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Ana Bailão recandidata-se à vereação de Toronto

A vice-presidente da Câmara, que concorre agora pelo novo distrito 16, alerta para as recentes alterações nos círculos eleitorais e apela à participação nas eleições provinciais e autárquicas

Por João Vicente
Sol Português

A vereadora Ana Bailão confirmou a sua intenção de continuar a representar o distrito de Davenport na Câmara Municipal de Toronto ao apresentar terça-feira (1) a sua candidatura às autoridades responsáveis pelas eleições autárquicas.

Esta será, porém, uma eleição marcada pelas alterações que foram feitas nos círculos eleitorais e que afectaram também as fronteiras do seu distrito, que passa agora a designar-se oficialmente por Ward 16.

Com o acto eleitoral marcado para 22 de Outubro e face a estas mudanças, Sol Português conversou dias antes com a vereadora e vice-presidente da Câmara, aproveitando ainda para indagar sobre a situação da autarquia e a visão da edil luso-canadia-na para o futuro da cidade.

Como nos explica, este ano – e ao contrário de eleições anteriores, em que a campanha tinha início no primeiro dia útil de Janeiro – os candidatos só podem registar a sua candidatura bastante mais tarde, no período de 1 de Maio a 27 de Julho.

Devido o aumento da população na baixa da cidade, alguns distritos foram alvo de alterações nas suas áreas de delimitação por forma a acomodar três novos círculos eleitorais, passando de 44 para 47.

As alterações, só recentemente implementadas, afectaram o distrito de Davenport onde Ana Bailão representava a circunscrição 18, que passa agora a designar-se por Ward 16 e que será delimitada a Norte pela Eglinton e a Sul pela Bloor, com um traçado bastante acidentado tanto a Leste como a Oeste.

Assim, a Oeste está delimitada pela linha do caminho de ferro desde a Bloor até à Rogers, onde segue esta artéria para Leste até à linha de caminhos de ferro adjacente à Caledonia, e prossegue então no sentido Norte até à Eglinton.

A Leste, fica delimitada pela rua Dovercourt desde a Bloor até à linha do comboio a Norte da Dupont, prossegue para Oeste até à Dufferin, continua no sentido Norte até à Rogers, vira de novo para Leste até à Oakwood e dai para Norte até à Eglinton.

As fronteiras deste novo distrito englobam um pouco dos actuais bairros 12, 15, 17 e 18, o que poderá causar confusão aos eleitores, especialmente nas áreas limítrofes onde os locais de voto antigos poderão agora pertencer a outro distrito.

Dadas estas circunstâncias e o período relativamente curto da campanha eleitoral deste ano, Ana Bailão alerta para a importância dos eleitores terem tudo isto em consideração e prestarem atenção, especialmente aqueles que moram na baixa da cidade, que foi a área que sofreu alterações mais radicais – dos 47 círculos eleitorais que irão constar das eleições em Outubro, apenas sete não sofreram alterações.

Segundo Ana Bailão, o novo mapa eleitoral reflecte a necessidade de ajustar os distritos para que não haja uma grande disparidade entre o número de eleitores que são representados por cada vereador.

Ao candidatar-se pelo novo distrito 16, que engloba parte da circunscrição que actualmente representa, explica que "é o bairro onde moro, é o bairro em que sei que posso ter uma maior contribuição devido à maneira como trabalho, à maneira como sou, devido ao potencial que vejo que há na área e o trabalho que ainda está por fazer, e é a área onde os meus vizinhos estão, onde a minha comunidade está, portanto é a área onde vou concorrer".

Aproveitámos para pedir à vice-presidente da Câmara que comentasse a fase que Toronto atravessa actualmente e o que antevê para o futuro da cidade, face ao rápido crescimento que se tem vindo a registar – uma situação que considera uma fonte de "oportunidades e desafios".

"O desafio [principal] é acompanhar este crescimento e fazer com que ele seja benéfico para todas as pessoas de Toronto, e nós cada vez mais estamos a ter dificuldade em fazer com que isso aconteça", admitiu a edil, dando como exemplo a disparidade entre pobres e ricos que se tem vindo a acentuar.

"São desafios que é preciso ultrapassar rapidamente, se queremos que a cidade continue a crescer duma maneira saudável e a ser a cidade que levou mais de 50% da população a vir para aqui – uma cidade calma, de oportunidades, igualdade e sem conflitos sociais", afirmou, acentuando a necessidade de gerir muito bem esta mudança para acompanhar o crescimento e dele tirar partido.

Ana Bailão aponta também para a importância de se agir de forma eficiente, tendo como objectivo uma maior coordenação de esforços entre todas as partes envolvidas.

Dá como exemplo a habitação, sector pelo qual os três níveis de governo têm alguma responsabilidade pois é influenciado por medidas que são decididas e impostas a nível municipal, provincial e federal.

"Nós sabemos que com qualquer investimento que seja feito em habitação [...] os custos da saúde para o governo são menores, os custos de segurança são menores e o desenvolvimento é maior [...] portanto nós, como governos, temos de ser cada vez mais inteligentes", refere Ana Bailão, citando estudos que demonstram que é preferível investir na habitação para melhorar a saúde da população do que em hospitais, que ficam muito mais caros.

A edil menciona ainda o exemplo das novas linhas de transportes públicos que estão projectadas.

"Temos que ser estratégicos", refere, lembrando que é preciso cuidado para não afastar a classe média dessas áreas, o que a seu ver implica a implementação de políticas de planeamento urbano e de financiamento que contribuam para que tudo se processe com o mínimo de impacto para a população existente.

Na sua opinião, "Toronto ainda está a aprender a ser uma grande cidade", tendo por isso sofrido algumas "dores" inerentes a este processo de crescimento.

Mas aponta também para a falta de investimento em infra-estrutura, dando como exemplo o metropolitano da Eglinton, que foi travado durante o governo do então primeiro-ministro do Ontário, Mike Harris, seguindo-se praticamente uma década antes que se voltasse a investir em projectos de grande porte.

Um dos problemas principais mantém-se, que é como pagar por todos os serviços que são necessários, algo para o qual Ana Bailão considera necessário encontrar outras formas de financiamento.

"Não podemos estar a pôr cada vez mais serviços às costas de quem é dono de uma casa [...] eu acho que isso não é justo e impede a cidade de crescer como deveria".

Por isso mesmo, apela aos eleitores para que prestem atenção às eleições provinciais e votem no dia 7 de Junho, pois o governo do Ontário tem muita influência sobre as autarquias – de tal forma que lembra que é costume dizer-se que "as cidades são criaturas das províncias".

"Para nós que estamos [na Assembleia] e queremos sempre puxar pelas nossas áreas de representação e pelas nossas comunidades, é importante que as pessoas sintam que nós somos uma comunidade participativa", defende, lembrando também a importância das eleições municipais.

Quanto a isso é peremptória: "Eu acho que as pessoas vão ver o que tenho oferecido e o que posso continuar a oferecer", salientando a sua determinação e capacidade de concreti-zação que lhe permitem obter bons resultados para os residentes do seu distrito.

O respeito e a confiança que conquistou, tanto da parte de colegas como do público dos vários quadrantes políticos, levou a que lhe fosse atribuída a posição de vice-presidente da Câmara e uma das pastas mais difíceis, que é a da habitação.

É essa capacidade de angariar apoios junto de pessoas de todas as estirpes por forma a concretizar a sua visão e dar resposta às necessidades da área que representa que considera um dos seus pontos fortes – a par da sua disponibilidade para ajudar quem recorre ao seu escritório.


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