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Canadá/Covid-19: Ontário bate recorde de infecções e regista vários dias com mais de 1700 casos

O número de casos de Covid-19 a nível mundial atingiu 63,5 milhões no início desta semana – mais quatro milhões do que na semana anterior – com 43,4 milhões considerados já livres da doença e a taxa de recuperação a manter-se estável, registando um ligeiro aumento, de 68,2 para 68,3 por cento.

Os óbitos, que na semana passada tinham ultrapassado 1,4 milhões, cifram-se agora em 1,47 milhões com o registo de mais 71.500 mortes.

No Canadá a taxa de recuperação caiu de 80,6 para 79,9 por cento (299.082 pessoas), face aos cerca de 40.000 novos casos na última semana que elevaram o total das infecções detectadas desde o início da pandemia para pouco mais de 374.000.

Entretanto, os 575 óbitos que se registaram neste período levaram o número de mortes atribuídas ao vírus corona a ultrapassar as 12.000.

Na quarta-feira (25) o proprietário do restaurante Adamson Barbecue, Adam Skelly, foi autuado por tentar reabrir o estabelecimento, um dia após a directora dos serviços de saúde de Toronto ter decretado o seu encerramento por não cumprir com as restrições impostas para travar a pandemia,

Adam Skelly, que tem também duas acusações por não ter licença para o restaurante, foi detido no dia seguinte, quando voltou a tentar abrir para servir refeições no interior do estabelecimento, sendo acusado de tentativa de obstrução da polícia, de perturbação da ordem e por não cumprir com as regras de confinamento.

O confronto resultou na detenção de outro homem, sob o qual pendem agora seis acusações de agressão a um agente da polícia e uma de ameaça de morte.

Entretanto a dra. Theresa Tam, directora dos serviços de saúde do Canadá, aconselhou a população a só sair de casa para o que for essencial visto o número de casos graves de Covid-19 estar a aumentar, o que está a pressionar os serviços de saúde e a levar os hospitais a cancelarem as cirurgias que não forem urgentes.

O dirigente do Bloc Québécois (BQ), Yves-François Blanchet, não tem poupado críticas à forma como o Primeiro-ministro Justin Trudeau tem lidado com a pandemia e considera que a promessa de que as vacinas vão começar a chegar ao país nos próximos meses é "inaceitável".

Para o líder do BQ, o governo federal devia ter tomado medidas mais cedo para obter os direitos de produção e criar as condições necessárias para produzir vacinas no Canadá, mas Justin Trudeau ripostou que o país foi dos primeiros a encomendar vacinas a várias farmacêuticas e garante que a maioria dos canadianos irão estar inoculados até Setembro de 2021.

Com várias zonas do país a entrarem em novos períodos de confinamento, os resultados de uma sondagem nacional a 266 abrigos realizada pela organização Abrigos de Mulheres do Canadá, revela que 52 por cento indicam ter mais clientes a queixarem-se de violência doméstica e outras agressões.

Entretanto as isenções de quarentena concedidas por Otava continuam a criar controvérsia, tendo agora sido confirmado pelo gabinete do ministro da Imigração que foram emitidas isenções por interesse nacional que abrangem 1300 atletas profissionais.

Este número já havia sido abordado durante uma audiência do Comité de Imigração da Câmara dos Comuns.

No Ontário, o relatório especial da auditora-geral Bonnie Lysyk sobre a forma como o governo provincial tem dado resposta à pandemia conclui que esta tem sido atenuada por uma estrutura de comando "desajeitada", que põe de lado a opinião de peritos em saúde pública e inclui um oficial médico-chefe, dr. David Williams, que não "exerceu plenamente" os seus poderes.

Dado que as decisões do governo com respeito à forma de conter a pandemia são tomadas tendo em consideração a opinião do Dr. Williams e doutros peritos, o primeiro-ministro do Ontário, Doug Ford, retorquiu em tom irónico que se sentia "muito satisfeito por a auditora-geral ter obtido a licenciatura e se ter tornado médica neste último ano".

Entretanto o governo provincial aconselhou a população a celebrar o Natal em casa, apenas com as pessoas que compõe o agregado familiar – especialmente nas regiões de Toronto e Peel.

Excepção para as pessoas que vivem sozinhas, que podem escolher uma família para com ela celebrarem as festividades, enquanto que os estudantes que frequentam o ensino superior longe da família devem limitar os contactos nas duas semanas antes de virem a casa e auto-isolarem-se quando regressarem.

A meio da última semana foi também revelado que um casal e os dois filhos – todos a trabalharem para o governo do Ontário como especialistas em informática – teriam conseguido desviar milhões de dólares de subsídios da Covid-19, alegações que estão a ser investigadas por sete detectives da Polícia Provincial do Ontário.

A alegada fraude envolve milhares de contas abertas e que lhes permitiram receber mais de 11 milhões de dólares em subsídios que se destinavam a quem tem filhos, estimando-se que o valor pago representaria mais de 10.000 crianças.

Na quinta-feira (26) a conselheira-chefe do Departamento de Saúde do Canadá, Dra. Supriya Sharma, anunciou durante uma conferência de imprensa em Otava que a primeira vacina contra a Covid-19 poderá ser aprovada dentro de duas semanas.

Segundo indicou, trata-se da vacina da Pfizer/BioNtech, que é a que está numa fase mais avançada de avaliação em relação às das farmacêuticas Moderna e AstraZeneca, todas elas a serem analisadas em paralelo pelo Canadá, EUA e Europa.

Novos dados a nível provincial revelam que o número de hospitalizações devido à Covid-19 aumentou mais de 63 por cento nas últimas quatro semanas e que estão igualmente a aumentar os óbitos nos lares da terceira-idade, apesar do número de casos entre residentes e funcionários parecer estar a diminuir.

De acordo com o relatório, prevê-se que o número de pacientes nas unidades de cuidados intensivos devido ao vírus corona venha a atingir as duas centenas durante o mês de Dezembro e a manter-se assim durante algum tempo, o que levará ao cancelamento de todas as operações cirúrgicas que não forem urgentes.

Entidades ligadas aos serviço de saúde provinciais alertam que o Ontário continua em situação "precária", em que as infecções podem voltar a disparar apesar do número de casos parecer estar a nivelar.

Face a isso, o ministro da Educação, Stephen Lecce, anunciou que o governo provincial vai começar a fazer testes de despistagem nos sistemas escolares de Toronto, Peel, York e Otava, mesmo a quem não tem sintomas de Covid-19.

Segundo indicou ainda, as direcções escolares não irão sofrer uma redução nas verbas que lhes são destinadas e que normalmente são calculadas com base no número de estudantes matriculados, embora tenham sofrido uma quebra no número de alunos.

O governo viria ainda a cancelar todos os exames de condução nas zonas que se encontram em fase de confinamento cinzenta, o que inclui Toronto e a Região de Peel, e afecta os centros "DriveTest" em Brampton, Downsview, Etobicoke, Metro-Leste, Mississauga e Port Union.

Os cancelamentos não irão levar à aplicação de penalidades mas quem vive nas regiões afectadas não pode marcar exame noutras regiões.

O Ontário prepara-se entretanto para limitar as tarifas que são cobradas pelas companhias de entrega de comida, como a UberEats e a DoorDash, aos restaurantes das regiões onde não é permitido consumir refeições no interior dos estabelecimentos, por forma a proteger os parcos ganho que estes ainda conseguem auferir nas vendas que fazem para entrega ao domicílio.

Na sexta-feira (27)o Ontário bateu todos os recordes ao registar 1.855 casos de Covid-19 nas 24 horas prévias, altura em que Doug Ford pediu ao governo federal para que forneça o mais depressa possível detalhes com respeito às doses de vacina com que a província pode contar.

Entretanto Justin Trudeau anunciou que o major-general Dany Fortin foi escolhido para coordenar a logística em torno da distribuição da vacina por todo o país.

Durante o fim-de-semana a dra. Theresa Tam advertiu que o país continuava num rumo preocupante, com várias zonas a registarem um aumento no número de casos diários, o que segundo estimou poderá resultar em mais de 10.000 infecções diárias em meados de Dezembro.

Decorridos nove meses desde que a pandemia foi decretada, as autoridades de saúde continuam perante um enigma que é agora tão desconcertante como no início: descobrir como se estão a propagar os casos entre o público.

Na verdade, desconhece-se a fonte de transmissão de mais de 60 por cento dos casos que ocorrem no Ontário.

No domingo (29) as autoridade no sul do Ontário multaram várias empresas, moveram processos contra manifestantes que protestavam a obrigatoriedade de usarem máscara e fizeram pelo menos uma rusga numa festa gigante, em contravenção das regras decretadas para travar a pandemia.

Com 1.708 novos casos de Covid-19 em 24 horas, fiscais municipais e agentes da polícia de Peel dispersaram um ajuntamento que reuniu cerca de 60 pessoas numa residência Airbnb, e emitiram multas aos anfitriões e a vários convidados que totalizaram mais de 45.000 dólares.

No início da semana a ministra da saúde, Patty Hajdu, revelou que também a empresa Johnson & Johnson apresentou uma vacina candidata ao escrutínio do Departamento de Saúde do Canadá, a quarta companhia a fazê-lo mas a primeira que diz ser preciso apenas uma dose para obter imunidade, em vez das duas aplicações que são necessárias com as outras.

Caso seja aprovada, o governo do Canadá tem já firmado um acordo para a compra de 10 milhões de doses, com opção para mais 28 milhões.

O Departamento de Saúde do Canadá confirmou ainda que é possível que venha a ser aprovada uma segunda vacina em Dezembro, com a candidata da Pfizer prevista ser aprovada no dia 10 e a possibilidade do mesmo acontecer com a candidata da Moderna, sete dias depois.

Entretanto Doug Ford voltou a insistir para que o governo federal informe a província sobre quando é que o Ontário poderá contar com a sua quota das vacinas contra a Covid-19.

Na terça-feira (1) a dra. Thersa Tam indicou que os dados sugerem que a primeira ronda de vacinas será distribuída por idade, com os idosos e funcionários de lares e de hospitais à frente da fila.

Entretanto pela primeira vez nos seus 37 anos de existência o Daily Bread Food Bank cancelou todos os eventos para angariação de alimentos da quadra natalícia, segundo indicou o director Neil Hetherington, sendo o objectivo proteger os seus apoiantes, voluntários e funcionários.

Conforme revelou, mais de metade dos donativos que recebem do público chegam ao banco alimentar nesta quadra, pelo que esta decisão não foi tomada de ânimo leve, refere.

Apesar do cancelamento dos eventos, a organização promete que não vai deixar de envidar todos os esforços para que todos os que necessitam tenham direito a comida nesta quadra festiva e emitiu um apelo urgente para a recolha de donativos.


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