1ª PÁGINA


Semana Cultural Beirã:

Concurso de sopas e noite de fado foram pontos altos do certame

Por Jonathan Costa, João Vicente e Noémia Gomes
Sol Português

Depois de oito dias dedicados à cultura das Beiras Alta, Baixa e Litoral, terminou no passado sábado (29) a edição 2018 da Semana Cultural da Casa das Beiras de Toronto (CBT), certame que ficou este ano marcado por uma série de iniciativas, incluindo uma alargada experiência gastronómica a par de espectáculos e mostras demonstrativas das características etnográficas da região.

Duas das mais notáveis foram a Festa da Sopa, realização que pela primeira vez levou a concurso cinco colectividades luso-canadianas na luta pelo título da melhor receita, assim como a Noite de Fado que na véspera do encerramento do certame ficou marcada por um espectáculo a assinalar 40 anos de carreira do fadista Jorge Fernando.

Primeira Festa da Sopa convidou público a "molhar a colher" na escolha do melhor caldo

A meio desta Semana cultural Beirã, que decorreu de 22 a 29 de Setembro, a noite de quarta-feira (26) viu realizar-se a primeira Festa da Sopa, iniciativa que reuniu cerca de uma centena de pessoas, cada uma das quais teve a oportunidade de experimentar as cinco receitas apresentadas por igual número de colectividades que participaram nesta competição.

Assim, e além da sopa que representou a Casa das Beiras, o público teve oportunidade de provar também as da Casa do Alentejo, Associação Cultural do Minho, Casa da Madeira e Centro Cultural Português de Mississauga, votando no final para determinar a vencedora.

Contudo, e apesar de se tratar dum concurso, os principais objectivos foram a celebração da cultura gastronómica portuguesa e a confraternização entre todos os clubes, como salientou ao nosso jornal o presidente da CBT, Bernardino Nascimento, ao destacar as origens da tradição que levou à criação deste evento.

"É uma tradição da Beira Litoral, onde vários restaurantes locais competem entre si para testarem os seus melhores pratos e a qualidade dos seus cozinheiros", mas "estamos a adoptar um modelo diferente", referiu o dirigente beirão salientando tratar-se de uma "competição saudável e amigável", em que "o mais importante é esta fraternização entre todos os grupos aqui presentes".

Com respeito ao processo que levaria à selecção da melhor sopa, Bernardino Nascimento explicou que "cada um dos convidados poderá comprar uma destas taças disponibilizadas especialmente para esta noite e terá acesso a cada uma das cinco sopas" que concorreram, podendo depois "votar na sua favorita".

Segundo indicou, "todos os [clubes] participantes serão premiados com um vale, cujo valor não será divulgado, e o vencedor receberá também um vale com um valor acrescido", mas na sua avaliação, "os verdadeiros vencedores somos todos nós aqui presentes, que vamos poder deliciar-nos com todas estas sopas deliciosas e poder gozar da companhia desta gente maravilhosa", concluiu.

Para Katia Caramujo, que preside à Aliança dos Clubes e Associações Portuguesas do Ontário (ACAPO), iniciativas deste género, que juntam as colectividades, são particularmente importantes.

"É bonito ver todas estas Casas da comunidade aqui reunidas", realçou, lembrando que "embora sejamos de diferentes regiões, somos todos portugueses" e "necessitamos de mais iniciativas e ideias como esta".

Também o presidente do Executivo do Centro Cultural Português de Mississauga (CCPM), Tony de Sousa, enalteceu a união entre todos os clubes lembrando que "isto da competição é secundário; o importante é ver todos estes sorrisos e esta gente feliz aqui reunida", fazendo votos de "que vença o melhor".

As taças brancas onde se faziam as provas e que se encontravam disponíveis para compra ao longo da noite exibiam o símbolo da Casa das Beiras, assim como o da Confraria de Saberes e Sabores Grão Vasco, agremiação cultural que promove a gastronomia tradicional da região beirã.

"Estão todas deliciosas, vai ser uma escolha difícil", afirmava Maria Antunes, que marcou presença nesta prova colectiva, enquanto José Coelho, que também participou, destacava que "são todas vencedoras" pois "estão a representar a nossa excelente culinária".

Em prova estiveram a sopa da gandaresa, apresentada pela CBT e cuja receita foi revelada pelo chefe da Casa António Mendes, que aqui se deslocou de Portugal para elaborar a ementa servida ao longo de toda esta Semana Cultural.

Nas suas palavras, trata-se de uma sopa que "origina da região da Beira Litoral, e inclui feijão, hortaliça, legumes, carne de porco e enchidos", explicou o chefe de cozinha que salientou no entanto que "o ganhar não é importante, o que importa é estarmos aqui todos reunidos e divertirmo-nos".

A Casa da Madeira apostou na sua sopa da Casa, servida pelo próprio presidente da colectividade, José Luís Bettencourt, que nos explicou ser "uma sopa que já fazemos há imenso tempo para os nossos sócios", e que é confeccionada com muito "carinho".

"Deixamos o trigo de molho e preparamos uma espécie de refogado, com chuchu, carne de porco, azeite e alho", elaborou o dirigente madeirense, ressalvando que fica "de facto muito saborosa", mas esperar apenas "que gostem, que venham repetir e que se divirtam".

Por sua vez, o CCPM apresentou uma receita tradicional à base de vegetais, como revelaram as suas cozinheiras, com Odete Santos a destacar ser "a sopa que recebe mais elogios lá na nossa Casa", e tem por base "feijão, vegetais e nabos", o que a torna "básica mas muito saborosa", enquanto Esmeralda Santos elogiava a iniciativa considerando "lindíssimo ver toda esta cultura e gastronomia portuguesa aqui reunida" e fazendo votos de que "este evento se repita por muitos anos".

A Associação Cultural do Minho, representada pela sua chefe de cozinha, Rosa Bandeira, apresentou uma sopa com uma receita especial que presume ser "uma novidade em Toronto": trata-se de uma "sopa seca" que, como explica "é tradicionalmente servida nas casas mais abastadas no Minho" e para a qual "se aproveitavam os restos do cozido".

"Aproveitamos a água do cozido, desfiamos as carnes, fica de facto delicioso", destacou a cozinheira minhota, acrescentando ser "um prazer poder vir aqui representar o nosso clube e a nossa região" mas que, independentemente da vencedora, "quem ganha é o público que tem acesso a todas estas sopas deliciosas".

Finalmente, a Casa do Alentejo, que não pôde contar com a presença de um representante neste evento, participou com um caldo de peixe à alentejana.

Ditaria a contagem de votos que seria precisamente esta a sopa vencedora, pelo que, à falta de um representante, seria António Pedrosa, do Rancho Folclórico Estrelas do Norte quem ficou encarregado de guardar o prémio para o entregar à colectividade alentejana.

Bernardino Nascimento, que foi o mestre-de-cerimónias e se apresentou trajado nas roupas tradicionais da confraria beirã para revelar o resultado, parabenizou todos os participantes ressalvando que o sucesso da iniciativa garante que esta será "a primeira de muitas edições no futuro".

Com todos os tachos de sopa vazios e o vencedor anunciado, era hora de dar início ao serão musical, que teve som e luzes a cargo da Five Star Productions e abriu com uma actuação de ranchos folclóricos, designadamente os grupos da Associação Cultural do Minho e o Rancho Académico de Viseu, que integra a CBT.

Por fim, e depois desta electrizante demonstração de etnografia minhota e beirã, foi a vez de Hélder Pereira subir ao palco onde, munido de guitarra e harmónica, interpretou várias melodias ao estilo de canções de intervenção, alusivas ao final da década de "70, tempos da revolução de Abril, levando o espectáculo até bem perto da meia-noite.

A essência do fado

Dois dias depois, na véspera do encerramento da edição deste ano da Semana Cultural Beirã, a sede da CBT voltava a vibrar, desta feita num espectáculo de fado que na noite de sexta-feira (28) pôs em evidência um alinhamento de artistas que proporcionou um serão memorável a uma assistência apreciadora deste estilo musical tão genuinamente lusitano.

O cartaz foi composto pelo fadista Jorge Fernando, pelo filho, Jorge Nunes, e pelo guitarrista António Dias, que aqui se deslocaram vindos de Portugal, assim como pela fadista luso-canadiana Suzi Silva, vinda de Montreal, e pelo fadista João Brito, organizador deste espectáculo – ambos acompanhados pelos músicos Manuel Moscatel, na guitarra portuguesa, Tony Melo na viola de fado e Januário Araújo na viola-baixo.

O cabeça de cartaz, Jorge Fernando, um dos compositores mais cantados da música portuguesa da actualidade e cujo nome tem uma aura e mística própria no mundo do fado, celebrou mais de quatro décadas de carreira apresentando um espectáculo inesquecível, marcado pela interactividade com o público.

O serão, que incluiu um jantar tradicional com bacalhau à lagareiro, contou com mais de 300 pessoas na assistência e segundo os responsáveis, cerca de 100 outras já não conseguiram reserva.

No final da refeição, o radialista da emissora CHIN, António César, assumiu o papel de mestre-de-cerimónias e após assinalar um minuto de silêncio em memória de José Rodrigues – falecido no próprio dia e pai do sócio da Casa das Beiras e patrocinador desta Semana Cultural, José Manuel Gonçalves – passou a apresentar o empresário coordenador desta noite de fado, João Brito, e os músicos acompanhantes, que foram os primeiros em palco.

Após a sua actuação e depois de aceder a um pedido de bis, João Brito deu o lugar a Suzi Silva, verificando-se entretanto uma breve e singela homenagem ao falecido mestre da guitarra portuguesa, António Amaro, durante a variação proporcionada pelos músicos.

Por sua vez a fadista de Montreal, que já no ensaio tinha merecido os aplausos dos artistas convidados de Portugal, surpreendeu o público com o seu timbre, conquistando também um bis.

Suzi Silva apresentou-se pela primeira vez em Toronto há cerca de um ano, num concerto organizado pelo consulado de Portugal, e desde então completou o seu bacharelato em música, tendo entretanto vindo a compor e a colaborar com outros projectos e artistas ao mesmo tempo que continua a promover o seu projecto de fusão de fado e jazz, "fad'AZZ".

Antes do espectáculo a fadista luso-canadiana confessou-se um pouco nervosa, mas se nervosa estava foi o oposto que aparentou em palco.

"Disse à Suzi Silva que, sendo um filho de Alfama, como sou, criado na Picheleira, depois da Carminho e da Ana Moura foi uma das vozes mais queridas e mais doces que ouvi até hoje", afirmou António Antunes quando lhe perguntámos qual a mensagem que tinha passado à fadista após esta terminar a sua actuação.

Depois de um intervalo durante o qual foi servido chouriço assado, subiu ao palco o cabeça de cartaz, Jorge Fernando, artista de trato suave e terra-a-terra, tanto em palco como nos bastidores.

O fadista depressa estabeleceu uma relação com o público, salpicando a sua actuação com farpas bem humoradas dirigidas ao filho que, além de o acompanhar na viola-baixo, ainda interpretou alguns dos temas que Jorge Fernando compôs para o álbum dele, "Outro fado", além de dar também "troco" ao sentido de humor do pai – ambos acompanhados pelo guitarrista António Dias.

No fim da actuação Bernardino Nascimento procedeu à entrega de placas comemorativas a todos os artistas, que subiram ainda ao palco para uma despedida conjunta ao som de "Cheira bem, cheira a Lisboa" e à qual o público ajudou, cantando alto e em bom som.

Por último ainda se registaram momentos de convívio entre os artistas e o público enquanto se ia conversando, tirando fotos e assinando CDs, levando esta noite digna de nota a entrar ainda algumas horas pelo sábado adentro.

A um dia do encerramento, o presidente da colectividade beirã, Bernardino Nascimento, fez um balanço extremamente positivo desta Semana Cultural, à nossa reportagem, salientando a quantidade de público – acima das expectativas, noite-após-noite – e a forma como tudo correu tão bem.

Tudo terminaria efectivamente no dia seguinte, sábado (29), altura em que a gastronomia e a música mais uma vez foram o foco desta Semana Cultural, com um jantar convívio regional e actuações do grupo Searas de Portugal e da Juventuna da Associação Social, Cultural e Desportiva de Nesprido.

***

À conversa com Jorge Fernando, Jorge Nunes e António Dias

"A música é uma coisa muito vasta e às vezes as mentes é que são estreitas"

De seu nome completo Jorge Fernando da Silva Nunes, foi primeiro conhecido como futebolista, chegando a internacional júnior do clube 1.° de Maio, mas desde tenra idade esteve envolvido com o fado.

O avô era violista de fado e Jorge Fernando, além de ter aprendido viola com o avô, aproveitando uma semana em que esteve doente com papeira, cantava fado desde os quatro anos de idade, por isso foi o fado que acabou por o chamar até si, mesmo após ter passado alguns anos num grupo de baile que ele próprio formou.

"[Tocávamos] músicas desde o Roberto Carlos aos Pink Floyd", diz-nos Jorge Fernando considerando que "isso foi bom porque considero que foi a minha grande universidade em termos musicais – tocar músicas tão diferentes, de estilos tão extremados entre si, dá-nos uma certa abertura mental, porque a música é uma coisa muito vasta e às vezes as mentes é que são estreitas".

Veio a tocar com Fernando Maurício e, mais tarde, com Amália mas, curiosamente, viria a atingir o auge da carreira fora do fado – só que sentiu que esse sucesso não lhe assentava bem.

"Essa minha viragem é determinante para o próprio fado."

"Eu gravei "Umbadá", depois "Lua Feiticeira Nua", sempre com enorme sucesso – o "Umbadá" esteve ano e meio no primeiro lugar, a "Lua" esteve um ano no primeiro lugar... – e de repente olho para mim e digo: `não é isto que quero fazer'", diz-nos Jorge Fernando.

Deixa de fazer "150, 120 ou 100 concertos por ano" para mudar a carreira e voltar ao fado.

"Uma viragem difícil devido ao sucesso que eu já tinha", afirma, confessando que isso o levou a viver de empréstimos da Sociedade Portuguesa de Autores, "mas tive de fazê-lo porque não estava em paz comigo e eu vim cá para estar em paz comigo e ser feliz". Atribui algumas dessas dificuldades ao "estigma do Umbadá" e às pessoas que, desconhecendo as suas raízes, estranhavam e comentavam: "mas ele agora está a cantar fado?".

"...a vida deu-me uma sabedoria, deu-me uma maturidade, que hoje me levaria a repudiar alguns dos meus versos..."

"Passe a imodéstia", diz que concorda com algo escrito acerca de si há pouco tempo: "Essa minha viragem é determinante para o próprio fado".

Alicerça essa afirmação no trabalho que desenvolveu, primeiro com os discos que produziu de José da Câmara Pereira e depois ao incorporar a percussão da Brigada Victor Jara, piano e violino, que foram características que vieram a ser adoptadas pelo fado considerado moderno e que lhe permite ser tocado nas principais rádios.

Jorge Fernando diz que foi um agente de mudança no fado "conscientemente" e compara esta evolução à que foi exercida por Hector Piazzolla no tango, no sentido de que ambas mudaram a forma sem alterar o conteúdo, ou a alma, da arte que se propuseram influenciar.

Apesar de aceitar a mudança e evolução como algo inevitável, afirmando mesmo que "a única coisa que não muda é a mudança", confessa que "há coisas que escrevi aos 20 anos que hoje não assinaria", assim como reconhece que há trabalhos a serem produzidos hoje em dia que recebem o nome de fado e já não o são, embora tenham essa raiz.

Por isso continuamente examina e reexamina os factos à luz do artista que é e da maturidade que atingiu.

"Aos 16 anos escrevi "Boa Noite Solidão", que é um ícone, aos 15 a "Trigueirinha", que é um ícone, mas também fiz coisas que hoje eu diria: `Não – fora!', portanto a vida deu-me uma sabedoria, uma maturidade, que hoje me levaria a repudiar alguns dos meus versos, como o próprio Pessoa fez", afirma o fadista, qualificando que não se compara a Pessoa, mas sim ao paralelo da situação.

"Quando há mais portugueses, sentimo-nos mais protegidos e o fado é maior"

O fadista, autor, compositor, produtor e intérprete diz que já passou por Toronto vezes suficientes para não se perder por estas ruas, por isso mesmo ficou um pouco triste de constatar que o restaurante Lisboa à Noite, onde primeiro actuou nesta cidade, já tinha passado de mãos.

Sente que a comunidade está cada vez mais bem integrada e aprecia a capacidade que temos de nos adaptar.

Ao mesmo tempo, consegue sentir o peso e a responsabilidade que tem de transmitir um pouco do torrão da terra natal à diáspora, constatando no entanto que em países da Europa de Leste ou do oriente, por exemplo, as plateias do fado já são totalmente ou maioritariamente não-portuguesas.

"Quando há mais portugueses, sentimo-nos mais protegidos e o fado é maior [...] pois tão fadista é o que canta como o que ouve", afirma Jorge.

E assim foi na sexta-feira à noite na Casa das Beiras.

Filho de peixe...

Tal como o pai, Jorge Nunes tem memórias das casas de fado desde criança, mas o que o atraiu e prendeu a este género de música foi sempre o sentimento de quem cantava.

"Eu chegava a chorar – lembro-me perfeitamente disso – por coisas que eu não entendia", diz-nos Jorge Nunes, explicando que "na altura não é que se pense: `é isto que eu quero fazer', mas aquilo marca".

Também Jorge Júnior se dedicou ao desporto e a outras actividades desligadas do fado, embora a canção nacional tivesse sempre estado presente na sua vida por razões óbvias.

Por fim, acabou por ingressar nesta carreira musical como músico e fadista, segundo diz, graças às vivências da sua meninice que o guiaram com mão leve.

"Acho que este sentimento e estas vivências que tive fizeram com que eu nunca me afastasse e que este talvez fosse o meu caminho um dia mais tarde, quando tivesse que ser – sem ser uma coisa pensada ou forçada", conclui Jorge Nunes.

Foi assim que quando se mudou para perto da Casa da Pimenta e passou a frequentar o estabelecimento, onde o deixavam tocar viola e cantar, o sentimento que tinha dentro de si desabrochou e revelou-se.

Desde aí, não mais parou. Neste momento prepara um segundo trabalho com o pai, que conta esteja pronto até ao fim do ano para lançar em 2019.

Quanto a trabalhar com o "velhote", diz com um sorriso que ele "é chato e exigente, mas [isso] faz parte e é bom", por isso assegura que não é "um trabalho".

"Poder estar com ele e partilhar com ele as sementes, para mim é uma coisa tão forte e tão boa, tão saudável, que não acho que seja um trabalho; é um prazer".

Música no coração

Claro que não foi difícil aos fadistas agradar a uma assistência já de si inclinada a gostar do seu trabalho, mas muita gente reparou também na excelente actuação do guitarrista António Dias.

Como o próprio nos conta, também ele cresceu no meio fadista, a dormir pelas cadeiras das associações onde a mãe ia cantar fado ao fim-de-semana.

Aos 11 anos despertou-lhe o interesse para a guitarra portuguesa mas, passado cerca de ano e meio de exercícios rígidos, sem realmente tocar nada, começou a perder o ânimo e disse ao pai que queria deixar de tocar.

Embora o pai lhe tivesse dito que sim, que não havia problema, foi dar com ele a chorar e foi quando explicou que a guitarra "estava a chorar à despedida" e que o problema não era a guitarra mas sim o método de ensino.

António Dias mudou de professor e aos 15 anos já tocava nas associações, e assim foi progredindo até que em 2012 passou a tocar em palcos e a internacionalizar-se na companhia de artistas, incluindo Jorge Fernando.


Voltar a Sol Português