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Amigos e apoiantes de Ana Bailão garantem que política luso-canadiana deixará "saudades"

Após 12 anos dedicados à causa pública em Davenport e Toronto, vereadora e vice-presidente da autarquia decidiu não se recandidatar

Por Rómulo Ávila

Sol Português

Num evento organizado por um grupo de amigos de Ana Bailão, a noite de quinta-feira, dia 27 de Outubro, ficou marcada por palavras de gratidão, de celebração e de homenagem à política luso-canadiana que durante mais de uma década deu o melhor de si à causa pública, dedicando-se à comunidade de Davenport e de Toronto.

Em declarações ao jornal Sol Português, Ana Bailão afirmou ser "uma grande honra e uma grande alegria servir a comunidade durante 12 anos na qualidade de vereadora e de vice-presidente".

Relembra que quando emigrou para este país de acolhimento nunca pensou que o seu futuro pudesse vir a envolver este tipo de actividade e garante que, apesar de se afastar da política municipal, não vai parar e que o seu futuro passa pelo trabalho na área da habitação e de planeamento, que caracterizou muita da sua actividade na Câmara Municipal de Toronto.

"Vou defender sempre as pessoas e a comunidade pode sempre contar comigo", frisou.

"Agora vou fazer uma pequena pausa, dar atenção à minha família e depois, a seu tempo, darei outros passos. Hoje, quero agradecer a todos os amigos e a todos os colaboradores, pois na política vivem-se tempos complicados, mas sabemos quem está ao nosso lado", vincou a luso-canadiana que se formou na Universidade de Toronto em Sociologia e Estudos Europeus.

"Foi na comunidade portuguesa que nasci, que cresci e que aprendi vários valores que trago sempre comigo", diz ainda com emoção ao nosso jornal.

Marlene Araújo, assessora do Gabinete de Ana Bailão e uma das organizadoras do evento, disse à nossa reportagem que "trabalhar com ela é gratificante", considerando-a "muito competente, muito persistente e lutadora".

Afirmou que foi ela que a levou a "acreditar nos políticos e na política" e mostrou-se convicta de que a luso-canadiana "não ficará por aqui e vai ainda muito longe".

Por seu turno, o empresário e produtor musical João Santos refere que com o abandono da política pela luso-canadiana "se perdeu um importante elo de ligação entre o poder e a comunidade portuguesa".

"Deixa-me saudades", afirmou o músico, referindo que "Ana Bailão nunca diz que não, ajuda-nos sempre, abre sempre uma porta, apresenta sempre uma solução e hoje vim aqui dizer obrigado
pelo trabalho e pela dedi-cação que teve durante estes anos".

Jack Prazeres, presidente da Luso Canadian Charitable Society, também ouvido pelo nosso semanário, espera que Ana Bailão não termine já a sua carreira política, "pois é uma mulher de causas, uma mulher de trabalho e ainda tem muito para dar".

No evento marcou também presença Charles de Sousa, ex-ministro das Finanças do Ontário, que evidenciou o percurso brilhante da homenageada.

"Hoje temos de agradecer pelo passado de trabalho, mas também dedicar-lhe já palavras de sucesso no futuro, pois sei que não vai ficar por aqui", asseverou.

O também director da Instituição Magalhães indicou ainda que já na universidade se via que "tinha ali poder, tinha ali competência para desenvolver um trabalho dedicado à política e às causas das pessoas", e concluiu que "ela vai fazer muita falta".

Numa celebração onde não faltou música e algumas homenagens por parte dos amigos, de sindicatos e de organizações que trabalharam directamente com Ana Bailão, o discurso do presidente da Câmara Municipal de Toronto, John Tory, foi dos mais aplaudidos da noite.

O autarca afirmou estar absolutamente convicto que a luso-canadiana "tem pela frente um excelente futuro e as próximas etapas serão recheadas de muito sucesso".

Eleito para mais um mandato na gestão da autarquia Torontina, John Tory confessa que terá "saudades" da luso-canadiana e espera que "Ana Bailão não saia da cena política, pois a sua força e a sua competência são necessárias na vida pública" insistindo que "a sua luta na habitação não vai ficar por aqui".

A ainda vice-presidente da Câmara Municipal de Toronto nasceu na região de Lisboa (Vila Franca de Xira), veio para o Canadá com 15 anos e nas últimas autárquicas decidiu não voltar a candidatar-se depois de três mandatos em representação do distrito de Davenport.


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