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Síntese | Brasil/eleições:

Lula reencontra-se com a história

Lula da Silva reencontra-se com a História ao regressar à Presidência do Brasil, após vencer domingo a segunda volta das presidenciais brasileiras, derrotando Jair Bolsonaro pela mais curta margem de sempre das eleições no país sul-americano.

A vitória de Lula, que obteve 60.329.149 votos (50,90%) enquanto Jair Bolsonaro se ficou pelos 58.197.923 votos (49,10%), numa altura em que se encontravam apuradas 99,97% das secções de voto, começou a desenhar-se quando o Tribunal Superior Eleitoral do Brasil tinha concluído o escrutínio em 67,76% das secções.

Com este resultado, Jair Bolsonaro não conseguiu evitar a derrota nas eleições presidenciais de domingo, perdendo na segunda volta contra o ex-chefe de Estado Lula da Silva, tornando-se no primeiro Presidente brasileiro a não ganhar uma reeleição.

Lula da Silva, que já cumpriu dois mandatos entre 2003 e 2011, terá como vice-presidente Geraldo Alckmin, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que já havia sido seu opositor nas eleições presidenciais de 2006, então pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

O chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, foi o primeiro a felicitar o Presidente eleito do Brasil, Lula da Silva, e manifestou-se certo de que o seu mandato corresponderá a um período promissor nas relações com Portugal.

"O Presidente da República felicita o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela eleição como Presidente da República Federativa do Brasil, com a certeza de que o mandato, que vai iniciar em Janeiro próximo, corresponderá a um período promissor nas relações fraternais entre os povos brasileiro e português e por isso também entre os dois Estados", lê-se numa mensagem publicada no portal oficial da Presidência da República Portuguesa na Internet.

Marcelo Rebelo de Sousa já anunciou a intenção de estar presente na posse de Lula da Silva, em 1 de Janeiro de 2023, em Brasília.

Sucederam-se muitas mensagens de felicitações, designadamente do primeiro-ministro de Portugal, António Costa, que enquanto secretário-geral do PS, tinha manifestado dias antes do escrutínio apoio a Lula da Silva.

Na sua mensagem, António Costa afirmou que já teve a oportunidade de "felicitar calorosamente" Lula da Silva pela sua eleição como Presidente do Brasil e manifestou "grande entusiasmo" com a perspectiva de trabalho conjunto nos próximos anos.

"Já tive a oportunidade de felicitar calorosamente Lula da Silva pela sua eleição como Presidente da República do Brasil. Encaro com grande entusiasmo o nosso trabalho conjunto nos próximos anos, em prol de Portugal e do Brasil, mas também em torno das grandes causas globais", escreveu António Costa na sua conta na rede social Twitter.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, saudou o povo brasileiro pela eleição de Lula da Silva, e pelo "exemplo democrático", afirmando Portugal como "um parceiro e aliado" do Brasil.

Outras mensagens de felicitações pela eleição vieram dos mandatários dos países do continente americano, como Argentina, Cuba, Bolívia, Chile, México e também da Europa, como do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e do Presidente francês, Emmanuel Macron.

O Presidente norte-americano, Joe Biden, também se associou às felicitações a Lula da Silva, manifestando empenho em "continuar a cooperação" entre os dois países.

"Envio as minhas felicitações a Luiz Inácio Lula da Silva pela sua eleição para ser o próximo Presidente do Brasil, após eleições livres, justas e credíveis", afirma o chefe de Estado norte-americano, na declaração, acrescentando: "Estou ansioso por trabalhamos juntos para continuar a cooperação entre os nossos dois países nos próximos meses e anos".

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, felicitou igualmente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, com quem está "ansioso por trabalhar", nomeadamente em temas que ambos consideram prioritários como "a protecção do ambiente".

O primeiro-ministro canadiano utilizou a rede social Twitter para demonstrar o seu apoio a Lula da Silva, Presidente eleito no Brasil. "O povo do Brasil falou. Estou ansioso por trabalhar com @LulaOficial", afirmou.

Na sua primeira declaração após ser anunciada a vitória, Lula da Silva disse que o povo brasileiro é "o grande vencedor" das eleições e declarou-se pronto para governar o país "numa situação muito difícil", após terem tentado enterrá-lo "vivo".

"Hoje chegamos ao final de uma das eleições mais importantes. Hoje tem um único e grande vencedor, o povo brasileiro", declarou Luiz Inácio Lula da Silva, na sua sede de candidatura, em São Paulo.

Nas suas primeiras palavras após a confirmação da sua eleição como Presidente da República do Brasil, Lula da Silva afirmou-se como "um cidadão que teve um processo de ressurreição na política brasileira".

"Tentaram enterrar-me vivo e eu estou aqui", disse, perante apoiantes.

O processo judicial que marcou Lula da Silva foi referido pelo Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, que na sua mensagem de felicitações considera que a vitória de Lula da Silva significa ter sido "feita justiça ao restaurar-se a vibrante democracia brasileira".

"Parabéns Amigo Lula! Parabéns Povo Brasileiro! Justiça foi feita ao restaurar-se a vibrante democracia brasileira e assim corrigirem-se os graves atropelos ao Estado de Direito, as graves injustiças na perseguição e manipulação do poder judicial contra Lula", escreve Ramos-Horta na sua mensagem de felicitações.

Também o Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, felicitou Lula da Silva pela sua vitória e desejou o reforço das relações bilaterais.

"Umaro Sissoco Embaló deseja que o Brasil e a Guiné-Bissau trabalhem juntos e fortaleçam as excelentes relações bilaterais existentes entre os dois países", refere uma mensagem na página oficial da Presidência guineense na rede social Facebook.

O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, deu os parabéns a Lula da Silva, e considerou que as eleições deste domingo, "pacíficas e bem organizadas", demonstraram "a solidez das instituições brasileiras e da sua democracia".

"A União Europeia elogia em particular o Tribunal Eleitoral pela forma eficaz e transparente como conduziu o seu mandato constitucional ao longo de todas as fases do processo eleitoral, demonstrando mais uma vez a solidez das instituições brasileiras e da sua democracia", lê-se na declaração de Borrell.


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