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Casa das Beiras em festa21 anos de bons serviços... em 9 anos de actividadePassar o testemunho aos mais jovens apelo do Cônsul de Portugal
Fernando Cruz Gomes
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São nove anos de bons serviços. Nove anos que não se transformaram em 21... porque os dirigentes entendem que, a despeito da Casa das Beiras "sair" da existência do Académico de Viseu é, mesmo assim, uma outra associação. Talvez até porque há ainda o Rancho Folclórico do Académico de Viseu. A verdade, porém, é que serão mesmo os 21 anos em termos de entendimento da vivência da comunidade e de apoio a essa mesma comunidade. Ao todo... são 21 anos. Os registos são capazes de falar em 9 anos, mas tudo o resto, especialmente a vivência em prol da Cultura e da Tradição, falam em muitos mais anos. Como hão-de falar mais tarde, quando os meninos e meninas que hoje enxameiam os Ranchos Folclóricos e se sentam nos bancos da Escola de Português por enquanto só ao sábado souberem entender toda a plenitude das suas próprias raízes. As Beiras são, de facto, uma maravilha.
Um Porto de Honra com sabor a MortáguaNa sexta-feira, era o tradicional "Porto de Honra". Vindo de Portugal, com a saudação de lá, o eng. José Júlio Henriques Norte, que acompanhado de sua esposa, trouxe o abraço "do lado de lá" e "leva toda esta onda de carinho", como referiu. Para ele, habituado a visitar, noutros países, especialmente da Europa, organizações de Portugueses, acha que "tudo isto é uma maravilha". Que está provado o quase rifão que diz que "em cada cantinho temos um amigo..." No aeroporto como referiu encontrou logo um seu aluno, por acaso o actual presidente da direcção da Casa das Beiras. E que "nem era mau rapaz...", de tal maneira que a esposa pode estar tranquila, "que ele fez algumas patifarias... mas não foram demais". Isto tudo em ambiente de amizade... já que, depois de outros "encontros" de que deu conta, terminou dizendo que, por tudo isto... se sentia em casa. O que o fazia feliz... até por ouvir falar na nossa e vossa terra, com o carinho que todos falam... "eu acho que nós que estamos do outro lado disse temos de estar tranquilos, porque a nossa Cultura está muito bem entregue, porque vocês, se calhar, estão aqui a dar um exemplo que nós, lá, às vezes, não damos, fazendo orgulhosamente jus à nossa Cultura". Com ele, e para estar presente na festa "maior", a de domingo, o artista António Albernaz, também ele um apaixonado por estas andanças da emigração, que visita amiudadas vezes e que já enfileirou, também, no número dos "melhores portugueses" que são, para ele, "os que estão fora". | ||||||||||
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Abraços de outras colectividadesMensagens significativas foram aquelas que, logo na sexta-feira, vários clubes e associações da Comunidade foram levar à "casa-mãe" dos Beirões. Nas palavras de abertura, Tino Assunção, que serviu de mestre de cerimónias. O presidente da Assembleia-Geral, Alberto Costa, haveria de fazer como que um hino de louvor ao Voluntariado, "que põe estas casas a trabalhar". Henrique Conde, das Relações Públicas do Rancho da Nazaré, seguiu o fio de ideias do presidente da Assembleia-Geral da Casa das Beiras, acentuando que "às vezes o nosso esforço não é compreendido". João Freixo, do Peniche Community Clube, esteve também no palco a saudar o trabalho meritório de toda esta gente. O mesmo da parte de António Pedrosa, vice-presidente do Rancho Estrelas do Norte. Fernanda Nunes, do Sporting Clube Português de Toronto, levou, igualmente, a sua oferta. Como Mário José, do Arsenal do Minho, e Linda Correia, da Casa dos Poveiros. Pela Casa do Alentejo, Rosa de Sousa e Maria Fidalgo. Ilídio Pereira, saudou a associação aniversariante em nome das Tricanas. No final dos discursos, Laurentino Esteves, presidente do Conselho de Presidentes da ACAPO, teceu algumas considerações, falando, designadamente, no Ensino de Português no Estrangeiro que o Governo Português parece não estar disposto a apoiar. Um tema que serviria ao eng. Norte para, no seu discurso de sábado, anunciar o apoio que vai dar ao problema. | ||||||||||
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Apreço e entusiasmoNo sábado, a presença de várias entidades, designadamente, o deputado federal Mário Silva, o Vereador Cesar Palácio e o Cônsul-Geral de Portugal, dr. Júlio Vilela. José Eustáquio, presidente da Aliança dos Clubes também lá esteve e deixou mensagem muito significativa. Em nome da Aliança, agradeceu o convite para estar presente numa das mais activas associações que estão integradas na ACAPO. Como parte da LIUNA, e face ao pedido que foi feito pelo Presidente da Direcção, confirmou, "com muito gosto" termos participado, juntamente com a Local 506, no pagamento das despesas com o artista que veio de Portugal. Falou, ainda, desta participação cívica de que damos tantas provas ao longo dos anos, falou da necessidade de termos nas associações mais jovens, etc. Cesar Palácio haveria de deixar uma palavra de apreço por esta associação para mais na sua área de influência camarária pelo muito que está a fazer. De resto, sente-se honrado por ser uma membro honorário da Casa das Beiras. Para ele, "a gente da Casa das Beiras (e a comunidade portuguesa em geral) é conhecida pelo seu talento, voluntariado, dignidade, honestidade, capacidade, e pela contribuição sócio-cultural e económica para a nossa cidade". Lembrou que, ao longo destes nove anos, nesta sua sede, a Casa das Beiras tem desempenhado um papel muito importante para a divulgação da Cultura das Beiras, através das Semanas Culturais, do Ensino da Língua Portuguesa, grupos desportivos e de Folclore e vários programas educativos. Depois de elogiar a juventude "um ponto forte da nossa colectividade" deu os seus parabéns a todos os directores, voluntários, que têm servido no passado e presente em diferentes capacidades "nesta nobre causa". Acentuou a terminar: "A vossa visão e liderança tem tido um impacto muito positivo na nossa comunidade diversificada". De resto, sem abrir muito o jogo, como é natural, falou nos trabalhos que está a levar a cabo acerca do chamado "Market Value", com vantagens para a Casa das Beiras e "para esta grande comunidade", temas a que voltaremos ainda noutra ocasião.
Mário Silva presentePara Mário Silva, é uma visita de "solidariedade e de apoio". Visita que é feita sempre que possível. Para já, é também de parabéns pelo aniversário. Fala dos 9 anos... mas não esquece os tempos do Académico de Viseu. Mas a verdade é que a Casa das Beiras "tem tido sempre um grupo de pessoas que tem sempre trabalhado em prol da nossa comunidade, que tem sempre dedicado o seu tempo, o seu voluntarismo, para ajudar a comunidade em geral". Como deputado federal, entende que vale a pena a continuidade deste género de associações. "É evidente que sim, que vale a pena defendermos as nossas Culturas, as nossas tradições, e dar até um bom exemplo para o resto do País, marcando, com a nossa presença a ideia de que temos valores, temos Cultura, temos Folclore, várias actividades numa Comunidade que é dinâmica". Acabando por dizer, assim, que estamos bem implantados numa sociedade multicultural como é a nossa... "e sinto muito orgulho de ter sido vereador um pouco mais abaixo desta zona e ser agora deputado a representar esta zona onde temos muitos clubes e associações verdadeiramente activas". Para Mário Silva, "os membros é que têm de dizer como é que querem que esta ou aquela colectividade se integre no todo geral da comunidade maior, o que tem de ser respeitado, por ser, de facto, muito válido".
O "continuar de um sonho"António Santos, o presidente da Direcção da colectividade, recebeu as ofertas e saudou os presentes, com especial destaque para José Júlio Norte que soube-o logo à chegada ao aeroporto e disso já nem se lembrava ainda foi seu professor. Anteriormente, e a abrir toda a sessão, o grupo folclórico da Casa entoou, e bem, os Hinos nacionais do Canadá e de Portugal. Para António Santos, que, no sábado, falou à nossa reportagem, "tudo isto é o continuar de um sonho que um punhado de homens teve para que, em vez de nos dividirmos... nos deveríamos unir, até porque os dias das nossas colectividades estão cada vez mais difíceis e, às vezes, em vez de haver mais união... chegamos a sentir que há mais desunião". A ideia era a de juntar as três Beiras. E mesmo quando se vê uma casa cheia, António Santos insiste em que "gostávamos de ter ainda mais gente de outras Beiras". E refere que a Casa das Beiras vive em termos de 80 por cento da população da Beira Alta, que da Beira Litoral o resto da percentagem... e muito pouco da Beira Baixa. Diz não saber o porquê. "A princípio eu tinha a ideia de que seria a falta de confiança no sucesso da Casa, mas agora, ao fim de nove anos, já provámos que a Casa está bem, financeiramente também estamos bem... é agora esperar mais apoio especialmente da Beira Litoral e da Beira Baixa". Na mente de António Santos, agora a terminar o seu mandato e a não poder recandidatar-se, há ainda muito a fazer. Fala num Centro de Dia para Idosos, numa Escola de Futebol e de Desporto em geral, para que jovens pudessem aparecer também. | ||||||||||
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Um Hino aos Jovens por parte do Cônsul
No sábado, outras palavras, o mesmo sentimento. Para o Cônsul-Geral de Portugal, Júlio Vilela, o aplauso aos dirigentes actuais, sobretudo pelo apego que têm "em passar esse mesmo testemunho aos jovens". Sobretudo "para que eles se interessem, cada vez mais, em se afirmarem numa sociedade canadiana, onde a presença portuguesa é respeitada e aceite e aplaudida por todos, mas onde o conhecimento sob o ponto de vista político é ainda escasso, insuficiente e deficitário", cabendo por isso aos jovens luso-canadianos "serem participantes activos na sociedade canadiana, votando, sendo presentes politicamente e civicamente na sociedade e cobrando, quatro ou cinco anos depois, aos seus representantes eleitos, aquilo que foi o trabalho desenvolvido ao longo desse tempo". Para Júlio Vilela, respondendo, depois, a uma pergunta do "Sol Português", "faz sentido que continue a haver um projecto da comunidade na afirmação das suas raízes. Mas faz mais sentido, a meu ver, que a comunidade se reveja em projectos comuns, transversais à sociedade canadiana, onde todos se sintam Portugueses. E é por via dessa transversalidade de horizontes que se tem de afirmar o projecto português no Canadá. E isso tem de acontecer cada vez mais..." A terminar ainda nos foi dizendo que "a comunidade estará sempre no bom caminho, desde que saiba transmitir aos mais jovens aquilo que são os padrões do desenvolvimento de uma sociedade justa num País destes, com a defesa dos horizontes e das tradições portuguesas. Mas tem, sobretudo, de ter, além de Portugueses, bons e excelentes cidadãos Canadianos".
Um Artista de mão cheiaManuel Gonçalves foi o mestre de cerimónias, No seu estilo populista, fez muito do seu trabalho, fora do palco, por entre o público, onde, segundo diz, se sente bem. António Albernaz viria a seguir para preencher a parte final do espectáculo. Com um programa popular cheio de motivos... populares que agradam sempre. Antes, ainda tivemos oportunidade de o ouvir. Para ele, o "vir até cá... é a minha felicidade total. Não sei porquê talvez por obra do destino quando venho a esta Casa, que também é minha, encontro amigos que eu já não vejo há muitos anos". Conta o caso de um amigo, O Neiva, que andou com ele na Escola Industrial de Viseu, e que já não via há muitos anos. Falando no espectáculo, entende que ele é diferente... "e o António Albernaz é mesmo o António Albernaz". "Os emigrantes são de facto, muito importantes para nós", diz-nos o Artista. "Em Agosto, eu tenho muito gosto em dizer aos músicos que trabalham comigo quem são as pessoas que labutam fora de Portugal. E ter o máximo de respeito perante as pessoas que vivem fora de Portugal, porque essas, sim, sentem o que é ser Português fora de Portugal". E a finalizar: "Portugal... é mais Português quem está fora de Portugal". | ||||||||||
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