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Associação Migrante de Barcelos:

Ressurreição de Cristo celebrada em cerimónia do beijar da cruz

Por João Vicente
Sol Português

Tal como em várias outras colectividades, o domingo de Páscoa (1) foi assinalado na Associação Migrante de Barcelos (AMB) com a cerimónia do beijar da cruz, tradição particularmente forte no norte de Portugal e aqui recriada pelos seus representantes.

O momento foi marcado também por um almoço pascal, um belo repasto confeccionado pelo presidente da colectividade, Vítor Santos, com o auxílio dos voluntários desta casa.

O dirigente começou por acolher "a família" do Barcelos com a expressão de boas-vindas, dando seguidamente a conhecer a ementa e a todos desejando bom apetite e um dia muito feliz.

A cerimónia do beijar da cruz ficou ao cuidado do reverendo Andrzej Grecki, da igreja de São Mateus, que chegou mesmo no momento em que a refeição estava a terminar e foi recebido ao som de um coro que entoava: "Ressuscitou, Aleluia".

"Esta canção recorda a todos nós a importância deste dia – dia da vitória de Jesus sobre a morte", ressalvou o padre Andrzej, uma vez terminado o hino.

O pároco de São Mateus passou a aspergir todos à sua volta com água benta, explicando "que simboliza o dia do nosso baptismo, pois a Páscoa recorda a passagem do povo de Deus com o pé enxuto da escravidão do Egipto até à terra prometida", dando de seguida a cruz a beijar aos crentes que desejaram fazê-lo.

Ao som das campainhas foi-se procedendo ao ritual, típico no norte de Portugal, enquanto o ensaiador do coro da igreja de São João Bosco, Fernando Faria, e os seus respectivos elementos – Vítor Santos, Maria Helena Martis e Adélia Oliveira – foram entoando outros hinos religiosos.

Esta tradição firmou raízes há já alguns anos na AMB e o seu presidente garante que, enquanto for ele a dirigir o rumo da colectividade, faz questão de que a ela se dê continuidade e que o padre Andrzej seja parte integrante, destacando que foi ele quem benzeu a sede da AMB e é "um amigo pessoal e da casa".

É um dever "mostrar aos filhos, netos e aos filhos dos amigos que esta tradição tem algo de especial e que é o dia mais importante da igreja", adianta ainda Vítor Santos.

"É uma tradição, podemos dizer, regional […], mas para mim é fácil de entender uma vez que a cruz simboliza a vitória de Jesus sobre a morte", explica por seu turno o padre Andrzej.

"Na sexta-feira beijamos-la como comemoração da morte de Jesus e no domingo ela é decorada com flores e mostra-nos que Jesus venceu a morte", adianta o prelado da paróquia de São Mateus, que considera que esta tradição portuguesa "faz muito sentido" e é "muito bonita", por isso já fez questão de a ela se referir em conversações com os amigos e familiares na Polónia, de onde é natural.

O pároco viria eventualmente a apreciar também a gastronomia oferecida pela casa, desfrutando de momentos de convívio e conversa com os sócios e simpatizantes da AMB que o receberam de braços abertos e com alegria, como o amigo de longa data que é.

Depois desta celebração da ressurreição de Jesus na Associação Migrante de Barcelos, a colectividade prepara-se agora para acolher o Festival de Marisco no seu próximo convívio, que terá lugar no dia 22 deste mês, na sede.

Entretanto, Vítor Santos aguarda com antecipação o desfile do clube na Parada do Dia de Portugal onde, entre elementos e jogadores da escola de futebol, conta terem uma participação em cheio.


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