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Canadianos estão a endividar-se para pagar contas face a inflação galopante

Com a taxa de inflação no Canadá a atingir em Junho o valor mais alto em quase quatro décadas, cifrando-se num impressionante 8,1% de aumento do custo de vida, uma nova sondagem revela que muitos canadianos estão a endividar-se para conseguirem pagar as suas despesas.

O mês de Julho viu a taxa de inflação nacional registar uma ligeira descida, ao cair 0,5 por cento, mas ainda assim o aumento dos preços em 2022 tem estado a prejudicar as finanças individuais e das empresas canadianas, de acordo com o resultado da pesquisa realizada pelo Finder.com – site dedicado a finanças pessoais – e publicados no dia 16 de Agosto.

Contrair dívidas para pagar contas significa muitas vezes pedir empréstimos pessoais e de acordo com esta sondagem, que entrevistou mais de 1.000 canadianos sobre a forma como estão a adaptar-se à inflação, um em cada quatro admitiu ter feito isso mesmo para conseguir fazer face às despesas.

O estudo revela ainda que cerca de 7,3 milhões de canadianos recorreram a empréstimos ou outras formas de endividamento para acompanharem o aumento dos preços.

Os inquiridos indicaram que o pagamento de contas, a consolidação de dívidas e o pagamento das despesas depois de perderem o emprego foram os motivos mais comuns para recorrerem ao endividamento, mas outras despesas como a compra de um carro, estudos e a remodelação da casa não ficaram muito atrás.

Muitos canadianos relatam ter reduzido os gastos, com quase 60 por cento a referirem comprar menos "luxos", como roupas novas ou entretenimento, enquanto que 43 por cento disseram ter reduzido o montante que gastam em grandes despesas, como a remodelação da casa ou em viagens.

"Os assalariados de rendimento médio estão em sérias dificuldades", indicou em comunicado Romana King, editora de finanças da Finder.

A especialista acrescenta que os dados revelam que os salários não estão a acompanhar o aumento do custo de vida, o que coloca grande parte dos canadianos numa posição difícil, obrigando muitos a priorizarem as despesas e a encontrarem forma de fazer face às despesas.

Jovens são os mais endividados

Embora o aumento do custo de vida esteja a afectar todas as faixas etárias, os jovens adultos são os que têm sentido mais o seu impacto, segundo a pesquisa.

Dos inquiridos, 27% dos que compõem adultos da geração "millennial, com idades entre 27 e 41 anos, disseram estar a endividar-se para conseguir pagar as suas despesas, seguidos de perto por 26% dos entrevistados da geração "Z" com idade entre os 18 e os 26 anos.

A sondagem indica ainda que 27% dos inquiridos da Geração "X", com idades entre os 42 e os 56 anos, também se endividaram para conseguirem acompanhar a inflação.

Entre os "baby boomers" houve uma menor percentagem de endividamento, já que apenas 18% disseram ter contraído empréstimos para fazer face às despesas, embora tenha sido também o grupo que mais reduziu os gastos, situação indicada por 66% dos inquiridos.

Entretanto, muitos canadianos citam as despesas com a habitação como a principal preocupação quando inquiridos sobre a forma como a inflação está a afectar o seu orçamento familiar.

Em 2022, cerca de 1,3 milhões dos adultos (mais de 18 anos) canadianos – equivalente a 4% da população – admitiram estar atrasados no pagamento da renda da casa ou das prestações da hipoteca.

Ainda de acordo com esta sondagem, os inquilinos correm maior risco de incumprimento do que os que compraram casa através de empréstimos hipotecários, estimando-se que nove por cento dos inquilinos tenham pagamentos em atraso, em comparação com seis por cento dos que contraíram empréstimos para comprar casa.

Por último, os inquiridos que integram a geração "Z" indicaram uma propensidade quatro vezes maior do que os "Boomers" a mudarem de casa para pagarem menos, numa proporção de 12% para 3%.


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