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Oceano mais silencioso na costa Oeste do Canadá permite estudo do efeito do barulho nas Orcas

Uma pronunciada redução na quantidade de navios e embarcações no Norte do Oceano Pacífico, junto à costa da Colúmbia Britânica, está a revelar-se uma oportunidade de ouro para alguns cientistas que estudam o efeito dos sons subaquáticos no comportamento de orcas residentes naquela área.

Um estudo publicado em Maio no Jornal da Sociedade Acústica da América aponta para uma redução de tráfego comercial da China para o porto de Vancouver na ordem dos 30 por cento nos primeiros quatro meses do ano, mas segundo Richard Dewey, director de ciência da Ocean Networks Canada (ONC) _uma organização sedeada na Universidade de Victoria que estuda os oceanos em torno do Canadá - também se verificou uma pausa nos barcos de observação de baleias, nos navios de cruzeiro, embarcações de recreio e navios-tanque que se traduziu numa redução de 75 por cento do ruído – níveis de som que já não se registavam há uns 30 ou 40 anos.

A ONC, que além de monitorizar o ruído das embarcações também estuda os sons emitidos pelos mamíferos marinhos, acredita que este relativo silêncio venha a ser bastante benéfico para os animais, pois a expectativa é de que isso venha a facilitar "a comunicação, socialização, navegação e, acima de tudo a encontrar comida", diz Dewey.

As orcas têm audição semelhante à dos seres humanos e usam uma banda de frequências para se comunicarem também semelhante à nossa, além de usarem ainda sons para encontrarem comida através de ecolocação, portanto o aumento de ruído que tem vindo quase a duplicar a cada década é motivo de preocupação para os cientistas que têm vindo a estudar o assunto.

Segundo dizem, as orcas usam o som continuamente pois apenas conseguem usar a vista até uns cinco ou dez metros de distância, enquanto que a ecolocação permite detectar o que as rodeia numa distância de quilómetros.

Os cientistas crêem que a presença de ruído causado por seres humanos aumenta as hormonas de stress nas orcas ao forçá-las a "gritar" e impossibilitar a comunicação sobre distâncias mais longas.

Dewey compara isso a pessoas que tentam conversar num clube ou restaurante com muito barulho ou música muito alta, com a diferença que as orcas não podem simplesmente sair e ir para um sítio menos barulhento.

Segundo os cientistas, no passado, as orcas chegavam ao Mar de Salish em Maio ou Junho, mas nos últimos quatro anos têm chegado por vezes em Setembro, existindo a teoria de que talvez não haja salmão suficiente ou, alternativamente, que o ruído tenha vindo a tornar a caça à comida mais difícil.

Por isso se propõem monitorizar a situação do ruído com 30 microfones submersos (hidrofones) assim como os sons que as baleias venham a fazer ao viajar ao longo da costa e isso aliado aos dados colhidos quanto à data da sua chegada, à sua alimentação e ao período que passam no local após a sua migração, irá ajudar a determinar se o ambiente mais silencioso realmente é um factor importante para a sua sobrevivência.


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