PENA & LÁPIS


Correspondente de Portugal:

Está a nascer o neomacartismo

Por Hélio Bernardo Lopes

Sol Português

A próxima eleição presidencial nos Estados Unidos irá permitir perceber se a ditadura mundial que tenho referido irá ter condições para se implantar, ou não. Se Trump voltar a vencer, irromperá aí o neomacartismo que está neste momento a nascer. Em todo o caso, mesmo com Biden na presidência, esse neomacartismo continuará a ter condições para se manter latente, aguardando uma nova oportunidade.

Os Estados Unidos possuem uma constituição que permite o tal poder total nas mãos de uma só pessoa _, terá ficado claro que os Estados Unidos não são, objectivamente, um Estado de Direito, embora a escolha dos políticos que dirigem o país se faça por via de eleições. Simplesmente, essas eleições são complexas no que respeita ao modo como se preenchem os boletins de voto e são facilmente manipuláveis, como se pôde ver com as eleições que levaram Trump, ou George W. Bush, ao poder. Para já não referir a vitória de Kennedy sobre Nixon.

Acontece que Trump tem um objectivo: colocar os Estados Unidos como principal poder mundial, cerne da verdadeira ditadura mundial há muito anunciada, mormente por via da Literatura e do Cinema. E sabe também Trump que a democracia se tornou hoje em mera forma, destinada a criar uma aparência de legitimidade ao exercício do poder: o que se impõe é ganhar e chegar ao poder, porque aí, como se tem visto, o seu poder é total.

A eleição presidencial que se aproxima é, na perspectiva geopolítica de Trump e da gentalha que o acompanha, absolutamente essencial, porque se vier a ser Biden a vencer, lá ficará adiado o sonho da ditadura mundial, ideia que assenta em Trump como em poucos. Por tudo isto, Trump terá que ganhar a qualquer preço. É neste sentido que tem de interpretar-se o ridículo anúncio de que a ANTIFA é uma organização terrorista. E o mesmo se pode já perceber com o mecanismo censório criado por Trump contra o Twitter, sendo interessante constatar como o Facebook de pronto se demarcou de esclarecer os norte-americanos com a verdade ao redor das mais de 17 000 mentiras já expostas por Trump aos americanos e ao mundo.

No entretanto, têm vindo a desenvolver-se nos Estados Unidos grupos da Extrema-Direita, e que, ao que foi noticiado pelo The Guardian, pretendem usar a pandemia da Covid-19 para espalhar o caos, dar corpo a actos de violência, causando o colapso da estrutura política dos Estados Unidos, a fim de construir uma nova sociedade, mas baseada na supremacia branca. Um novo apartheid, a estender, por via da ditadura mundial, a todo o mundo. Uma realidade que começa a dar os seus primeiros passos no continente europeu.

Já sem margem para dúvidas, Trump pretende impor uma censura objectiva aos grandes meios de comunicação social. Com o Supremo Tribunal Federal sob seu controlo, dominando cabalmente o há muito mal visto Congresso, não lhe será difícil governar os Estados Unidos por meio de ordens executivas. E, se necessário for, com Vladimir Putin jogando consigo do modo que possa convir a ambos, Trump poderá bem criar as condições que conduzam a uma guerra a ser travada com a China, que foi quem levou os Estados Unidos de vencida no domínio da economia mundial. Qualquer que fosse o desfecho, a Rússia teria sempre vantagens.

No meio de tudo isto, a balbúrdia criada na sequência do homicídio de George Floyd às mãos da polícia. E foi com grande satisfação que escutei, em entrevista breve à SIC Notícias, Marcos Farias Ferreira salientar esta coisa simples de ver: Donald Trump não tem força moral para ser aceite como um factor de concórdia entre os norte-americanos. Simplesmente, embora isto seja uma realidade objectiva, a grande verdade é que a sociedade norte-americana não possui uma referência moral suprema e forte. Invariavelmente, essa referência moral forte tem de provir de valores religiosos, o problema é que estes, nos Estados Unidos, para lá de serem em grande número, estão a anos-luz de se imporem como uma entidade dimanadora de uma força moralizadora para a sociedade: também se guerreiam entre si, não conseguindo gerar um factor moralizador que possa apaziguar as tensões sociais de origem diversa.

Por fim, a posição da grande comunicação social portuguesa em face do que tem vindo a passar-se nas cidades dos Estados Unidos. De um modo lento mas perceptível, os nossos jornalistas, analistas e comentadores vão tentando esquecer o crime contra George Floyd – são milhares, mas que não foram filmados _, para se centrarem na condenação dos distúrbios que têm vindo a ter lugar. E muito menos se deitam a reconhecer que a sociedade norte-americana se estruturou historicamente na violência, assim se mantendo e desenvolvendo ao longo da sua História. E então manifestações contra a violência policial nos Estados Unidos contra os pretos, bom, nem um pequeno encontro de dez portugueses em frente – a duzentos metros, portanto – à Embaixada dos Estados Unidos. Uma realidade que explica bem uma das causas de se ter mantido a II República por 48 anos.

Um dado, pois, é já certo: está a nascer o neomacar-tismo, que levará, se Trump vier a ser reeleito, ao desenvolvimento da Ditadura Mundial. Ao que tudo faz já crer, a democracia, tal como a conhecemos, deverá estar ferida de morte.


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