1ª PÁGINA


Incêndio devastador destrói estábulos da Canadian Lusitanos em Caledon

Cavalos salvos foram transferidos para quinta numa localidade vizinha

Por Luís Aparício

Sol Português

A manhã de sábado (27) foi de sobressalto e angústia na Canadian Lusitanos, em Caledon East, propriedade do ganadeiro e empresário Élio Leal e da esposa, Louisa Leal, onde um gigantesco incêndio reduziu a cinzas o estábulo onde estavam alojados 18 cavalos.

A intensidade das chamas acabaria por derreter também uma parte do telhado do picadeiro, estrutura adjacente que era usada para os exercícios de equitação e treino.

A pronta intervenção de todos os envolvidos permitiu pôr a salvo 16 cavalos de raça puro-sangue Lusitano, e dois outros de outra raça que se encontravam alojados nos estábulos e que são propriedade de um dos seus clientes.

"O corpo de bombeiros disse-nos que foi um "electrical fire", incêndio que teve origem num fio eléctrico, segundo indicou Louisa Leal em declarações telefónicas ao jornal Sol Português.

Estiveram envolvidas no combate às chamas oito viaturas de bombeiros, tendo a última saído do local pouco passava das 19h00, mais de 12 horas após o início do sinistro.

Segundo Louisa Leal, o "fire marshal" – investigador destacado para o local para apurar as causas do incêndio – estima que o rasto de destruição provocado pelas chamas tenha provocado cerca de um milhão e meio de dólares em prejuízos.

O corpo de bombeiros salientou no entanto que a boa construção e a resistência da estrutura ajudaram a "travar um pouco o fogo" e a evitar uma tragédia maior.

Louisa Leal referiu ter de imediato contactado as várias companhias de seguros envolvidas, sendo que, como nos indicou na altura, iriam ao local ainda "esta semana" para tirar fotografias e avaliar os estragos.

A par disso, uma companhia vai apresentar o orçamento "para limpar aquilo tudo dali para fora", referiu, não havendo por enquanto qualquer previsão de quando a Canadian Lusitanos poderá retomar as aulas de treino com cavalos.

Um dia devastador

Emocionada, Louisa Leal fala-nos do que considera "o dia mais devastador das nossas vidas", destacando os esforços que foram feitos para controlar as chamas, que começaram no piso superior do estábulo, e salvar todos os 18 cavalos que ali se encontravam.

"O nosso treinador e o nosso filho acabaram no hospital com inalação de fumos, mas felizmente ambos foram tratados e agora estão em casa", disse.

A proprietária agradeceu aos bombeiros e às equipas de socorro de Caledon que ajudaram a apagar o incêndio, e deixou "um enorme obrigado aos nossos vizinhos que imediatamente vieram socorrer e ajudaram ao dar-nos novas aparas, cobertores e um espaço temporário para os cavalos".

O impacto, contudo, foi enorme, também em termos financeiros.

"Perdemos tudo o que tinha a ver com o funcionamento do negócio: todo o nosso equipamento, maquinaria, carroças; todo o equipamento para cavalos, toda a ração, tudo!", lamenta.

Face ao sucedido, têm estado a pedir aos vizinhos, em Caledon e arredores, para que, caso tenham artigos de sobra que possam dispensar, lhes cedam fardos de palha, quadrados ou redondos, baldes de água, pás, forquilhas e carrinhos de mão, entre outros utensílios.

As ajudas começaram de imediato a surgir e Louisa Leal mostra-se comovida pela onda de solidariedade.

"Fiquei mesmo emocionada pela maneira que o pessoal reagiu e toda a gente a querer ajudar", diz-nos ao explicar que foi entretanto aberta uma conta na plataforma digital GoFundMe para quem puder fazer um donativo.

Os cavalos, entretanto, foram transferidos temporariamente para uma quinta situada numa localidade próxima, pertencente a uma pessoa amiga do casal que tinha estábulos para os acomodar.

Coragem de Tiago Cantante
ajudou a salvar cavalos

O treinador de cavalos, Tiago Cantante, que todos os dias pela manhã, entre as 7h00 e as 7h30 ia ao estábulo para tratar dos cavalos, estava sozinho na altura quando se apercebeu de que cheirava a fumo.

"Na altura não se via fumo, nem chamas na parte de baixo, onde estão as cocheiras dos cavalos", explica Louisa Leal, que nos conta que o equitador se dirigiu então para "a parte de trás do estábulo, quando notou o cheiro".

Por cima, há um sótão para armazenamento e Tiago Cantante subiu as escadas para averiguar.

"Viu fumo a sair por baixo de uma porta" que dá para um quarto de arrecadações e quando a abriu "notou que já tinha brasas a arder pela parede acima, na esquina do quarto", prossegue, ao relatar o desenrolar dos eventos.

"O Tiago fechou a porta e ligou para o 911, e depois para nós para irmos deitar uma mão, porque o estábulo estava a arder. Eu corri lá para cima – fomos uns dois ou três – e naquela altura vi que o fogo estava a arder onde estavam os cavalos. Chamei o meu filho e ele veio com extintores de incêndio para tentar apagar as chamas naquele quarto de cima".

Vendo, porém, que não iriam conseguir apagar as chamas, desceram as escadas para ajudarem a retirar todos cavalos e colocá-los a salvo.

"Quando eu cheguei, o Tiago estava a tentar levar dois de cada vez, mas não dava tempo" para os retirar a todos dessa forma, por isso "foi só abrir as portas e sacudir com eles para a rua, para não lhes acontecer nada".

Os cavalos foram então fechados dentro da arena da praça que ali têm instalada, onde ficaram em segurança.

Os bombeiros chegaram entretanto, "por volta das

8h10", segundo estima, e depararam-se com um cenário infernal, com as chamas a começarem já a devorar toda a estrutura.

"Aquilo ardeu tudo", relata Louisa Leal, que diz que o sinistro "começou mais ou menos no meio do estábulo e avançou para a parte sul e depois estendeu-se para a parte norte", onde havia muitas máquinas paradas nas traseiras do edifício que foram engolidas pelas chamas.

Para Tiago Cantante, o facto dos cavalos estarem a salvo é um grande alívio, mas não esconde a tristeza e a dor profunda provocada pela tragédia.

Todavia, como faz questão de sublinhar, "é com enorme alegria que vejo chegar a todo o instante ajuda para os nossos cavalos" e destaca que "graças a Deus, estão a salvo" e que contam "com a ajuda de todos vós para continuarmos a trabalhar e fazer voltar tudo ao normal o mais rápido possível".

Como elogia na sua mensagem, "ainda existem pessoas com bom coração".

Parte da história de uma vida
desapareceu no fogo

Apesar do contexto de tragédia que se abateu sobre eles, Louisa Leal dá graças por ninguém se ter magoado e tem plena confiança de que em breve vão reerguer-se.

Contudo, confessa que o mais difícil e custoso em toda esta tragédia é o facto de que naquele sótão tinha armazenados não só o material do dia-a-dia dos cavalos, mas também caixotes que guardavam uma parte dos pertences pessoais da família, uma vez que a casa que estão a construir ainda não está pronta.

"Aquelas coisas de sentimento que uma pessoa guarda (...) e foi-se tudo embora", lamenta pesarosa, pois, como destaca, "o prejuízo não foi só para o negócio dos cavalos, mas foi também para a companhia de construção e para a nossa vida pessoal".

A campanha de angariação de fundos para ajudar a cuidar e a alimentar os cavalos continua a receber donativos do público, através da página criada no portal GoFundMe: "help-care-for-horses-relocated-due-to-barn-fire".

Fotos cedidas por César Pedro - Gente da Nossa


Voltar a Sol Português