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XXXIV Semana Cultural Alentejana:

Espectáculo de encerramento destacou cinco vozes da nova geração fadista

Por Noémia Gomes
Sol Português

Na recta final da XXXIV Semana Cultural Alentejana, que desde 20 de Outubro esteve a decorrer na Casa do Alentejo de Toronto (CAT), os dois últimos dias de actividades foram dedicados à juventude, ainda que em vertentes diferentes.

Assim, enquanto a noite de sexta-feira (27) foi oficialmente dedicada aos jovens e organizada como uma celebração de Halloween – um encontro que, segundo o presidente do Executivo, João Ferreira, juntou mais de 400 pessoas num espectáculo com Lucas e Marcelo, e baile com o D.J.Douggy – sábado (28) centrou-se numa homenagem ao fado, mas interpretado por vozes da nova geração.

Nesta que foi a última noite do certame deste ano, João Ferreira mostrou-se muito satisfeito com o sucesso obtido ao longo dos últimos oito dias, destacando a afluência do público, sobretudo para o espectáculo final que incluiu quatro fadistas vindos de Portugal e uma luso-canadiana.

Com o salão nobre mais uma vez cheio e decorado em torno de motivos fadistas, os espectadores tiveram oportunidade de apreciar um jantar tradicional das noites de fado, incluindo caldo verde e bacalhau.

Cerca das 22h00, o vice-presidente do Executivo da CAT, Jaime Nascimento, subiu ao palco para dar as boas-vindas e, nessa que era a noite de encerramento da Semana Cultural Alentejana, agradecer a todos quantos participaram neste certame, aos patrocinadores e à comunicação social, convidando de seguida todos a escutarem o espectáculo em silêncio.

Os primeiros acordes fizeram-se escutar, pondo em destaque o talento dos músicos escolhidos para acompanhar esta maratona de fado, os luso-canadianos Hernâni Raposo (guitarra), Valdemar Medjoubi (viola) e Pedro Joel (contrabaixo), que após tocarem uma variação em ré acompanharam durante mais de duas horas os cinco fadistas que se seguiram.

A primeira voz a cantar nessa noite foi também a única fadista local a actuar, Clara Santos, que há quatro anos iniciou a sua carreira precisamente na CAT.

A artista abriu o espectáculo com cinco fados, muitos deles a relembrar Amália, numa exibição que agradou ao público e foi fortemente aplaudida.

A partir daí o espectáculo passou para o domínio dos fadistas vindos de Portugal, a começar por Luana Velasquez, natural de Faro, que personifica perfeitamente a designada "nova geração do fado" que desponta.

Com apenas 11 anos de idade participou no concurso "The Voice Kids" e no concurso de fados "Cerveja Sagres" e tem presença constante em muitas festas e noites de fado.

Com uma voz bonita, simpática e um invejável estilo castiço, a pequena fadista (en)cantou seis fados e arrebatou uma grande ovação de pé por parte da assistência.

O espectáculo continuou com João Paulo Marques que nessa noite regressou pela segunda vez à CAT e fez uma actuação memorável, interpretando grandes clássicos do fado castiço assim como fados e cantigas alentejanas que levaram o público a cantarolar com ele.

O fadista natural de Évora, que aos seis anos fez a sua estreia num restaurante em Vendas Novas, aos 16 classificou-se em terceiro lugar na Grande Noite de Fado de Lisboa no Coliseu dos Recreios e aos 18 gravou o seu primeiro trabalho discográfico, terminou a sua actuação com o clássico "Nem às paredes confesso", arrebatando estrondosos aplausos de pé.

De novo uma voz feminina, desta feita Valéria Carvalho, fadista/cantora que se lançou aos 14 anos no concurso "Vozes da Beira" e que em 2014 arrebatou o primeiro prémio na segunda edição do concurso "Amália Rodrigues".

A jovem de 20 anos canta actualmente no grupo "aoFado" e é também vocalista de jazz e blues, já participou em produções de teatro, incluindo uma versão de "Mama Mia" à portuguesa e este ano recebeu o troféu Camões, em Maceió, com a realização "Cultura e Saberes".

Valéria Carvalho entrou ao som de "Barco negro" e com uma linda voz e forte presença de palco interpretou vários fados clássicos de Amália e Mariza, incluindo uma versão de "Ó gente da minha terra" que pôs a assistência de pé e a aplaudir fortemente.

Por fim e pelo segundo ano consecutivo, Luís Capão voltou a actuar na CAT e foi o último a subir ao palco, demonstrando uma incomparável capacidade para conquistar e envolver o público com a sua voz e carisma.

Licenciado em Ciências da Comunicação e Cultura, este jovem, que começou a cantar aos 13 anos de idade e desde então já passou pela televisão, lançou dois álbuns – "Fado do destino", em 2010, e, este ano, "O fado é nosso" – e faz cerca de 90 espectáculos por ano em Portugal e no estrangeiro, teve uma fortíssima actuação com fados clássicos e temas extraídos do seu novo CD.

Esta grande maratona do fado da nova geração viria a terminar com os cinco artistas em palco, onde escutaram fortes aplausos e ovações de um público que se rendeu por completo ao seu talento, fechando esta edição da Semana Cultural Alentejana com chave de ouro.

Guida Figueira, que estava agendada no programa, não cantou por razões que desconhecemos.


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