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Fado abre nova época da Casa do Alentejo de Toronto

Por Luís Aparício

Sol Português

Passados quase 10 meses voltou-se a ouvir a canção nacional na Casa do Alentejo de Toronto (CAT), apontada por muitos como a "Casa do Fado" nesta cidade.

Com uma forte carga emotiva, esta Noite de Fado que decorreu no passado sábado (28) contou com os fadistas Teresa Santos e Manuel da Silva, acompanhados em palco pelos guitarristas Hernâni Raposo e Valdemar Mejdoubi, e sinalizou a retoma e abertura da nova temporada de actividades sócio-culturais.

Segundo o presidente da colectividade, Carlos Sousa, dado às restrições em vigor devido à pandemia, este era "o evento mais apropriado para reabrir a nova época", manifestando ao mesmo tempo a sua satisfação por terem cerca de 80 pessoas que fizeram reserva para o espectáculo, o que, como afirmou, vem demonstrar que "os sócios e amigos da casa adoram o fado".

Sem abrir o livro sobre as próximas actividades – cuja realização está dependente da evolução da pandemia – e com uma Assembleia-Geral para eleger os novos corpos gerentes ainda sem data marcada, Carlos Sousa adianta apenas que a Direcção pondera fazer um fim-de-semana cultural em Outubro, o que de alguma forma faria recordar os bons velhos tempos das semanas culturais alentejanas.

Durante o convívio e nas breves palavras que dirigiu à plateia, o presidente pediu um minuto de silêncio em memória de José Manuel Moreira, de 77 anos, que referiu como "um amigo da Casa do Alentejo" que faleceu inesperadamente no passado dia 8 de Agosto, em Toronto.

Deixou também uma mensagem de agradecimento a todos os que têm apoiado a colectividade e ajudado em iniciativas de solidariedade.

Uma casa que bem conhecem

Presença habitual na Casa do Alentejo, Teresa Santos manifestou-se feliz e honrada pelo convite para este espectáculo, prometendo dar o seu melhor e cantar alguns dos seus fados mais conhecidos.

À nossa reportagem, a fadista lembra que já se passaram cerca de duas décadas desde que pela primeira vez cantou fado na Casa do Alentejo e destaca que "nessa altura, não cantava muitas vezes" porque as filhas eram ainda pequenas, o que não lhe deixava "muito tempo para cantar" e só "a partir de 2013 é que comecei a cantar mais".

Embora esteja de momento sem qualquer projecto musical em vista, foi uma das pessoas convidadas para participar num projecto de teatro de revista que estava a ser pensado antes do início da pandemia.

"Fazer um teatro de revista aqui, com alguns cantores e fadistas da comunidade, seria uma ideia interessante que normalmente não se vê muito na nossa comunidade", ressalva.

Quem parece já ter projectos em mente é Manuel da Silva, fadista que viria a acompanhar Teresa Santos em palco e que uma semana antes tinha participado na festa de reabertura do Centro Cultural Português de Mississauga.

Segundo nos revelou, pretende gravar mais um CD, "porque já não gravo há algum tempo", como destacou, mas "não quero gravar clássicos, quero gravar aquilo que os poetas escrevem para mim, dentro daquilo que eu gosto no fado tradicional".

O fadista espera começar a gravar o novo trabalho, que será composto por 13 temas, ainda este ano para lançamento em 2022.

Uma janela de oportunidade
que se abre

No decorrer do serão, o cônsul-geral de Portugal em Toronto, José Manuel Carneiro Mendes, que foi um dos convidados, manifestou publicamente a sua satisfação com a realização do espectáculo.

"Estar nesta reabertura simbólica de eventos do movimento associativo aqui, na Casa do Alentejo, é para mim um sentimento indescritível, uma enorme alegria", afirmou.

Um ano depois do início da sua missão diplomática em Toronto, condicionada pela pandemia, José Manuel Carneiro Mendes falou da oportunidade de poder finalmente estar junto da comunidade portuguesa e poder comprovar as informações que tinha dos colegas que por aqui passaram e que, como referiu, lhe comunicaram que esta era "uma das comunidades mais dinâmicas e activas de toda a diáspora portuguesa".

O diplomata fez um apelo ao público para que tomem precauções durante a fase do desconfinamento e sigam à risca os conselhos das autoridades políticas e sanitárias, mas também para que respondam "positivamente ao apelo dos dirigentes do movimento associativo" para participarem nos eventos que se vão finalmente conseguindo realizar.

Para o diplomata, "é o movimento associativo em si, não tanto a Casa do Alentejo, que vê já uma janela de oportunidade a abrir [ao] voltar-se a reactivar aquilo que é um sentimento profundo da comunidade portuguesa, que é comemorar, celebrar a sua portugalidade, as suas raízes e as suas tradições culturais", afirmou.


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