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Entrevista ao deputado Paulo Pisco, eleito pelo Partido Socialista pelas Comunidades Portuguesas da Europa

Pergunta: O Deputado Paulo Pisco, apesar de ser eleito à Assembleia da República pelo Círculo eleitoral da Europa, fez uma deslocação a Toronto para contactar com as comunidades. Porque razão o fez e que balanço faz?

Paulo Pisco – Faço um balanço muito positivo. O programa de três dias foi muito denso com contactos a nível da comunidade, do ensino, encontros institucionais e políticos. E fiz esta deslocação a Toronto porque sendo também responsável no PS pelas secções do partido no estrangeiro fui dar o meu apoio a uma nova fase que a secção do PS em Toronto vive, mais dinâmica e empenhada em dar o seu melhor pela comunidade no Canadá.

Os partidos políticos são fundamentais para apoiar e dar força às nossas comunidades. E tenho de prestar o meu tributo ao coordenador do PS em Toronto, Carlos Miranda, bem como aos militantes que nunca desistiram de manter viva a chama do partido, como o Joel Filipe, o Mário Borges e o João Dias, entre outros.

Pergunta: Quais foram para si os encontros mais importantes?

Paulo Pisco – Os encontros institucionais que tive na Câmara de Toronto com a vice-presidente Ana Bailão e em Brampton, com os vereadores Martin Medeiros e Paul Vicente, foram muito importantes para mim. Em Bramptom estava também o mayor, Patrick Brown, que me disse ser um apaixonado por Portugal. Porque tanto numa câmara como noutra há uma comunidade portuguesa muito vasta e o facto de haver eleitos de origem portuguesa é um exemplo que deve ser seguido e deve ser apoiado. A comunidade deve ser mais forte e coesa a apoiar os portugueses. Quanto mais eleitos de origem portuguesa houver maior será o apoio que pode ser dado à comunidade e maior será também a consideração que os canadianos têm pelos portugueses.

O meu desejo é que haja cada vez mais cidadãos de origem portuguesa envolvidos em todos os domínios da política, seja a nível local, estadual ou federal. Isso tornará a comunidade mais forte e mais influente politicamente, além de ser um trunfo diplomático da maior relevância.

Pergunta: Mas teve também outro tipo de encontros…

Paulo Pisco – Sim, e gostaria de referir sobretudo a visita que fiz ao consulado para reunir com o Cônsul-Geral Rui Gomes e com o coordenador do ensino. Fiquei a saber que o Governo acaba de fazer um investimento considerável no posto em termos de modernização informática que é fundamental para o consulado ter melhor capacidade de resposta. Isto é muito importante porque o posto atende diariamente muitos cidadãos e, é claro, é fundamental que o atendimento seja tão rápido e eficaz quanto possível.

Mas no âmbito do ensino, queria também referir o encontro que tive com alunos de vários anos na Casa do Alentejo, onde são dadas as aulas da Escola Portuguesa Novos Horizontes. Pude ver o entusiasmo dos alunos a aprenderem português e como as professoras prezam o trabalho do Instituto Camões através do coordenador do ensino, que me acompanhou na visita. Foi comovente quando os alunos cantaram para mim o hino nacional. As professoras e professores estão a fazer um trabalho extraordinário na promoção da língua e da cultura portuguesa.

Quero também referir o importante encontro que tive no poderoso sindicato Local 183, que é presidido por Jack Oliveira, o que nos deve orgulhar a todos e todo o contacto que tive também com o presidente do sindicato Canadian Construction Workers Union, Joel Filipe.

Outra das visitas que me deixou bastante satisfeito foi a que fiz com o Carlos Miranda à Borges Food's, mais uma grande empresa de um português, o sr. Mário Borges, que é o único luso-canadiano que tem licença nacional para fazer o processamento de carne para a produção de charcutaria.

Pergunta: E que impressões tem da sua visita à Galeria dos Pioneiros?

Paulo Pisco - Gostei imenso do que vi na visita à Galeria dos Pioneiros, que é um pequeno museu mas significativo que nos dá uma ideia sobre a emigração portuguesa para o Canadá. Tenho de agradecer ao Comendador Manuel Costa pelo acolhimento fantástico e pela sua disponibilidade. Tivemos a oportunidade de trocar impressões sobre a importância de contar a história da emigração portuguesa. E eu falei-lhe também na proposta que eu apresentei na Assembleia da República para a criação de um Museu Nacional da Emigração que tem os mesmos objectivos de valorizar, reconhecer e dignificar a emigração portuguesa. O seu trabalho de recolha de objectos e documentos para contar um pouco da história da emigração portuguesa para o Canadá é da maior importância para todos nós. Isso é algo que deve ser valorizado porque toda a história da emigração portuguesa deve ser reconhecida e valorizada. Para mim os casos muito conhecidos do Portuguese Joe, que foi chefe índio na British Columbia, e de Pedro Silva, que foi o primeiro carteiro no Canadá, são exemplos inspiradores do melhor que nós somos como povo, da nossa capacidade de adaptação e da nossa perseverança. E o contributo da Galeria dos Pioneiros é muito importante neste sentido, ainda por cima tratando-se de um trabalho de natureza altruísta.

Pergunta: E como correu o encontro com militantes e simpatizantes?

Paulo Pisco - Correu muito bem. Houve uma extraordinária mobilização. A sala do New Casa Abril estava cheia. Foi uma oportunidade para comunicar directamente com a comunidade e passar algumas mensagens. Uma das mais importantes é a necessidade de as pessoas votarem já nestas eleições para o Parlamento Europeu, que se realizam em 26 de Maio.

É muito importante a participação de todos, porque Portugal deve muito à União Europeia. Muito do nosso desenvolvimento de hoje, que nos orgulha, tanto em termos de infra-estruturas e rede de auto-estradas, mas também por termos hoje mais de 40 por cento dos nossos jovens com 20 anos a frequentar o ensino superior, devemos-lo ao contributo da União Europeia. Mas também porque pela primeira vez vai estar já em vigor o recenseamento automático, o que faz com que haja mais um milhão de novos eleitores, naquilo que eu considero ser uma das medidas mais arrojadas e corajosas que algum governo alguma vez tomou para dar voz, poder e influencia às nossas comunidades. Por isso é da maior importância que todos os que vivem no estrangeiro percebam o que está em causa e vão votar. Para seu bem, para bem de Portugal e para bem da Europa.


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