CANADÁ EM FOCO


Custo climático para o Canadá pode chegar a biliões de dólares em 2100, diz relatório

Um novo relatório do Instituto de Finanças Sustentáveis (ISF), sediado na Smith School of Business da Queen's University em Kingston, Ontário, estima o custo total das alterações climáticas para a economia canadiana em biliões de dólares até ao final do corrente século, se as temperaturas globais continuarem a subir sem parar.

No relatório, os pesquisadores concluem que as perdas com as alterações climáticas podem variar entre aproximadamente 2,8 biliões de dólares até ao ano 2100, sob um cenário de aquecimento de 2°C, e cerca de aproximadamente 5,5 biliões de dólares, em caso de um aquecimento de cinco graus Celsius.

É ainda referido que os custos devem aumentar de forma gradual até 2050, com um aumento acentuado e depois exponencial a partir de 2070.

Segundo os pesquisadores, os custos, em dólares de 2020, ficam 45,4 mil milhões de dólares acima do montante de investimento que seria necessário para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, sem incluir os potenciais benefícios económicos da transição para uma economia de baixo carbono.

Os números são baseados nos desafios financeiros que o Canadá enfrentaria com eventos como perda de biodiversidade, aumento do nível do mar e danos à infraestrutura causados por incêndios florestais e inundações resultantes das alterações climáticas.

Citando um relatório do governo federal, os pesquisadores dizem que essa situação é particularmente má para o Canadá, já que o país está a aquecer duas vezes mais rápido do que a média global.

Sob o Acordo Climático de Paris, países de todo o mundo, incluindo o Canadá, comprometeram-se a limitar o aumento da temperatura média global entre 1,5 e 2 graus Celsius.

Os pesquisadores usaram um modelo desenvolvido pelo vencedor do Prémio Nobel de 2018, William Nordhaus, chamado Dynamic Integrated Climate and Economy, que é usado por organizações como a Agência de Protecção Ambiental dos EUA para calcular os custos económicos ao longo do tempo com base nas emissões de gases com efeito de estufa.

É ainda referido pelos pesquisadores que as previsões financeiras anteriores analisaram apenas os custos de transição, ou os riscos para empresas e investidores, de mudar para uma economia de baixo carbono.

Eles acrescentam no seu estudo que as estimativas de danos são provavelmente conservadoras, uma vez que o estudo assume que os aumentos da temperatura mundial afectam o Canadá de modo igual, embora algumas áreas do país e ao redor do mundo estejam a aquecer mais rapidamente do que outras.


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