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Eleita a primeira Miss Portuguesa Canadá

Tem 16 anos, chama-se Ryan Durão e irá em Julho a Portugal representar a comunidade luso-canadiana no concurso Miss Portuguesa que reúne jovens de todas as partes do país e da diáspora

Por João Vicente
Sol Português

O Teatro Queen Elizabeth, situado na CNE, em Toronto, foi o local escolhido para a coroação da primeira Miss Portuguesa Canadá, um espectáculo e noite de gala que se realizou na passada sexta-feira (28) depois de uma semana de actividades com as 10 concorrentes em prova.

No fim da noite, uma jovem de 16 anos, Ryan Durão, foi coroada Miss Portuguesa Canadá 2017 pela vencedora da Miss Portuguesa 2016, Cristiana Viana, após ter recebido a sua faixa das mãos da Miss Eco International deste ano, Amber Bernachi.

A classificação determinou como primeira dama de honor Mariana Franco, que recebeu a respectiva faixa das mãos de Pedro Maia, da firma Maia & Associates, e foi coroada por Maria José Martins, da Privileged Financial, que ofereceu as tiaras.

Vanessa Luís, que já tinha sido eleita Miss Simpatia, foi também escolhida como segunda dama de honor, sendo-lhe a sua faixa colocada por Marco Rodrigues, da companhia Reno Bros., e a tiara posta pelo cabeleireiro oficial da competição Miss Portuguesa, Paulo Delgado, enquanto Catarina Sousa foi distinguida com o prémio de Miss Popularidade.

Era fácil descobrir a família da vencedora na assistência pois os pais orgulhosos tinham a foto da filha e o irmão mais novo mal continha o seu entusiasmo e alegria, dizendo repetidas vezes alto e em bom som: "é a minha irmã!".

Quanto à jovem vencedora, Ryan disse-se chocada, feliz e honrada por ter sido escolhida e pouco depois juntava-se aos pais, aos avós e ao irmão para celebrar a vitória.

Acabada de eleger a Miss Portuguesa Canadá, a directora da organização, Patrícia Fino, mostrou-se satisfeita com o processo.

"Afeiçoei-me a elas e para mim qualquer uma estaria à altura de ser vencedora", afirmou, declarando-se "muito orgulhosa das nossas finalistas" e confiante de que "estamos muito bem representados no próximo mês de Julho na grande final da Miss Portuguesa em Portugal".

Ryan Durão foi uma de quatro finalistas escolhidas pelo júri, que foi composto por Carlos Botelho, director da Azores Airlines; Brenda Konwisarz, proprietária da boutique Naked Bodyz e jurada no concurso Miss Universo Canadá; e Mónica Rasteiro, consultora de beleza.

O presidente da MMRP, companhia-mãe do concurso Miss Portuguesa, Isidro de Brito – que se deslocou de Portugal para estar presente nesta gala, presidiu ao júri, encarregando-se de supervisionar o processo após elucidar os jurados sobre os critérios de selecção.

A apresentação esteve a cargo de António Luz e de Patrícia Fino, com ajuda à apresentação do radialista Sérgio Mourato que dos bastidores emprestou a sua voz.

O espectáculo teve som e luzes a cargo da ACS Productions, enquanto que a direcção foi da responsabilidade de Tony Câmara.

Uma das primeiras apresentações em palco foi da Ontario School of Ballet, com uma dança de máscaras, após o que o público pôde assistir a um breve vídeo das concorrentes e então um número de dança, no qual todas participaram e para o qual treinaram com a dançarina e coreógrafa Teria Morada, da Azucar Picante Entertainment.

Enquanto as concorrentes trocavam de roupa, o espectáculo prosseguiu com a artista Nancy Love, que cantou dois temas, seguida de mais uma actuação da escola de ballet numa intervenção mais colorida e moderna.

As candidatas fizeram um primeiro desfile com vestidos de cocktail, ao que se seguiu uma interpretação do tema "Meu fado meu" – da autoria de Paulo de Carvalho e popularizado por Mariza – na voz de Cathy Pimentel.

Depois da primeira de duas actuações da jovem bailarina Ashley Maia, voltou ao palco Cathy Pimentel para interpretar "Barco negro" e ainda antes das concorrentes voltarem para desfilar em vestidos de noite, do estilista Rafael Freitas, actuou o artista luso-canadiano Nelz.

Após o desfile foi altura de eleger a Miss Simpatia e a Miss Popularidade, tendo-se ainda registado a actuação do cantor Peter Serrado, seguido da revelação do resultado final.

Como é frequente em concursos desta natureza, não tardaram a surgir alegações em redes sociais de que a vencedora teria sido beneficiada de alguma forma, algo que a organização nega categoricamente, garantindo não ter havido qualquer favoritismo.

Uma das críticas prende-se com o facto da jovem ter apenas 16 anos, o que é justificado por Isidro de Brito como um contornar das regras que foi autorizado por ele, tal como tem feito em edições anteriores quando as candidatas revelam maturidade, características e qualidades que justificam que se abra uma excepção.

Com respeito ao facto da vencedora ser filha de um patrocinador, Patrícia Fino refere que é um factor que não a deveria beneficiar, tal como não a deveria prejudicar, e que a escolha final recaiu exclusivamente sobre o júri cuja opinião e isenção estão acima de qualquer suspeita.

Segundo a organização, a selecção das candidatas teve em conta atributos como a simpatia, harmonia, postura, expressão oral e beleza, características em relação às quais já vinham a ser analisadas durante toda a semana.

Na quarta feira (26), por exemplo, fomos encontrá-las num jantar convívio no restaurante Moliceiro, em Toronto, durante o qual socializaram com os patrocinadores num gesto de agradecimento e ao longo do qual, tal como em todas as suas participações, foram avaliadas com base nas características referidas.

Aproveitámos a ocasião para entrevistar a organizadora, Patrícia Fino.

***

Sol Português - Como surgiu este projecto?

Patrícia Fino – Surgiu numa parceria com a organização em Portugal, com o Isidro de Brito, numa conversa entre amigos. Foi assim que surgiu a oportunidade de estender o concurso aqui ao Canadá, quando o Isidro já estava a tentar criar essas pontes com as grandes comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Porque é muito difícil que as meninas, as luso-descendentes aqui do Canadá, vão a Portugal para competir no concurso final; muitas vezes porque não há disponibilidade financeira, enfim...

Então nós achámos que era importante vir o concurso aqui, para que também elas tivessem a oportunidade – tivessem conhecimento – que elas têm valor no próprio país delas, no país natal, e que o país conta com elas para o representar internacionalmente.

S.P. – De onde são as candidatas que temos aqui em competição?

P.F. – São de várias regiões portuguesas espalhadas pelo mundo. Temos cinco candidatas de Toronto e temos cinco que vieram de fora, uma delas da comunidade portuguesa de Londres – é do Porto, portanto é luso-descendente também, mas é da comunidade portuguesa de Londres – e as outras quatro de Portugal.

Foram meninas que acabaram por chegar aqui por abertura, por haver espaço para elas participarem aqui no Canadá, porque nós tivemos várias candidatas (...) mas muitas quando se aperceberam das responsabilidades que este concurso acarreta, não puderam assumir esse compromisso por [motivos] profissionais – as responsabilidades laborais que têm não permitiam disponibilidade de agenda para poderem levar a cabo este evento. E assim ficámos com cinco finalistas de Toronto e com cinco lugares em aberto, e resolvemos – para mostrar à nossa comunidade, e para mostrar ao Canadá o que é este concurso – aceitar essas candidatas.

[São] portuguesas, também elas que vêm de fora, e que vêm integrar o concurso aqui para mostrar que nós somos portugueses em qualquer parte do mundo, que temos valor em qualquer parte do mundo e que qualquer uma delas pode representar Portugal na Miss Mundo, que é a meta final deste evento.

S.P. – Quais são esses compromissos a que se refere e que elas têm de cumprir?

P.F. – É mesmo um mandato de um ano que elas têm – e quando eu digo de um ano, é para a vencedora, para a Miss Portuguesa, e para as damas de honor. Os compromissos que acarretam, especialmente agora nesta altura que antecede o concurso, são os ensaios.

Nós temos uma coreógrafa, a Teria Morada, da academia Azucar Picante, que está a treiná-las, está a fazer coreografia com elas, está a ensiná-las a desfilar – são ensaios bastante exaustivos, bastante intensos.

Temos a parte cultural também, em que [as jovens] se conhecem entre elas. Passeamos por Toronto, temos as sessões fotográficas, temos as presenças em eventos da comunidade e também as causas solidárias que nós abraçamos. Portanto, elas têm que estar disponíveis para estarem presentes em galas e eventos, abraçarem causas solidárias e tudo o que acarreta a promoção dessas causas.

Têm que estar disponíveis para ensaios. Têm que estar disponíveis para aulas de expressão oral – nós treinamo-las um bocadinho para elas se poderem expressar de uma forma mais correcta oralmente. Portanto, são todos esses compromissos que [a participação] acarreta. E depois o principal, que é a vencedora ir representar a nossa comunidade a Portugal.

Lá vão ter um estágio de três semanas que envolve provas de desporto, provas de talento, aulas de expressão oral, de desfile. Então têm que estar disponíveis para estar a representar a nossa comunidade – e de lá sim, sai aquela que irá representar Portugal à Miss Mundo.

S.P. – Qual o significado da presença desta jovens aqui esta noite, neste restaurante?

P.F. – O significado principal é o agradecimento, um agradecimento de coração porque [este projecto] começou com meia dúzia de pessoas e temos aqui um restaurante cheio. São as pessoas que acreditam neste projecto, que quiseram abraçá-lo, que quiseram ajudar, apoiar, e para mim esta noite em que convidámos todas as pessoas que se envolveram na concretização deste evento é um agradecimento de coração e de braços bem apertados por tudo o que eles estão a fazer para concretizar a Miss Portuguesa Canadá.

S.P. – Que outros aspectos considera interessante ou importante mencionar em relação a este projecto?

P.F. – O importante é que as pessoas não fiquem na dúvida. Quando se fala da Miss Portuguesa Canadá, muitas dúvidas surgem, muita confusão. As pessoas que nos procurem porque tudo está disponível para quem quiser; portanto telefonem, contactem-no, para tentar perceber o que é isto da Miss Portuguesa Canadá, com que objectivo é que veio aqui, porque razão é que tivemos cinco meninas de fora – que eu acabei de explicar.

Para mim é importante que este ano aconteça, primeiro para concretizar o sonho das nossas cinco luso-descendentes finalistas que com garra nunca desistiram e queriam muito chegar ao fim, e também a oportunidade de ouro que demos às que vêm de fora para que também elas mostrem que somos portugueses em qualquer lado.

S.P. – Mencionou que as candidatas tinham de ter disponibilidade para participar de várias galas e eventos. Em que é que elas já participaram ou vão ainda participar?

P.F. – Nós abraçámos a causa Open Angels, uma fundação que angaria fundos para ajudar as crianças órfãs do Cunene, em Mupa, Angola. Todas elas têm uma causa que gostariam de abraçar, algo que gostariam de fazer – seria o sonho delas. No caso de serem Miss, seria nesse sentido que iriam trabalhar.

Como organização, aqui no Canadá escolhemos este ano abraçar a Open Angels. Para o ano esperamos abraçar muito mais.

S.P. – Em termos de júri, quem foi que fez a pré-selecção e vai ser esse mesmo júri que vai fazer a selecção na própria noite da gala?

P.F. – O júri dos castings foi composto por mim, foi composto por alguém da minha confiança que também é consultora de beleza e que também tem bastante, eu diria, "olho clínico" para estas coisas e portanto conta muito. Não envolvemos muita gente no júri, fomos apenas três elementos. Para o júri desta sexta feira (...) temos a Brenda (Konwisarz), que é a proprietária da Naked Bodyz, ela que também é júri da Miss Universo, portanto está muito envolvida em concursos de beleza, em moda. Temos o Isidro de Brito, o presidente da organização, que vai coordenar o júri – vai dar todas as indicações de como a avaliação deve ser feita. Temos o presidente da Azores Airlines, Carlos Botelho, que vai ser a voz, digamos, do senso comum, que também faz falta.

Queríamos muito que alguns patrocinadores estivessem presentes e o Carlos, uma vez que a Azores Airlines vai oferecer a viagem à vencedora para poder competir na final em Portugal, achámos que deveria estar no júri – era uma adição muito positiva.

Todos eles vão ter uma reunião em que lhes vai ser entregue um perfil das candidatas, da avaliação feita por nós esta semana; uma avaliação bastante detalhada, um briefing de cada uma. Portanto digamos que quando chegam à gala final grande parte da votação já está feita por causa do desempenho que elas tiveram ao longo da semana.

O resto é com eles [júri] na gala final.

***

Além das concorrentes já referidas, participaram ainda nesta competição as jovens Stephanie Batista – que foi uma das quatro finalistas – Ana Machado, Daniela Luzia, Maria Inês Pinheiro, Débora Évora e Nadini Falcão.

O projecto Miss Portuguesa foi oficialmente registado em 2011 com o objectivo de eleger as representantes portuguesas para os maiores concursos internacionais, como nos referiu Isidro Brito, destacando que "quando falamos das representantes portuguesas, é nossa filosofia que não deve nenhuma jovem portuguesa ser excluída do processo".

O presidente da Miss Portuguesa destacou ao jornal Sol Português que as vencedoras têm sido requisitadas até para representar o sector de turismo de outros países, como por exemplo a Tunísia, Cabo Verde e Índia, e que quem quer investir em Portugal muitas vezes as requisita para acções de promoção e campanhas de divulgação.

As Misses dão ainda a cara por várias causas sociais, tendo a actual representante do concurso, Cristiana Viana, participado em dois eventos sociais na semana anterior a vir a Toronto – um na Nazaré, com idosos, e outro nas Caldas da Raínha, para apoiar e angariar fundos para uma criança com problemas graves de saúde,

Isto porque, como destaca, o Miss Portuguesa não é apenas mais um concurso de beleza e tem por lema "beleza por uma causa".

Assim, a vencedora do concurso Miss Portuguesa – cuja próxima edição irá decorrer em Julho e da qual Ryan Durão irá participar – tem um mandato muito vasto, que durante um ano a poderá levar a correr mundo e a representar não só a organização mas também Portugal e as comunidades da diáspora, incluindo a luso-canadiana.


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