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Irmandade D.E.S. de Scarborough:

Grande noite de fados abrilhantada por fadista terceirense e artistas locais

Por Noémia Gomes
Sol Português

Desde a decoração da sala e do palco ao elenco de fadistas escolhido para actuar, tudo na grande noite de fados que sábado (30) foi apresentada pela Irmandade do Divino Espírito Santo da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Scarborough apontava para uma realização de luxo e os resultados comprovaram-no, com sucesso a todos os níveis.

A iniciativa, que teve o cunho dos mordomos deste ano, Carlos e Connie Carvalho, incluiu um jantar convívio e a actuação dos fadistas Clara Santos, Tony Gouveia, Elisabete Gouveia e Vera Brasil, esta última vinda da ilha Terceira-Açores.

O evento teve apresentação de Carlos Rocha, que desempenhou o papel de mestre-de-cerimónias e que antes de ser servida refeição convocou Fátima Correia a proferir a oração de graças.

No final do jantar, os mordomos da Irmandade subiram ao palco para agradecer a presença das mais de três centenas de pessoas que enchiam por completo o salão da igreja.

"A sala é grande, mas às vezes torna-se pequena", disse Carlos Carvalho, indicando ser "graças ao João e Lorena Martins, que têm tantos amigos" e que por não conse-guirem "dizer não a ninguém, esgotam a lotação em qualquer festa".

João Martins não conseguiu resistir ao "chamado do microfone" e apoderou-se dele para agradecer profusamente a todos, incluindo a presença do jornal Sol Português que considerou muito importante para divulgar estes eventos.

Anunciou então com orgulho que sabia exactamente quantas pessoas estavam na sala e donde são, e a comprová-lo afirmou: "temos quatro da Madeira, cinco de S. Jorge, seis de Santa Maria, 28 do Continente, 114 de S. Miguel e 182 da Terceira", o que provocou o riso de todos pela especificidade.

Aproveitando a oportunidade, João Martins fez ainda questão de deixar um convite para a Cantoria dos Amigos, evento anual que este ano se irá realizar a 9 e 10 de Novembro.

Momentos depois, o mestre-de-cerimónias dava início à sessão de fados começando por apresentar os responsáveis pelo som, Lúcio e Brando Borges, bem como os músicos que iriam acompanhar os fadistas nessa noite, designadamente, Hernâni Raposo (guitarra), Pedro Joel (viola) e Sérgio Santos (viola-baixo).

A primeira a actuar foi a fadista Clara Santos, que interpretou uma série de clássicos, incluindo "Gaivota", "A casa da Mariquinhas", "Aí aí, fado" e o seu grande sucesso, "Condenada a viver-te", com letra de José Mário Coelho e música de Hernâni Raposo.

Residente em Hamilton, a artista luso-canadiana já canta fado há mais de cinco anos, vai lançar este fim-de-semana o seu segundo álbum, "Alma Nua", e está nomeada para os prémios International Portuguese Music Awards - IPMA 2019, na categoria de fado.

A voz seguinte pertenceu a Tony Gouveia, o conhecido vocalista da banda Tabu que há vários anos despontou também para o fado e que mais uma vez encantou os espectadores com o seu estilo e talento.

A sua actuação incluiu temas como "Lenda da fonte" e "Fado Nossa Senhora", cuja interpretação há muito lhe conquistou o carinho do público, mas também e pela primeira vez "Canção do mar" e ainda um fado de Amália, "São caracóis", com nova roupagem e num bonito estilo misto de fado e flamengo.

Elisabete Gouveia deu continuidade aos fados, ela que canta há sete anos influenciada pelo marido, Tony Gouveia, arrebatando aplausos com temas como "Ai Maria", de Amália Rodrigues, "Cidade Sol" e um favorito em fado menor, "Lençóis de palha".

Com a sua simpatia, linda voz e o talento de contar histórias e anedotas engraçadas, a artista arrebatou imensos aplausos, incluindo na sua interpretação "Povo, Raça, Raiz", tema gravado pelo saudoso Armando (Rilhas) Costa com letra de José Mário Coelho e música de Hernâni Raposo, antes de terminar com o clássico "Rapsódia açoriana".

Por último, e a encerrar a primeira parte do espectáculo, subiu ao palco a convidada especial vinda da ilha Terceira,Vera Brasil, que para além dos Açores tem já no seu longo palmarés espectáculos no continente, Estados Unidos e Canadá.

A veterana artista, que canta desde os cinco anos movida pela influência do pai, Jorge Brasil, nasceu em Santa Luzia, Praia da Vitória, e como ela própria confessa, sempre sentiu uma grande paixão pelo fado.

Pela segunda vez a actuar nesta Noite de Fados anual em Scarborough, Vera Brasil subiu ao palco com elegância e à vontade, e desde o primeiro momento encantou o público que ficou cativo das suas interpretações de "Sou do fado" e "Pode ser saudade" – com música de Jorge Fernando – relembrou Frei Hermano da Câmara com "Ave Maria", interpretou o fado "Emigrante", extraído do seu primeiro álbum, com composição de Adelino Toledo, e ainda, do seu segundo trabalho discográfico, "Praia dos meus encantos", numa homenagem à cidade natal.

A fadista viria a confessar sentir-se encantada pelos "grandes talentos" dos fadistas e músicos que partilharam o palco com ela nessa noite, afirmando: "levo-os na bagagem comigo e fico mais rica por estes conhecimentos".

Depois de um interregno, os músicos e fadistas voltaram para uma segunda actuação que abriu com uma guitarrada, continuando depois com os fadistas a intercalarem-se.

Por fim, os quatro encontraram-se em palco e terminaram em grande com uma interpretação conjunta do clássico "Fadinho Serrano".

Durante o serão, Elisabete Gouveia fez questão de chamar ao palco a chefe de cozinha Manuela Empena, que há 30 anos desempenha funções, bem como o chefe de sala Octávio Empena que, como destacou, juntos e com a ajuda de uma grande equipa fazem um excelente trabalho voluntário em prol da igreja e da Irmandade, convocando o público a dirigir-lhes uma calorosa salva de palmas.


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