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EUA/Eleições: Perfil de Joe Biden, o candidato em busca da alma americana

O candidato mais velho de sempre à presidência dos Estados Unidos, Joseph R. Biden, apresenta também um dos currículos mais extensos na política do país, onde entrou quando tinha apenas 30 anos.

Agora, aos 77, o ex-vice-Presidente de Barack Obama vai opor-se ao incum-bente Donald Trump a 3 de Novembro, numa eleição de fasquia elevada que ele próprio caracterizou como "uma batalha pela alma da nação".

Joe Biden chegou à nomeação presidencial pelos democratas em 2020 depois de duas tentativas falhadas no passado, uma em 1988 e outra em 2008.

Com uma carreira repleta de gafes e posições que foram evoluindo, Biden ocupou sempre um lugar no centro moderado do partido Democrata, tendo sido essa a bandeira que desfraldou na sua campanha pela nomeação, em 2019.

Ainda assim, o veterano conseguiu o apoio da ala mais progressista do partido, e notoriamente de Bernie Sanders, que desistiu da nomeação em prol do ex-vice-presidente.

Nascido na Pensilvânia em 1942, no seio de uma família católica, Biden adoptou Delaware como sua casa quando se mudou para lá com a família em 1953.

Antes disso, um jovem Biden formado em história e ciência política na Universidade de Delaware e depois em direito na Universidade de Syracuse tinha exercido advocacia durante três anos. Já nessa altura a sua ambição era chegar à presidência.

Mas o seu percurso profissional foi afectado pela tragédia pessoal, quando a então sua mulher, Neilia Hunter, e a filha de um ano morreram num acidente de automóvel, apenas semanas após a eleição para o Senado. Os outros dois filhos, Beau e Hunter, ficaram feridos mas sobreviveram.

Cinco anos depois, Joe Biden casou com Jill Jacobs e o casal teve uma filha em 1981, o que permitiu ao político recuperar a estabilidade pessoal.

Durante o seu percurso no Senado, Biden tornou-se conhecido por usar os comboios Amtrak como meio de transporte até ao Capitólio.

Foi num desses momentos que o luso-americano Frank Ferreira, cientista político e especialista em assuntos intergovernamentais e do congresso norte-americano, conheceu Joe Biden.

"Enquanto jovem funcionário no gabinete do senador Frank Lautenberg de Nova Jersey", disse Frank Ferreira à Lusa, "tive a honra de ir buscar o então senador Biden para participar num evento de angariação de fundos".

Foi nos anos noventa, e Ferreira lembra-se de ter ido buscar Biden à Penn Station de Nova Jersey, já que o senador viajara de comboio. Ele seria o principal orador do evento "Women for Lautenberg", evento que enriqueceu o histórico de Biden em questões como a luta contra a violência sobre mulheres.

"Olho sempre para estes momentos inesperados como um lembrete de que nunca sabemos onde as pessoas que encontramos vão acabar", disse Ferreira, que também teve alguns contactos com a candidata a vice-presidente escolhida por Biden, Kamala Harris. "Neste caso, potencialmente líderes do mundo livre".

Ferreira, que saiu da FEMA (agência federal de gestão de emergências) este ano por divergências com a administração ditada pela Casa Branca, considerou ainda que a eleição de Biden/Harris será positiva, uma vez que os candidatos "oferecem à América e ao mundo a melhor opção para uma democracia livre e aberta".

Essa é uma das ideias centrais da candidatura de Biden, que voltou à política com "ideias corajosas", segundo a plataforma da sua campanha, não apenas para "reconstruir o que funcionou no passado" mas para aproveitar a oportunidade de "reconstruir melhor que nunca".

Da lista de propostas da sua campanha fazem parte a gratuidade dos testes para a Covid-19, a legalização dos emigrantes "dreamers", as baixas remuneradas de parentalidade ou doença e o aumento do salário mínimo para 15 dólares à hora, mais do dobro dos actuais 7,25 dólares.

Defende ainda a extensão da cobertura dos serviços de saúde, o combate às alterações climáticas e o aumento, para 39,6%, do imposto cobrado aos cidadãos com mais rendimentos.

Condecorado em 2017 com a Medalha Presidencial da Liberdade, com Distinção, o maior grau de distinção civil, o candidato é responsável pela criação da Fundação Biden, o Centro Biden de Diplomacia da Universidade de Pensilvânia, a Iniciativa Biden para o Cancro e o Instituto Biden da Universidade de Delaware.

Várias destas iniciativas estão ligadas a outra tragédia pessoal, depois de o seu filho mais velho, Beau, ter morrido de cancro no cérebro em 2015, aos 45 anos.

O próprio Biden sofreu dois aneurismas nos anos oitenta e teve de ser operado ao cérebro.

Devido à sua idade, questões em torno da longevidade e saúde de Joe Biden estão a ser levantadas na campanha, sobretudo pela oposição republicana.

Para contrariar estes ataques, o candidato democrata prometeu ser "totalmente transparente" quando à sua condição de saúde se for eleito.

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Jornal Washington Post declara apoio ao democrata Joe Biden

O jornal de referência Washington Post declarou segunda-feira o seu apoio ao candidato democrata à presidência dos EUA, Joe Biden, para derrotar o republicano, Donald Trump, que considera "o pior Presidente dos tempos modernos".

No seu editorial da edição de segunda-feira (28), o Washington Post considera que, aos 77 anos, Joe Biden está "excepcionalmente bem qualificado, pelo seu temperamento e pela sua experiência, para enfrentar os desafios colossais" dos próximos quatro anos.

Em 2016, o jornal que é propriedade do fundador da empresa Amazon, Jeff Bezos, declarou o seu apoio à candidata democrata Hillary Clinton, contra Donald Trump.

No final do seu primeiro mandato, o bilionário republicano procura um novo mandato na encruzilhada de várias crises históricas: a pandemia de Covid-19, que já custou mais de 200.000 vidas nos Estados Unidos e atingiu duramente a economia, além de um profundo movimento de protesto e indignação contra o racismo e a violência policial.

O Washington Post considera que, com o aumento dos "autoritarismos" à escala mundial e perante "um planeta em perigo por causa das alterações climáticas", as grandes crises da actualidade foram "exacerbadas ou negligenciadas" por Donald Trump, enquanto esteve na Casa Branca.

"Para afastar o pior Presidente dos tempos modernos, muitos eleitores poderão estar prontos para votar em quase qualquer um outro", admite o Washington Post, acrescentando que, "felizmente", os eleitores não terão que "baixar os seus critérios" nas eleições de 3 de Novembro.

O jornal lembra a chegada de Joe Biden à Casa Branca em 2009, onde foi vice-Presidente de Barack Obama, no meio de uma grave crise económica e financeira, destacando o papel de negociador no Congresso, onde procurou soluções entre democratas e republicanos.

Para o Washington Post, Joe Biden também poderá "posicionar melhor os Estados Unidos como um competidor capitalista com a China", ao mesmo tempo que renova as alianças internacionais que o jornal diz terem sido danificadas pelo mandato do Presidente republicano.

Vários jornais de referência, incluindo o Chicago Tribune e o Los Angeles Times deram o seu apoio a Joe Biden para as presidenciais de 3 de Novembro, mas o New York Times ainda não se pronunciou.

Joe Biden também recebeu o apoio de algumas figuras republicanas moderadas, incluindo ex-governadores e ex-`mayors'.


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