SUPLEMENTO DESPORTIVO


Judo/Europeus:

Prata de Catarina Costa `salva' desempenho que "sabe a pouco"

A judoca Catarina Costa deu a Portugal os `mínimos' nos Europeus de Sófia, competição em que a selecção portuguesa deixou a ideia de ficar aquém, em comparação com o que alcançou nos últimos tempos.

"Os resultados foram bons, trazer uma medalha (prata) e um quinto lugar é sempre bom. Mas, com o que nos habituámos, é normal a sensação de saber a pouco, em comparação com aquilo que temos tido", reconheceu o presidente da Federação Portuguesa de Judo, Jorge Fernandes.

O dirigente, impossibilitado de marcar presença na Bulgária, por ter tido um teste positivo ao novo coronavírus, esclareceu que esta mesma selecção continua a estar entre as melhores do mundo, e que os resultados "são uma aprendizagem".

"Os atletas deste nível estão preparados para ganhar, como estão sujeitos a um momento menos bem. Não se deita nada a perder, é mais uma aprendizagem", defendeu o dirigente.

Na competição, que decorreu entre sexta-feira (29) e domingo (1), o ponto mais alto aconteceu logo ao primeiro dia, quando Catarina Costa (-48 kg) afastou antigos `fantasmas' para chegar à sua primeira medalha numa grande competição.

A judoca de Coimbra, estudante de medicina, tinha pelo caminho o honroso quinto lugar nos Jogos Olímpicos, Masters, Mundiais e Europeus, ficando sempre à porta do pódio, o que desta vez conseguiu contrariar.

Em Europeus, o percurso também não era simpático, porque vinha de duas competições continentais, Praga e Lisboa, em que não conseguira passar a `rebentação das ondas', como dizia um outro judoca da equipa nacional.

"Venho de dois Europeus muito amargos, muito tristes, muito duros, e lembro-me perfeitamente de um ano o meu treinador [o ex-judoca João Neto] me dizer que os atletas mais fortes se destacavam por depois de caírem se levantarem", reconheceu a judoca de Coimbra.

No mesmo dia de Catarina, as atenções estavam na multi-medalhada Telma Monteiro, a judoca feminina com mais medalhas em Europeus, mas, à 16.ª tentativa num percurso desde 2004 a atleta deixou `escapar' pela primeira vez a medalha.

Telma, que contabiliza seis ouros, duas pratas e sete bronzes, foi surpreendida em -57 kg pela alemã Pauline Starker, tal como a sua companheira de equipa no Benfica, Bárbara Timo (-63 kg), afastada no sábado pela nova campeã europeia Gemma Howell.

Desaires que as duas judocas dizem encarar de frente, com Telma já preparada para novos desafios explicando querer sempre mais enquanto Bárbara admite fazer o `luto' da derrota, para recomeçar.

Do primeiro dia, também Rodrigo Lopes (-60 kg) não ultrapassou a primeira ronda, enquanto Joana Diogo (-52 kg) e Francisco Mendes (-60 kg), um estreante em Europeus depois de ser bronze num Open saem com uma vitória nas rondas inaugurais.

No sábado, dia em que João Fernando (-81 kg) e João Crisóstimo (-73 kg) perderam na estreia, a saída prematura de Bárbara Timo foi o `murro' menos esperado, mas, no domingo, o grande `balde de água fria' veio com a queda do bicampeão mundial.

Jorge Fonseca, medalha de bronze em Praga2020 e que ainda persegue o primeiro título europeu, era o único português a chegar na condição de líder mundial, mas uma distracção pontual levou o `leão' ao tapete.

O judoca (-100 kg) nem teve tempo oportunidade para reagir, com a mesa de juízes a entender que o que inicialmente tinha sido dado como waza-ari era, afinal, um ippon, o que significava a inacreditável eliminação de Fonseca na primeira ronda.

Uma derrota que se seguia à anterior eliminação de Anri Egutidze (-81 kg), também no primeiro combate, e um pouco antes de Patrícia Sampaio ser a última resistente, travada por uma complicada lesão nas meias-finais.

O que podia correr mal, correu pior, e a judoca com o ombro deslocado ficou fora de prova, não podendo sequer estar na luta pelo bronze.

"Não vejo como uma coisa má [os resultados em Sófia], é melhor agora, do que no campeonato do mundo, porque aí já pontua para os Jogos [Paris2024]. Os Mundiais são uma prova em que Portugal não tem muitos resultados e ultimamente começámos a ter", assinalou ainda Jorge Fernandes.

Os objectivos passam agora por preparar a selecção para a fase de qualificação, que se inicia em Junho, com provas como os Grand Slam de Ulan Bator e de Budapeste, e, já em Outubro, chegar bem aos Mundiais em Tashkent, no Uzbequistão.


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