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Canadá/Covid-19: Otava aprova mais uma vacina

Inoculação da população com menos de 60 anos prevista para o fim do Verão

Pela terceira semana consecutiva o número de novos casos de Covid-19 em todo o mundo manteve-se estável (2,6 milhões), cifrando-se agora o total dos infectados em quase 115 milhões desde que foi decretada a pandemia de Covid-19 – cerca de 78,8 por cento dos quais já superaram a doença.

Enquanto isso, a última semana registou também o quarto período consecutivo em que o número de novos óbitos (63.000) voltou a diminuir, contabilizando-se as mortes atribuídas à doença em 2,54 milhões, até à data.

No Canadá, onde o total de infecções ascende a 815.000, os casos detectados semanalmente cifram-se mais uma vez em torno dos 20.000, sem grandes alterações em relação às semanas anteriores.

Por seu turno, o número de pessoas que já superaram a infecção (815.000) continua a aumentar, o que elevou a taxa de recuperação para quase 94 por cento, enquanto que os óbitos semanais desceram a menos de 300, o que acontece pela primeira vez desde o final de Outubro.

A meio da última semana, três ministros-sombra do partido Conservador pediram ao governo Liberal para suspender a quarentena obrigatória de viajantes em hotéis designados, após terem surgido notícias de assaltos sexuais em pelo menos dois locais diferentes.

Além de um incidente que ocorreu em Montreal no dia 17 de Fevereiro, os deputados apontaram outro que teve lugar em Oakville, no dia seguinte, quando um oficial da Agência de Saúde Pública do Canadá, encarregado de confirmar o cumprimento das quarentenas, alegadamente exigiu a uma mulher que lhe pagasse uma suposta multa e a assaltou sexualmente na sua própria casa.

Estas seriam apenas duas de várias outras queixas que ao longo dos últimos dias têm vindo a surgir com respeito à quarentena imposta aos viajantes, incluindo horas de espera para reservarem quartos e preços exorbitantes, para além do normal e até do que lhes foi inicialmente indicado.

Entretanto o general Rick Hillier, encarregado da logística em torno do programa de vacinação no Ontário, indicou que grande parte da população desta província que quiser ser vacinada poderá fazê-lo nos próximos meses, embora os que têm menos de 60 anos provavelmente venham a ter de esperar até ao final do Verão.

Para já, e depois dos lares da terceira idade, a prioridade continua a ser os idosos com mais de 80 anos pelo que, segundo destacou o general, o Ontário vai criar uma linha telefónica especial e um portal online para que, a partir do dia 15 de Março, as cerca de 600.000 pessoas neste escalão etário possam marcar a data da sua inoculação.

Por precaução, caso o Ontário venha a ser assolado por uma terceira vaga de Covid-19, as clínicas prioritárias de vacinação não vão ser instaladas nos hospitais, mas em locais independentes.

O plano de vacinação estabelece como objectivo que a partir de 15 de Abril os residentes com mais de 75 anos possam marcar a sua inoculação nos centros mais perto de si, abrindo a 1 de Maio as marcações para as pessoas com mais de 70 anos e assim prosseguindo, por fases, com os que têm mais de 65 anos a poderem fazê-lo a partir de Junho e um mês depois para os que têm mais de 60.

No dia seguinte, quinta-feira (25), o seu homólogo encarregado do programa de vacinação a nível federal, major-general Dany Fortin, disse sentir-se mais confiante com a distribuição das vacinas em território nacional depois de tanto a Moderna como a Pfizer-BioNTech terem confirmado o envio das próximas remessas.

A Pfizer confirmou mais de 3,7 milhões de doses entre 1 de Março e 15 de Abril, e a Moderna garantiu o envio de 1,3 milhões de doses durante o mês de Março.

Danny Fortin deu ainda a conhecer a existência de um exercício virtual entre os governos federal, provinciais e territoriais, planeado para dia 9 deste mês, altura que irão examinar a melhor forma de distribuir as remessas adicionais de vacinas que estão a caminho.

Entretanto, a fabricante de vacinas Moderna anunciou que iria aumentar a sua capacidade de produção anual para 1.000 milhões de doses, ao mesmo tempo que destacava que os seus cientistas já conseguiram criar uma nova fórmula contra a Covid-19, a título experimental, com o fim específico de combater a variante sul-africana do coronavírus.

No Ontário, o governo indicou que pretende investir 115 milhões de dólares para pagar as propinas a 6.000 estudantes inscritos em cursos de tratamentos paliativos para idosos, uma tentativa de atrair mais funcionários para trabalharem nos lares e instituições residenciais para a terceira idade.

Enquanto isso, em Toronto oito escolas acusaram a presença das variantes do coronavírus, que se acredita serem mais contagiosas, segundo revelou a autarquia num comunicado à imprensa.

Entre as escolas em que foi detectada pelo menos uma pessoa infectada com variantes da doença contavam-se a escola de Sta. Helena e a Academia Dante Alighieri, mas no dia seguinte o número de instituições afectadas pelas novas variantes aumentou para 11.

Continuando a sua política de restringir o contacto entre as pessoas, a autarquia torontina anunciou o cancelamento até Julho de todos os festivais ao ar livre, incluindo os eventos em torno da comemoração do Dia do Canadá.

Vários dos organizadores destes eventos, porém, dizem que estes vão continuar a realizar-se, ainda que apenas de forma virtual.

Foi também durante a última semana que a equipa científica que aconselha o governo do Ontário sobre a pandemia avisou que em meados de Março as variantes mais infecciosas devem vir a representar cerca de 40 por cento dos novos casos de Covid-19.

O grupo de cientistas aconselhou o governo a "navegar neste campo de minas com muito cuidado", após os dados mais recentes indicarem que a taxa de redução no número de infecções e de hospitalizações resultantes do confinamento está a abrandar enquanto que as taxas de positividade aumentam em toda a província.

Segundo o modelo que projectaram com base nesses dados, o cenário mais provável aponta para cerca de 2.000 infecções diárias até ao fim de Março, enquanto que o pior prevê que se possam atingir 4.000 por dia.

Entretanto a farmacêutica Pfizer-BioNTech anunciou que tinha feito um pedido oficial ao Departamento de Saúde do Canadá para mudar os rótulos da sua vacina por forma a indicar que pode ser guardada em frigoríficos normais até duas semanas, sem sofrer adulteração.

Recorde-se que esta vacina necessita ser guardada a temperaturas extremamente baixas, em torno dos 80º C negativos, para não se estragar, pelo que o anúncio de um período até duas semanas com refrigeração normal irá facilitar muito a logística de armazenamento e distribuição, sobretudo em regiões distantes dos principais centros urbanos.

Na sexta-feira (26) o Departamento de Saúde do Canadá aprovou mais uma vacina contra a Covid-19 – a terceira a receber o aval que lhe permite ser usada no país _desta feita fabricada pelos laboratórios AstraZeneca.

A ministra federal responsável pelas aquisições, Anita Anand, disse que o Canadá garantiu já dois milhões de doses através de um acordo assinado com a Verity Pharmaceutical Canada Inc. e o Instituto Serum, da Índia, com 500.000 previstas chegarem já nas próximas semanas e 1,5 milhões até meio de Maio.

Estas remessas são suplementares às 20 milhões de doses estipuladas num acordo anterior, firmado com a própria AstraZeneca.

No início desta semana, porém, um painel nacional de peritos em vacinas aconselhou os governos provinciais a não administrarem a vacina da AstraZeneca aos idosos, limitando a sua utilização aos mais jovens por não existirem ainda dados suficientes para demonstrar a sua eficácia e segurança na população mais velha.

No dia seguinte, a ministra da saúde do Ontário, Christine Elliott, confirmou que esta vacina não será dada aos idosos que residem nesta província.

Em mais um escândalo em torno de cidadãos em posições de poder que saltaram a fila para conseguirem a vacina, o director executivo do fundo que gere os investimentos do Plano de Pensões do Canadá, Mark Machin, demitiu-se após ter sido revelado que se deslocou aos Emirados Árabes para ser inoculado.

Desde o início desta semana que o Ontário voltou a aplicar o chamado "travão de emergência" para colocar em confinamento profundo (classificação cinza) as regiões de Simcoe-Muskoka e Thunder Bay após o que foi descrito como "tendências alarmantes" no número de casos de Covid-19.

Em contrapartida, a presidente da Câmara de Mississauga, Bonnie Crombie, indicou pretender que a cidade passe à categoria vermelha, o que permitiria a reabertura de restaurantes, cabeleireiros e outros estabelecimentos.

Por seu turno, o edil de Toronto, John Tory, indicou não estar preparado para dizer quando é que as restrições vão ser levantadas na capital do Ontário, declarando-se preocupado com a reabertura da região vizinha, Peel – onde se inclui Mississauga – caso isso venha a acontecer.

Na segunda-feira (1) várias unidades de saúde do Ontário diziam estar a postos para administrarem as vacinas contra a Covid-19 aos residentes mais idosos, enquanto portais de marcações começavam a ser testados em seis regiões.

Três horas após ter entrado em funcionamento, porém, o portal de marcações da Região de York indica ter já esgotado todas as datas disponíveis.

Na terça-feira (2) a dra. Theresa Tam, directora dos serviços de saúde do Canadá, advertiu que embora a diminuição no número de casos esteja a abrandar e se comece a detectar um ligeiro aumento a nível nacional, a situação está a melhorar de dia para dia no que diz respeito às vacinas.

Os sistemas de saúde Trillium e William Osler, que gerem hospitais em Mississauga e Brampton, respectivamente, abriram já duas clínicas de vacinação para os residentes com mais de 80 anos, passando a facultar a marcação da inoculação através dos respectivos portais.

A clínica do Trillium está localizada no Centro de Recreio, Atletismo e Bem Estar da Universidade de Toronto em Mississauga (3359 Mississauga Road), enquanto que a do Osler funciona no Chinguacousy Wellness Centre (995 Peter Robinson Blvd.).

No passado fim-de-semana o Ontário ultrapassou os 300.000 casos de Covid-19 desde o início da pandemia enquanto a autarquia torontina anunciava que ia começar a vacinar os sem abrigo e outras "populações prioritárias".

A Câmara tem estado a inocular os agentes da polícia e anunciou que além das nove clínicas de vacinação espalhadas pela cidade que se dedicam a populações específicas, vai ter também a funcionar 49 clínicas organizadas por hospitais, 46 a cargo de parceiros comunitários do sector da saúde e 209 em farmácias.

Por fim, em mais um sinal indicativo das alterações profundas provocada pelas medidas de confinamento, novos dados revelam que o consumo de electricidade no último ano diminui para níveis que já não se viam há décadas enquanto que os padrões de consumo se inverteram, com o das empresas a cair enquanto que o de particulares aumentou significativamente.


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