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Covid-19:

Pandemia abranda no Canadá mas máscaras passam a ser obrigatórias em Toronto

A pandemia provocada pelo vírus corona agravou-se recentemente em vários países, tendo acrescido no espaço da última semana 1,16 milhões de novos casos que elevam o total de pessoas infectadas em todo o mundo a 10,4 milhões – cerca de cinco por cento das quais, ou mais de 500.000, faleceram.

Em contraste, o Canadá – que contabiliza agora 105.000 pessoas infectadas e 8.500 mortes a nível nacional – parece ter entrado num período de rescaldo, com raros focos infecciosos graves, 90 óbitos e menos de 1.800 novos casos detectados no espaço de uma semana.

Desde a última semana que os residentes de Toronto e Peel passaram a poder frequentar cabeleireiros e barbeiros, esplanadas e centros comerciais, tal como já acontecia no resto do Ontário onde havia sido implementada a segunda fase de reabertura.

Assim, após 13 semanas marcadas pelas medidas de isolamento social e de encerramento de todo o género de actividades designadas pelo governo como "não essenciais", os restaurantes e bares voltaram a abrir, embora só possam atender os clientes em esplanadas – para além de continuarem a servir para fora – e os centros comerciais reabriram as lojas de comércio.

Estabelecimentos como barbearias, salões de cabeleireiro, de unhas, tatuagens e esteticistas puderam também voltar a abrir, ainda que com restrições em qualquer tipo de serviço que envolva contacto directo com o rosto do cliente, incluindo barbear ou a aplicação de tratamentos faciais.

Também os espaços recreativos e culturais voltaram a poder acolher os seus utentes, incluindo as piscinas interiores e ao ar livre, enquanto que os centros comunitários voltaram à actividade mas de forma limitada, restrita à realização de actividades desportivas ou recreativas no exterior.

De igual modo, parques de campismo, museus, galerias, aquários, jardins zoológicos, passeios turísticos e serviços de guias voltaram à actividade, com as bibliotecas limitadas nos serviços que podem prestar, o mesmo acontecendo noutros sectores, como a produção de filmes e televisão.

Foi também nesta altura que a Associação Canadiana de Liberdades Cívicas apresentou um relatório crítico das coimas que foram aplicadas pelos agentes da autoridade a várias pessoas que consideraram não estarem a cumprir as regras de distanciamento decretadas, descrevendo esta prática como uma autêntica "epidemia de multas".

Segundo esta organização sem fins lucrativos instituída em 1964 como observadora dos direitos dos cidadãos, foram emitidas cerca de 10.000 multas no período entre 1 de Abril e 15 de Junho, mais de 60 por cento das quais – que representam 75 por cento dos 13 milhões em coimas aplicadas a nível nacional – no Quebeque.

A organização considerou que grande parte das multas resultou do excesso de zelo dos agentes e que muitas foram emitidas com base na raça da pessoa visada, citando como exemplos investigações agora a decorrer em Otava e Toronto em que cidadãos negros alegam terem sido multados e tratados de forma diferente dos seus homólogos brancos.

No que diz respeito à retoma de actividades a nível provincial, o Primeiro-ministro do Ontário, Doug Ford, anunciou que também a maior parte da região de Windsor-Essex poderia passar à segunda fase de reabertura da economia, com excepção das comunidades de Leamington e Kingsville onde têm deflagrado vários focos infecciosos na população de trabalhadores migrantes.

O Chefe do governo indicou que será implementado um plano para dar resposta à situação das herdades rurais, ao mesmo tempo que permite aos trabalhadores sem sintomas continuarem a trabalhar seguindo um protocolo de segurança.

O governo viria também a prolongar a declaração de estado de emergência na província até 15 de Julho, com Doug Ford a expressar a sua esperança de que seja a última vez que tenha de o fazer ainda que muitas das ordens decretadas ao abrigo deste estatuto tenham de se manter em vigor durante mais tempo, incluindo a proibição de grandes ajuntamentos de pessoas.

O Primeiro-ministro do Ontário viria ainda a pressionar Otava no sentido de manter a fronteira com os EUA fechada durante mais algum tempo pois, na sua opinião "ainda não estamos prontos" para normalizar a circulação.

Com o objectivo de melhorar o bem estar das famílias que enfrentam barreiras económicas e sociais, o governo provincial anunciou uma nova verba, no valor de 13 milhões de dólares, para projectos comunitários liderados por jovens.

Por seu turno, o Primeiro-ministro Justin Trudeau anunciou a criação de 10.000 novos postos de trabalho para jovens entre os 15 e os 30 anos de idade através do Programa de Trabalhos de Verão do Canadá e 20.000 para estudantes do ensino superior através do Programa de Estágios para Estudantes.

A nível de Toronto, o Presidente da Câmara, John Tory, anunciou que as carreiras de barcos ferry para as ilhas recomeçavam nesse sábado (27), embora apenas fosse utilizada metade da capacidade de cada uma das barcas, com um máximo de 5.000 bilhetes – que terão de ser adquiridos online – emitidos por dia e obrigatoriedade do uso de máscaras.

Também o Festival Internacional de Filme de Toronto (TIFF, na sigla em inglês) anunciou os seus planos para a maratona cinematográfica deste ano, que irá decorrer de 10 a 19 de Setembro, mas com uma série de adaptações devido à pandemia.

A 45.ª edição do TIFF espera exibir 50 novos filmes de longa metragem, cinco programas de curtas-metragens e realizar uma conferência online para a indústria, assim como várias sessões interactivas com actores e realizadores.

Contudo, a forma como o festival irá decorrer inclui um misto de exibições online e ao vivo, incluindo em drive-ins e em ecrãs ao ar livre, a par dos tradicionais desfiles dos actores na passadeira vermelha, mas de forma virtual.

Entretanto continuam a chegar más notícias a respeito do desempenho económico de várias empresas, incluindo da transportadora aérea WestJet que anunciou o despedimento de 3.333 funcionários como medida necessária na reestruturação da companhia face aos prejuízos sofridos no rescaldo da pandemia.

Segundo a agência canadiana de crédito à exportação (EDC, na sigla em inglês) na mais recente sondagem realizada, o índice de confiança dos exportadores canadianos no comércio atingiu o mais baixo nível de sempre devido ao choque económico resultante das medidas de contenção da pandemia.

Também o mundo dos desportos continua a ser atingido pela Covid-19, com a revelação na última semana de que vários jogadores e funcionários da equipa de basebol de Toronto, Blue Jays, tiveram testes positivos.

A notícia foi dada poucos dias depois da equipa ter encerrado o seu campo de treino primaveril na Flórida, quando um jogador apresentou sintomas, e uma semana antes de começarem a treinar para a próxima temporada – recentemente aprovada num formato reduzido a 60 jogos.

Poucos dias depois, a ministra da Cultura e Desporto no Ontário, Lisa MacLeod, revelou que o ministério está em conversações com as Ligas de desportos profissionais a respeito da possibilidade de se virem a realizar jogos em Toronto, mas garantiu que não iria pôr a saúde nem a segurança dos cidadãos do Ontário em risco se as condições não o permitirem.

Entretanto, a detecção de apenas 40 novos casos na cidade de Toronto nas 24 horas anteriores, outros tantos na região circunvizinha e 34 no resto do Ontário levaram ao anúncio na passada sexta-feira (26) do número mais baixo de novas infecções na província dos últimos três meses, com um total de 114.

Foi também nesse dia que Justin Trudeau viria a anunciar que as empresas canadianas estão actualmente a produzir equipamento de protecção pessoal a um nível que em breve tornará o país auto-suficiente.

O Primeiro-ministro revelou também que até Setembro a Cruz Vermelha do Canadá vai enviar 900 funcionários para ajudarem nos lares da terceira idade em Quebeque – 150 antes de 6 de Julho e os restantes até ao dia 29 de Julho.

No dia seguinte, sábado (27), o Chefe do governo revelou que o Canadá contribuiu com 300 milhões de dólares para o combate à Covid-19 a nível mundial – 180 milhões para lidar com os impactos imediatos da pandemia, tanto a nível humanitário como de desenvolvimento, e 120 milhões direccionados para uma nova iniciativa designada Acelerador de Acesso a Ferramentas da Covid-19 (ACT, na sigla inglesa).

O Acelerador ACT foi criado em Abril pela Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo governo francês, pela Comissão Europeia e pela Fundação Bill e Melinda Gates com o objectivo de garantir o acesso equitativo a eventuais tratamentos e para apoiar os esforços de organizações, profissionais de saúde e empresas na descoberta de uma vacina, de medicamentos e de ferramentas de diagnóstico para combater a pandemia.

A situação tem vindo a agudizar-se a nível mundial, sendo domingo (28) anunciado que o número de casos de Covid-19 detectados até à data tinha ultrapassado os 10 milhões.

Embora a fonte desses dados, a Universidade Johns Hopkins, apenas publique casos confirmados, os peritos desconfiam que o número de pessoas infectadas seja 10 vezes maior dada a pequena quantidade de testes que são feitos diariamente e o facto de que muitas são portadoras e propagadoras do vírus, mesmo que não manifestem sintomas.

Pela primeira vez em quase três semanas, o número de novos casos detectados diariamente no Ontário subiu acima dos 250, para o que contribuíram quase uma centena de trabalhadores agrícolas migrantes no sudoeste da província cujo resultado dos testes de despistagem a que foram submetidos deu positivo.

A doença deflagrou entre os trabalhadores agrícolas migrantes dos arredores de Windsor, com quase 200 casos detectados no fim-de-semana passado e as unidades de saúde pública de London e doutras cidades a enviarem pessoal para ajudar a controlar os focos infecciosos.

Entretanto, em qualquer outro ano as ruas junto à intersecção da Church e Wellesley, em Toronto, estariam apinhadas no domingo com foliões a celebrarem o festival "Pride", mas este ano as artérias estavam praticamente vazias e o evento decorreu quase exclusivamente online, ainda que alguns dos seus apoiantes fizessem questão de comparecer no local.

No início desta semana o Primeiro-ministro Justin Trudeau admitiu que, em retrospectiva, há várias coisas que o governo poderia ter feito melhor ou mais atempadamente, mas que a análise contínua da resposta de Otava à Covid-19 vai ajudar a formular os planos para futuras pandemias.

Segundo ele, e apesar do défice, o governo federal tem recursos económicos e fiscais suficientes para, caso seja necessário encerrar novamente a economia, dar resposta e combater uma segunda vaga de Covid-19.

Os últimos números apontam para despesas na ordem dos 174.000 milhões de dólares, incluindo um reforço do programa CERB que se prevê venha agora a custar 80.000 milhões de dólares, o dobro do que foi inicialmente projectado.

O ministro das Finanças, Bill Morneau, deverá apresentar um panorama actualizado das finanças federais na próxima semana.

De acordo com a Dra. Theresa Tam, directora dos serviços de saúde do Canadá, as últimas projecções sobre a Covid-19 estimam que até 12 de Julho o Canadá tenha entre 103.940 e 108.130 pessoas infectadas, com o número de mortes a cifrar-se entre 8.545 e 8.865.

Segundo a médica, os modelos do governo federal demonstram haver progresso na contenção da doença, mas com sérios focos infecciosos localizados, sendo que nas últimas semanas se tem verificado um acréscimo de novas infecções entre a população com menos de 40 anos e uma redução entre as pessoas com mais de 80 anos.

A agência responsável pela recolha e distribuição de plasma no Canadá anunciou estar a preparar-se para começar a fazer testes de despistagem da presença de anticorpos da Covid-19 nas próximas semanas, o que permitirá ter uma noção mais concreta do número de pessoas que foram infectadas com a doença em todo o país.

Esta terça-feira (30) o Departamento de Estatísticas do Canadá revelou que a economia nacional registou em Abril a sua maior queda mensal de que há memória, resultado da quase total imobilização provocada pelas medidas adoptadas para combater a pandemia.

Contudo, dados preliminares parecem indicar uma ligeira recuperação em Maio, na ordem dos três por cento, com a reabertura de algumas empresas.

Entretanto o gabinete do provedor do Ontário, Paul Dubé, revelou estar a braços com inúmeras queixas de pessoas insatisfeitas com uma série de situações, desde o ensino online à impossibilidade de contactar com certos gabinetes do governo, incluindo o levantamento dos prémios da lotaria.

Apesar do retomar da actividade comercial, não diminuíram as preocupações do público e alguns sectores, particularmente os sindicalizados, fazem valer a sua representação para apresentar as suas reivindicações antes de voltarem à actividade.

Um destes grupos é o dos procuradores da justiça do Ontário que, segundo declarações do sindicato, pretendem adiar o seu regresso aos tribunais provinciais, previsto para a próxima semana.

Em causa estão receios relacionados com a Covid-19, pelo que pretendem interditar a reabertura de 44 tribunais na província alegando que o procurador-geral do governo provincial e o gabinete de administração que representa os procuradores da coroa em relações laborais não tomaram todas as precauções necessárias – nomeadamente "o uso obrigatório de máscaras e medidas administrativas para protegerem os empregados e outras pessoas de contraírem o vírus" durante a pandemia.

Foi também esta semana que a Assembleia Municipal da autarquia de Toronto aprovou a obrigatoriedade do uso de máscaras em espaços públicos interiores, cabendo à pessoa ou organização encarregue da administração do espaço em questão certificar-se de que o público usa máscaras.

A nova lei, que entra em vigor na próxima terça-feira (7), pretende permitir às lojas que exigem aos clientes o uso de máscara como condição de entrada e permanência recusar-se servir quem não as usar, estando previstas excepções para as crianças com menos de dois anos e as pessoas que não possam usar máscara por motivos de saúde.

Outras municipalidades anunciaram estarem a ponderar implementar a mesma medida, incluindo Brampton e a região de Peel.

Por último, com o regresso à nova normalidade, a Polícia de Toronto voltou desde ontem, quinta-feira (2), a fazer cumprir as regras de estacionamento nas ruas, após a suspensão de multas durante os últimos meses.

A fiscalização vai ser faseada ao longo das próximas semanas, a começar pelos parquímetros, embora o reboque de veículos estacionados ilegalmente ocorra inicialmente apenas nas situações em que sejam considerados estar a afectar o trânsito.


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