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Regresso às aulas conturbado devido à pandemia e conflitos laborais

Com os governos provinciais e os professores entre a espada e a parede para tentarem conciliar as expectativas contraditórias de pais que querem ensino presencial para os filhos e de outros que não, e face às autoridades médicas que impõem condicionantes, este ano o regresso às aulas está mais complicado do que nunca.

Da parte dos professores e dos sindicatos seus representantes existem muitas reservas quanto à forma como irão funcionar as aulas, e até a data em que irão começar, mas além destas incertezas há também o receio de que muitas salas não tenham espaço suficiente para que se possa manter a necessária distância entre os alunos e docentes.

O primeiro-ministro do Ontário, Doug Ford, diz não compreender a atitude dos sindicatos de professores que se opõem à forma como o governo provincial está a gerir este regresso às aulas.

"Fizemos absolutamente tudo, todas as ideias possíveis estão a ser imple-men-ta-das nas salas de aula", afirmou Doug Ford, adiantando que "se se comparar o boletim escolar [do Ontário] com as outras províncias, é noite e dia; os sindicatos dos professores só querem brigar com toda a gente".

A uma semana da reabertura das escolas, há professores que se queixam de que não sabem ainda quando começam as aulas, que turmas vão ensinar nem como vão ensinar pois dizem desconhecer a plataforma que vai ser usada para o ensino à distância.

Além dos professores que, por motivos de saúde, não podem ou não querem ensinar presencialmente, há também os que se mostram preocupados que o contacto com turmas grandes os venha a colocar em risco, daí que a disputa vá agora ser apresentada ao Tribunal Laboral, com os sindicatos de professores a alegarem que a reabertura escolar viola as próprias leis provinciais de segurança no local de trabalho.

A situação é complicada a vários níveis já que esta é uma situação inédita e quaisquer que sejam as medidas tomadas terão consequências.

Assim, os professores de línguas realçam que não sabem como irão ensinar os alunos se não lhes conseguem ler os lábios devido ao uso obrigatório das máscaras, enquanto que os professores do ensino primário não sabem como é que vão ensinar as crianças a ler através do computador.

Há depois toda uma série de preocupações tão ou mais pragmáticas, como, por exemplo, o que fazer se uma criança começar a apresentar sintomas de estar doente, ou vomitar até, pois a reacção normal e humana é tentar ajudar mas, dadas as circunstâncias, isso acarreta riscos.

"Eu sei que muitos pais acham que o regresso à escola vai trazer uma sensação de normalidade às crianças, mas não sei como é que isto vai ser normal", salienta a professora de imersão francesa da Direcção Escolar de Toronto, Farzana Karmali.

Entretanto o regresso às aulas no Quebeque, que começou esta semana, já permite antever o quanto este vai ser um ano escolar diferente e imprevisível.

Tal como no Ontário, também na província francó-fona houve bastantes pais e professores a declararem as suas preocupações a respeito da reabertura das escolas

Medição da temperatura à entrada, garrafas de desinfectante espalhadas pelos corredores e secretárias, assim como marcações e sinalização nas paredes e no chão para ajudar a manter o distanciamento, a par do uso obrigatório de máscaras não impediu que uma turma do Collége Français tivesse sido mandada para casa ao descobrir-se que o pai de um dos alunos tinha tido resultado positivo num teste de Covid-19.

A directora da escola, Chantal Dubé, exprimiu a sua frustração não só por ter tido dificuldade em obter uma resposta das autoridades de saúde sobre como deveria agir, como por lhe ter sido dito várias horas depois que apenas o aluno cujo pai estava doente precisava de ir para casa.

Entretanto três funcionários em três escolas diferentes tiveram testes positivos de Covid-19, mas por não terem tido contacto com alunos apenas foram tomadas medidas para evitar o contacto com outros funcionários.

O risco em torno da reabertura das escolas é ainda desconhecido e no Quebeque, tal como no Ontário, a situação mostra-se difícil de gerir, seja qual for a perspectiva política ou o papel que cada um tem a desempenhar.


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