CANADÁ EM FOCO


Governo da Nova Escócia propõe envenenar lago para acabar com espécie invasora

Recorrer a um pesticida para acabar com uma espécie invasora não é uma decisão fácil, mas trata-se de uma medida de último recurso adoptada pelo departamento de Preservação de Recursos da Nova Escócia para tentar salvar o habitat natural e as espécies locais num lago desta província atlântica canadiana.

É a primeira vez que a Nova Escócia propõe o uso de um agente tóxico para eliminar uma espécie invasora, mas só a erradicação da praga de "smallmouth bass" – um peixe da família da perca e do achigã, de nome científico micropterus dolomieu – permitirá salvar a população de truta e salmão atlântico que é endémica desta região e cuja existência está ameaçada.

Desde que este peixe, ilegalmente introduzido na bacia hidrográfica do rio St. Mary, foi detectado em 2019, os biólogos já tentaram de tudo para o erradicar do Lago Piper, no condado de Pictou – curso de água que abrange cerca de cinco hectares, localizado entre Stellarton e Sheet Harbour.

Pescados com rede, à linha e electrocutados, tentou-se até matá-los por privação de oxigénio ao retirarem muita da água do lago com uma bomba no ano passado, antes que chegasse o gelo, mas os invasores não só sobreviveram como voltaram a reproduzir-se durante a Primavera.

As autoridades concluem agora que está na altura de chegar às vias de facto para se desfazerem do diminuto adversário.

"Queremos erradicá-los deste lago para garantir a integridade da bacia hidrográfica do rio St. Mary", explica Jason LeBlanc, director da gestão de recursos do departamento de Pescas e Aquacultura da Nova Escócia.

O plano envolve a introdução de 35 litros do pesticida Rotenone neste lago de pouca profundidade que, além do "smallmouth bass", também contém perca amarela, natural desta região, peixe-gato e outros pequenos peixes de várias espécies.

O pesticida Rotenone, que foi aprovado pelo departamento de Saúde Pública do Canadá, é absorvido através das guelras e só afecta os peixes, tendo ainda a vantagem de que se começa a decompor passadas poucas horas, tornando-se indetectável dentro de dias.

Várias organizações endossaram esta iniciativa com cartas de apoio, incluindo o Centro de Acção Ecológica de Halifax, que normalmente se opõe ao uso de pesticidas mas que considera que neste caso "é apropriado e necessário" para proteger a truta e o salmão, que são espécies endógenas.

O Departamento de Pescas e Aquacultura da Nova Escócia, que já apresentou a proposta ao Departamento provincial do Ambiente e ao Departamento federal de Pescas e Oceanos, tem agora de aguardar 30 dias para que o público possa comentar a medida, após os quais, caso seja aprovada, poderá aplicar o pesticida em meados de Outubro.

Segundo Jason LeBlanc, as espécies de peixe locais deverão voltar a repovoar o lago e vai ser efectuada uma monitorização anual para determinar a evolução desse processo, podendo vir-se a recorrer à re-colonização manual, caso seja necessário.


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