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Nova "Universidade do Ontário Francês" com dificuldade em atrair alunos

Após anos a pedir a sua criação, a nova "Universidade do Ontário Francês" está com dificuldades em preencher as 200 vagas determinadas para o arranque da instituição.

Face a críticas acerca da localização da "Université de L'Ontario français" (UOF), o reitor da instituição, André Roy, apresentou a sua demissão na semana passada.

A notícia foi dada na tarde de segunda-feira (1) pela presidente do Conselho de Governação da UOF, Dyane Adam, embora adiantasse que a demissão nada tem a ver com o número de candidaturas recebidas pela instituição.

Até ao final de Janeiro, a nova universidade de língua francesa do Ontário tinha recebido apenas 47 candidaturas às 200 vagas que idealizava preencher para o arranque das aulas em Setembro.

Dessas, apenas duas tinham optado pela instituição como primeira escolha e três como segunda escolha, e apenas 19 foram originárias de alunos do ensino secundário no Ontário já que todas as demais vieram de fora da província e até do estrangeiro.

O Centro de Candidaturas Universitárias do Ontário (OUAC, na sigla em inglês) recebeu este ano candidaturas de quase 90.000 alunos, muitos dos quais se inscreveram em múltiplas instituições, para um total de 472.238 candidaturas referentes ao ano lectivo de 2021-2022.

Apesar de tudo, o vice-reitor da UOF, Denis Berthiaume, destacou que a instituição tem mais flexibilidade e agilidade por se encontrar em modo de arranque, o que lhe permite aceitar alunos "até muito tarde no processo" de admissão.

Segundo refere, estão ainda para abrir as candidaturas a pessoas que estão fora do ensino secundário e a residentes francófonos do Ontário com menos de 25 anos, e entretanto estão a concentrar-se até meados de Fevereiro na criação de cursos para diplomas certificados nos programas de bacharelato da UOF.

O Ministro das Faculdades e Universidades do Ontário, Ross Romano, reconheceu sentir "um certo nível de preocupação" em relação à escassez de inscrições na nova universidade, mas acrescentou que a maior preocupação de momento "é a situação que enfrentamos com a Covid-19 e o impacto que tem em todas as nossas instituições, em toda a província".

A pandemia teve indiscutivelmente um papel preponderante na situação enfrentada pela UOF, mas desde o início do projecto houve quem criticasse a sua localização em Toronto em vez de Otava.

Contudo, a criação de uma universidade de língua francesa em Toronto é uma reivindicação antiga dos franco-ontarianos, projecto que só viria a ser aprovado pela primeira vez pelo governo Liberal de Kathleen Wynne em 2017.

Entretanto Doug Ford foi eleito primeiro-ministro da província e embora inicialmente tivesse tentado cancelar as verbas que lhe estavam destinadas para controlar a despesa pública, acabou por ceder à sua construção devido a uma grande mobilização popular, comprometendo-se a financiar o projecto em parceria com o governo federal.

O director executivo da Assembleia da Francofonia do Ontário (AFO, na sigla em francês), Paul Hominuk, acredita que a universidade ainda se venha a tornar num importante eixo para a comunidade francófona.

A Associação de Contribuintes Canadia-nos, porém, não partilha desse entusiasmo ao destacar num comunicado esta semana emitido que cada aluno da UOF vai custar este ano aos contribuintes 400.000 dólares.


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