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Mississauga acolhe primeiro "Portugalo Heritage Fest" em Setembro

Festival promete fazer história na celebração da cultura portuguesa na cidade e quer recrutar três casais para recriar os célebres "Casamentos de Santo António"

Por Luís Aparício

Sol Português

Apesar de ter recebido luz verde da autarquia de Mississuga para arrancar com a primeira edição em 2021, as restrições então em vigor devido à pandemia de Covid-19 deitaram por terra essa possibilidade.

Agora, e após a apresentação de nova candidatura para este ano e da aprovação das autoridades municipais, o festival Portugalo Heritage Fest tem finalmente a sua "estreia inaugural" marcada para o dia 10 de Setembro.

Apresentado pela Portugalo - Portuguese Heritage Inc. (P-PHI), uma organização de inspiração lusa que destaca a contribuição cultural portuguesa para o mosaico multicultural de Mississauga e da sociedade canadiana, o festival decorrerá ao longo de todo o dia, das 10h00 às 23h00, e vai, garantem os organizadores, proporcionar "uma experiência cultural rica, dinâmica, única, divertida e diversificada".

Durante a conferência de imprensa que na passada quarta-feira (27) serviu para apresentar os oito elementos que compõem o Conselho de Administração da P-PHI e revelar os primeiros detalhes do evento, a co-presidente, Maria de Fátima Esteves, prometeu que será um acontecimento divertido, de que se vai falar durante muito tempo.

"Vamos mostrar a nossa tradição portuguesa, a culinária, o folclore, a música; haverá interacção pública, artistas locais e talentos internacionais [vindos de Portugal], uma zona [de actividades lúdicas] para os mais novos, e muitos vendedores", adiantou.

Mas, salientou, "vamos ter algo único" também nesse dia, prometeu, referindo-se à intenção da organização de promover uma iniciativa ao estilo dos "Casamentos de Santo António" – ainda que em menor escala – e para a qual disse estarem já "à procura dos três casais que irão participar" nesse dia.

Os Casamentos de Santo António, tradição muito antiga em Lisboa, começaram por ser uma iniciativa do agora extinto jornal Diário Popular, no ano de 1958, com o objectivo de possibilitar o matrimónio a casais com maiores dificuldades económicas, apadrinhados pelo Santo português cuja fama de casamenteiro, entre outras qualidades, o tornou numa das figuras mais carismáticas nascidas na capital portuguesa e de renome mundial.

Maria de Fátima Esteves explicou ao jornal Sol Português que a organização terá um júri, composto por três elementos, que ficará responsável pelo processo de selecção dos casais, além de que haverá um conjunto de regras e um sistema de pontuação que vai servir para definir os casais que serão escolhidos.

Entretanto o objectivo passa também por conseguir patrocinadores, para que a iniciativa possa revelar-se um sucesso, como detacou.

Paixão pelas raízes portuguesas

A ideia para a realização do Portugalo ganhou forma ainda antes do surgimento da pandemia, quando duas amigas de longa data – Maria de Fátima Esteves e Eduarda (Eddie) Suliman – se encontraram para tomar um café.

No decorrer da sua conversa, ambas chegaram à conclusão de que a comunidade portuguesa nunca tinha feito nenhuma actividade na Celebration Square, uma praça pública ao ar livre e parque urbano que serve de palco para a realização de vários eventos em Mississauga.

Entusiasmadas pelas suas raízes portuguesas, decidiram fundar a P-PHI, organização que pretende celebrar e partilhar a história e a cultura lusa com toda a população que vive na região de Peel, e mais além

Paulo Távora foi um dos elementos convidados para integrar o Conselho de Administração da P-PHI – sendo ele próprio um dos principais patrocinadores do festival através da sua empresa familiar, Távora Foods – e diz ter adorado a ideia de fazer parte deste evento que pretende celebrar a comunidade portuguesa de Mississauga.

"Estamos a contar com o apoio da comunidade, não só a portuguesa, mas de todas as comunidades em Mississauga, para que venham assistir" frisou o empresário, adiantando terem como objectivo "partilhar quem somos e a nossa cultura com toda a gente".

Para o presidente do Centro Cultural Português de Mississauga (PCCM), Jorge Mouselo, que também esteve presente na conferência de imprensa para demonstrar o seu apoio ao projecto "era nosso dever acompanhar e participar nesta iniciativa que já deveria ter acontecido há anos"., afirmou

Curiosamente, uma semana depois do festival Portugalo, a 17 de Setembro, e para coincidir com a abertura da nova temporada do PCCM, aquele centro cultural vai organizar um evento, oficializado pelo Livro de Recordes Guinness, para tentar bater o recorde da Maior Dança Folclórica Portuguesa.

No momento, diz-nos Jorge Mouselo, "estamos com mais de 400 [participantes] inscritos", e até lá contam conseguir muitos mais.

O recorde actual é de 774 pessoas que participaram simultaneamente numa dança folclórica portuguesa durante cinco minutos, pelo que o PCCM estabeleceu como objectivo ter 850 participantes a dançar o tradicional "Vira" – também conhecido como "Valsa Portuguesa" – durante sete minutos.

Segundo apurámos, o Conselho de Administração da Portugalo - Portuguese Heritage Inc. é composto por Maria de Fátima Esteves, Eddie Suliman, Cliff Silveira, Paulo Távora, Tony Câmara, Tenci Leite, Henry Esteves e Teresa Calaminici.

Entretanto, informações mais detalhadas sobre o Portugalo estão já publicadas no portal do festival, em www.portugalofest.ca, além das redes sociais Facebook (@Portugalo-PortugueseHeritageInc.) e Instagram (@portugalofest).


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