a Polícia citadina a comentar no Twitter que "toda a gente tem o direito de protestar pacificamente e os agentes estão presentes para garantir a segurança de todos".

No domingo (27) era a Polícia provincial, OPP, quem mantinha ainda uma forte presença em Wasaga Beach, localidade onde desde sexta-feira (25) se reuniam centenas de adeptos de "tuning", também conhecidos por "corredores de rua", com os seus carros modificados.

A Polícia Provincial bloqueou os acessos à vila no sábado à noite e começou a recusar a entrada aos que queriam participar no encontro ilegal, vindo a revelar posteriormente que tinham sido emitidas cerca de 200 multas.

Também o primeiro-ministro do Ontário, Doug Ford, vira criticar o ocorrido, reiterando a mensagem de que estes tipos de aglomerações são em contravenção da lei.

No início da semana o Ontário registou 700 casos de Covid-19 num só dia, ultrapassando assim o anterior recorde de 640, estabelecido a 24 de Abril, no auge da primeira vaga.

Doug Ford foi peremptório ao declarar que o província atravessa uma segunda vaga de Covid-19 e que o governo vai utilizar tudo o que estiver ao seu alcance para combater o aumento no número de infecções pois o novo surto tem o potencial de vir a ser pior do que o primeiro.

Entretanto os hospitais pediram ao governo para que volte a impor as restrições que estavam em vigor durante a segunda fase de desconfinamento nas zonas mais afectadas por recearem poderem não vir a ter capacidade de responder à crise.

Na segunda-feira (28) a província detectou mais 36 casos de Covid-19 em estabelecimentos de ensino, o que aumentou o total para 372 desde o início do ano lectivo e afectava, até àquele momento, 224 das 4.828 escolas públicas na província, ou 4,64 por cento.

Enquanto o presidente da Câmara de Toronto, John Tory, apelava ao público para que voltasse a limitar as suas interacções sociais, tal como fazia há alguns meses, a dra. Eileen de Villa indicou que iria recomendar que a capacidade máxima dos restaurantes fosse reduzida de 100 para 75 pessoas e o número de pessoas na mesma mesa de 10 para seis.

As medidas viriam a ser aprovadas a meio da semana, durante uma reunião híbrida da Assembleia Municipal com vereadores presentes no hemiciclo e outros a participarem online.

Também esta semana o governo do Ontário anunciou a aplicação de novas restrições nas visitas aos lares da terceira idade na Área da Grande Toronto e de Otava.

Assim, o acesso vai voltar a ser limitado ao pessoal considerado essencial, enquanto que as visitas só serão permitidas a um máximo de dois familiares que se registem como prestadores de cuidados essenciais.

Segundo o Departamento de Estatísticas do Canadá, no mês de Junho 56.296 empresas fecharam as portas – menos do que o de Maio, mas 44 por cento mais do que em Fevereiro, antes da pandemia.

De acordo com aquela agência responsável pela compilação de dados e estatísticas nacionais, até ao fim de Junho só 20 por cento das empresas que fecharam em Março tinham voltado a abrir.


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