CANTINHO DA POESIA


Irmão rouxinol no meu quintal

Por José Ribeiro de Sousa

Porque não cantas como outrora?
Que sortilégio te fizeram em má hora
que perdeste o veludo ímpar da voz canora?

Mavio do teu cantar matinal
não tinha igual.

Mas se ora te oiço, já te não conheço.
Nem vejo as tuas moitas de codesso.
Foram as máquinas e os pardais
que invadiram as boiças e os silvais
e fizeram aleivosias tais
que tu nunca escutarás nem sabias...

Pilharam-te o ambiente e o meio.
Os estarolas calaram-te o gorgeio
e o seu gritar
te foram ensinar...

E ficaste diferente!

Agora tens o canto áspero desses arrivistas
que te cercam e afrontam quais pseudo-artistas.
E cantas duro e cavo como as máquinas
que te perseguem e expulsam dos silvais
onde não cantas mais.

Os crédulos e sãos como tu eras _
submergem no bulício destas feras
da sociedade aonde os "tais" imperam.
E só os oportunistas sobem e proliferam.

Meu pobre irmão que foste desterrado
dum mundo que era nosso e foi saqueado!

Agora nem teu nem meu...

É do passado Gândara 2000


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