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Queen's Park:

Onda de calor marcou comemorações do Dia do Canadá

Por João Vicente
Sol Português

"Parabéns Canadá", cantarolava a pequenita Yeva logo ao sair do carro, ainda no estacionamento, entusiasmada com a visita às comemorações do Dia do Canadá frente ao Parlamento do Ontário.

Tal como muitas outras famílias, os pais desta pequenita de origem ucraniana optaram por celebrar o 151.º aniversário da nação no Queen's Park, sede da Assembleia Legislativa e onde durante o dia de domingo (1) várias actividades e espectáculos atraíram milhares de espectadores, apesar das temperaturas altíssimas.

Como nos explicava a mãe de Yeva, Iryna Orzhekhovska, todos os anos fazem questão de festejar este dia e têm vindo a experimentar as várias celebrações que se realizam em locais diferentes, mas no ano passado estiveram no Queen's Park e gostaram tanto das actividades para as crianças que este ano voltaram.

De facto, pelo relvado sul do Parlamento encontravam-se barracas onde eram proporcionados todos os tipos de diversões para os mais novos, desde as pinturas de rosto às de hena, nas mãos, bem como trabalhos manuais bem diversos e divertidos, incluindo como fazer as folhas de ácer da bandeira do Canadá em origami (arte japonesa de dobrar o papel).

Isabel da Silva, funcionária do Ministério da Cultura, Turismo e Desporto, foi uma das (poucas) presenças portuguesas que por ali encontrámos e que nos explicou que parte das suas funções consiste em receber e processar as candidaturas de voluntários que todos os anos se oferecem para ajudar nestas festividades.

Segundo nos conta, desde 1999 que tem vindo a participar neste evento, não só porque faz parte do seu trabalho, mas porque gosta de se divertir – até porque aprecia "ver as caras das crianças, vê-las a brincar" e a grande diversidade de culturas representadas pelo público; ainda que note que são poucos os portugueses que ali se deslocam nesse dia.

Como nos refere, as comemorações do ano passado foram maiores do que o normal, dado tratar-se do 150.° aniversário do Canadá e do Ontário, enquanto que as deste ano, em contraste, ficaram um pouco aquém do habitual devido ao calor extremo que se fez sentir.

Apesar disso, vários milhares de pessoas viriam a passar pelo local ao longo do período de actividades, que se iniciou pelas 10h00 e decorreu até às 17h00, a marcar a 51.ª edição deste evento que se iniciou aquando do centenário do Canadá, em 1967.

Pelo relvado – num semicírculo delimitado a sul pela grande variedade de "food trucks" que vendiam, desde churrasco a comida chinesa e gelados – deambulavam uma série de personagens mascaradas de princesas, caçadores e outros, incluindo uma gigantesca "folha de ácer" ambulante cujo actor ou actriz responsável devia receber uma medalha pelo sacrifício que deve ter sido andar coberto da cabeça aos pés num dia abrasador.

Estes e outros personagens iam posando para selfies e interagindo com o público, enquanto no palco principal actuavam bandas de música.

Um grupo teatral ia também apresentando em palco cenas de "Alice no País das Maravilhas" e os actores, também eles, periodicamente se envolviam depois em brincadeiras com o público.

Além destes grupos de artistas, um pequeno exército de voluntários foi informando e dirigindo o público ao longo do dia, distribuindo mapas do local com o horário das actividades assim como bandeirinhas do Canadá e do Ontário.

Por volta do meio-dia, já com o sol praticamente a pique, o recém-empossado primeiro-ministro Doug Ford dirigiu-se ao público, entre o qual distribuiu e recebeu cumprimentos, subindo então ao palco para proferir um breve discurso.

Em palco estava já uma representante do Ministério de Turismo, Cultura e Desporto, Debbie Matthews, que desejou a todos um feliz Dia do Canadá e informou da salva de tiros que iria decorrer dai a pouco nas traseiras do edifício, antes de chamar a cantora Grace Lee para interpretar o hino do Canadá.

Na sua alocução, Doug Ford reiterou os votos de um feliz Dia do Canadá e convidou todos a desfrutarem do fim-de-semana prolongado pelas comemorações do aniversário da nação, juntando-se com a família para apreciarem os espectáculos de fogo de artifício que se realizavam um pouco por toda a província.

Enquanto isso, decorria em simultâneo um protesto por parte de um grupo constituído por elementos das chamadas Primeiras Nações e que, batendo em tambores, chamavam a atenção para a forma como têm sido tratados ao longo de séculos e por governos sucessivos.

"Nós hoje estamos, na verdade, de luto devido ao tratamento dos nossos povos ao longo de centenas de anos nestas terras que nos foram roubadas", afirmou a porta-voz do grupo, Colleen Davis, acrescentando que "nós não celebramos o genocídio e a assimilação do nosso povo, nem as crianças que nos foram roubadas".

Segundo esta representante, os povos indígenas têm ainda uma réstia de esperança e já começaram a dialogar com Doug Ford, quando este visitou Caledonia, um processo que esperam continuar e fortalecer ao longo do seu mandato.

"Contamos que as coisas venham a mudar, para que todos nós tenhamos orgulho em dizer que somos canadianos", concluiu a porta-voz do protesto.

Com representação também neste evento estiveram os serviços policiais e de emergência, no que o superintendente do serviço de paramédicos de Toronto, John Stone, classificou como uma oportunidade para "marcar presença e mostrar algum do equipamento que usamos no nosso-dia-a-dia".

Entre os veículos em demonstração, destaque para uma ambulância de propulsão híbrida, com painéis solares embutidos e que, como salientou, é uma das novas unidades a entrar agora ao serviço.

Ao longo deste dia abrasador, mas que nem assim afastou as multidões intentas em celebrar o Dia do Canadá, as sombras proporcionadas pelas frondosas árvores do Queen's Park foram os locais mais apetecidos e a organização teve o cuidado de estabelecer espaços dedicados para o público encher as garrafas de água.

Enquanto isso, vaporizadores dispostos em locais estratégicos proporcionavam um pouco de alívio para o calor intenso.


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