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Em crise devido à pandemia, bancos alimentares preparam-se para um aumento da procura face aos aumentos do custo de vida

Os bancos alimentares no Canadá registaram um grande aumento no número de visitas que receberam durante a pandemia da Covid-19, de acordo com um novo relatório que cita o elevado custo de vida e a contínua perturbação económica como uma ameaça que poderá criar numerosos novos clientes nos próximos meses.

As conclusões surgem no relatório HungerCount 2021 da Food Banks Canada, que foi recentemente divulgado e que pesquisou quase todos os cerca de 4.750 bancos alimentares e organizações comunitárias do Canadá.

Trata-se da primeira análise abrangente da procura pelos bancos alimentares em todo o país desde o início da pandemia de Covid-19.

O relatório destaca a forma como a pandemia exacerbou a fome no Canadá, com muitos activistas a exigirem uma reforma da rede de segurança social do país, de modo a criar condições para reduzir a pobreza e a insegurança alimentar.

O relatório refere que os canadianos fizeram 1,3 milhões de visitas aos bancos alimentares em Março de 2021, um aumento de 20,3 por cento em comparação com o mesmo mês em 2019, o aumento mais acentuado desde a recessão económica de 2008.

Os bancos alimentares nas grandes cidades, como Toronto, foram particularmente procurados, com mais de um 25 por cento a registar uma procura duas vezes maior do que em anos anteriores.

Segundo a avaliação, a maioria dos utentes procurou este tipo de ajuda em resultado do desemprego associado à pandemia, com os indivíduos de comunidades racializadas a constituirem uma grande proporção.

Por outro lado, os bancos alimentares situados em centros urbanos de menor dimensão recebem mais pessoas com deficiência e idosos à procura de alimentos.

Na opinião da Food Banks Canada, os programas de ajuda do governo para quem perdeu o emprego ou teve uma redução nas horas de trabalho em função da pandemia ajudaram evitar aumentos ainda maiores na procura pelos bancos alimentares e provavelmente impediram que ainda mais pessoas tivessem de solicitar os seus serviços.

O director executivo da Food Banks Canada, David Armour, contudo, defende que os governos deveriam aproveitar esta oportunidade para melhorar as políticas sociais existentes para corrigir as origens da insegurança alimentar – principalmente os níveis de baixos rendimentos, o desemprego, os elevados custos da habitação e a pobreza.


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