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Cabo Verde está a fazer forte aposta na "agricultura inteligente". afirmou PM

O Primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, afirmou segunda-feira que o arquipélago está a apostar "na agricultura inteligente", adaptada às condições em Cabo Verde, nomeadamente as secas prolongadas.

"Estamos a fazer uma forte aposta na agricultura inteligente. É uma agricultura adaptada às condições de
Cabo Verde. É juntar vários factores, de uma forma inteligente para produzir
resultados", afirmou o Chefe do Governo, durante a inauguração do sistema de aproveitamento hidroagrícola da barragem de Figueira Gorda, no concelho de Santa Cruz, ilha de Santiago.

Com o país em clima de pré-campanha eleitoral para as legislativas de 18 de Abril, Ulisses Correia e Silva voltou às críticas à construção, pelo Governo anterior (até 2016) de várias barragens para armazenamento de água naquele arquipélago, algumas das quais sem funcionar correctamente.

"Este é um investimento que não fica pelo meio do caminho, como a construção das barragens. Porque além de reter água, era importante que esta água chegasse as parcelas agrícolas dos agricultores, com custo reduzido para aumentar a produção. Nós estamos a resolver isso. Mobilizar água de forma organizada para os agricultores", afirmou.

A Lusa noticiou anteriormente que uma Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Nacional de Cabo Verde vai tentar apurar responsabilidades e eventuais actos de gestão da nossa na construção das barragens da Furada (ilha de São Nicolau), Salineiro (ilha de Santiago) e Canto Cagarra (ilha Santo Antão), que "apresentam problemas técnicos".

As barragens plano nacional com um total de sete até 2015 - foram construídas por empresas portuguesas ao abrigo do programa governamental de Energias Renováveis, Ambiente e Mobilização de Água, financiado com 100 milhões de euros por uma linha de crédito de Portugal.

O programa do Governo do então Primeiro-ministro José Maria Neves (Partido Africano da Independência de Cabo Verde) tinha como objectivo a mobilização de água e a modernização da agricultura, prevendo a captação de 9.352.080 metros cúbicos por ano de águas de escoamentos superficiais, sub-superficiais e subterrâneas, que corresponderiam a uma disponibilização média de 31.174 metros cúbicos por dia para apoiar actividades agropecuárias no meio rural.

Contudo, algumas dessas barragens nunca chegaram a reter água.

Cabo Verde atravessa uma seca prolongada, com mais de três anos, com o Primeiro-ministro a destacar que a estratégia tem passado também por "massificar o uso da rega gota a gota", por permitir reduzir o custo de produção e aumentar a capacidade de água por parcela irrigada.

"Mais: o Governo está a apoiar no uso de energia solar, através de um projecto para comparticipar com o custo. Se o custo é de 100 escudos, por exemplo, comparticipamos com 50 escudos. Ou seja, são melhores condições para os que querem investir na agricultura o possam fazer com rendimento, capacidade de produzir e melhores resultados", destacou Ulisses Correia e Silva.

Ainda na ilha de Santiago, nos Picos, concelho de São Salvador do Mundo, foi inaugurado segunda-feira o sistema de aproveitamento hidroagrícola da barragem de Faveta.

"Esta é a via para conseguirmos dar resposta aquilo que são as necessidades de desenvolvimento, as necessidades concretas das pessoas que precisam de rendimento, do ganha pão e de cuidar das suas famílias", enfatizou o Chefe do Governo.


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