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Primeiro-ministro português está hoje em Toronto

Uma comitiva liderada pelo Primeiro-ministro português, António Costa, está desde quarta-feira (2) no Canadá, numa viagem oficial de quatro dias que além de Otava, Kingston e Montreal inclui Toronto no itinerário.

Naquele que se assume como o primeiro encontro formal entre os Primeiros-Ministros Justin Trudeau e António Costa, a passagem por Toronto tem também marcada para a manhã de hoje, sexta-feira (4) um encontro com a Primeira-ministra do Ontário, Kathleen Wynne, no decurso de uma visita ao Parlamento provincial.

Ainda esta manhã, António Costa deverá estar no hotel Marriot, onde se realiza um Encontro Empresarial organizado pela AICEP e pelo Economic Club of Canada e onde Justin Trudeau deverá também marcar presença.

Durante a tarde os Primeiros-ministros têm um almoço marcado, além de encontros com empresas ligadas ao sector mineiro, e, pelas 17h30, António Costa inicia uma visita à sindical LIUNA Local 183, o maior sindicato do ramo da construção civil na América do Norte e onde, além de um encontro com empresários e representantes da comunidade, procederá com o seu homólogo canadiano ao descerramento de uma placa comemorativa desta visita.

O serão inclui um concerto com o fadista Camané, que será seguido de um convívio com elementos da comunidade portuguesa antes de António Costa e a sua comitiva partirem para Montreal, onde no sábado darão por terminada esta visita oficial ao Canadá.

Em antecipação da chegada ao país do seu homólogo português, Justin Trudeau destacou que a visita pretende explorar formas de cooperação mútua em diversas áreas, incluindo na luta pela igualdade dos géneros, na protecção dos oceanos e alterações climáticas, segurança e paz, bem como formas de incentivar o crescimento económico de forma sustentável.

"O Canadá e Portugal desfrutam de uma ligação forte e histórica, com quase meio milhão de pessoas de origem portuguesa que fazem do Canadá o seu país de residência", declarou Justin Trudeau, salientando a sua expectativa de que o encontro com António Costa resulte num "aprofundamento do relacionamento entre os dois países e crie oportunidades económicas que beneficiem" ambos os povos, concluiu.

Visita de António Costa visa potenciar exportações portuguesas no mercado canadiano e atrair mais turistas

O Governo português considera que o acordo de livre comércio entre União Europeia e Canadá (CETA) vai desbloquear constrangimentos nas exportações portuguesas de máquinas ou vinho, e que há margem para captar ainda mais turistas canadianos.

Estes são alguns dos objectivos económicos que o executivo português tenciona alcançar na sequência desta visita oficial do Primeiro-ministro António Costa ao Canadá que termina amanhã, sábado (5), em Montreal.

Fonte do executivo português disse à agência Lusa que é expectável que o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Canadá, o CETA, "possibilite o desbloqueamento dos principais constrangimentos com que as empresas nacionais exportadoras se têm debatido, sobretudo em matéria de conservas de peixe, queijo, vinhos, máquinas e aparelhos".

"Este ano poderá ser aproveitado para incrementar as exportações nacionais para o Canadá e identificar novas oportunidades a nível económico, de investimento e turismo", completou.

Tal como aconteceu em outras vistas do Primeiro-ministro a países fora do quadro europeu, também no caso do Canadá um dos objectivos passa por apresentar Portugal como uma alternativa de investimento após a saída do Reino Unido da União Europeia.

Além do objectivo inerente à captação de investimentos canadianos em Portugal – país que tem presença no sector mineiro – o executivo de António Costa acredita que há "ampla margem" para a captação de mais turistas provenientes do Canadá.

De acordo com indicadores do Banco de Portugal, as receitas do turismo canadiano estão em acelerado crescimento, tendo subido dos 140,8 milhões de euros em 2013 para os 274,4 milhões de euros no ano passado.

Segundo dados fornecidos pelo AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), no caso do Canadá, a balança comercial de bens é tradicionalmente favorável a Portugal, tendo as exportações atingido os 295,7 milhões de euros em 2017, enquanto as importações se ficaram pelos 203,7 milhões de euros.

Portugal tem o Canadá como 22.º maior cliente, sendo o seu 35.º fornecedor, enquanto o Canadá tem Portugal como o seu 56.º cliente e 54.º fornecedor.

Em relação às principais exportações nacionais para o mercado canadiano, destacam-se os sectores alimentar, os metais comuns, os têxteis e o calçado – grupos de produtos que representavam mais de 50% do total.

Em 2016, as maiores empresas exportadoras portuguesas para o Canadá foram a Continental Mabor, a Cordex - Companhia Industrial Têxtil, J. Pereira Fernandes, Cotesi - Companhia de Têxteis Sintéticos, Quinta and Vineyard Bottlers - Vinhos, a Frulact (indústria agro-alimentar da Maia com uma fábrica em Kingston e que na quinta-feira foi visitada pelo Primeiro-ministro), a Siderurgia Nacional, a Hovione (farma-ciência) e a Sogrape Vinhos.

Especificamente, em termos de produtos, o vinho lidera as exportações portuguesas para o mercado canadiano com uma quota na ordem dos 44% do total, seguindo-se o calçado e as cordas e cabos.

Já no que respeita às importações nacionais do Canadá, segundo os dados da AICEP, estavam em franco crescimento nos dois primeiros meses deste ano as aquisições de combustíveis minerais.

No ano passado, Portugal importou sobretudo do Canadá produtos agrícolas, veículos e material de transporte, máquinas, produtos químicos, plásticos e borracha.

Tal como a balança de bens, também a de serviços é tradicionalmente favorável a Portugal, com o saldo positivo entre exportações e importações a atingir os 348 milhões de euros no ano passado.


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