PENA & LÁPIS


Correspondente de Portugal:

Como se alcança o sucesso

Por Humberto Pinho da Silva

Sol Português

Quando ouvia dizer que fulano havia conquistado o prémio "X", ou atingido elevado cargo, acreditava no mérito. Para mim, o mérito obtinha-se com esforço, e muitas horas de estudo e sacrifício.

Não nego que não haja mérito; e há quem suba na escala social devido ao trabalho intenso, inteligência e sabedoria. Seria néscio se assim não pensasse. Mas, no correr de décadas, verifiquei que, muitas vezes, o mérito é devido, entre outras coisas, a golpe de sorte.

Verifiquei, igualmente, que quem ocupa cargos cimeiros, além de mérito, teve apadrinhamento político, familiar ou de amigos.

Disse o antigo Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio: "Nunca fui da Maçonaria, da Igreja ou de qualquer grupo económico. Chegar onde cheguei, nestas condições, é obra. Porque é muito difícil ser independente em Portugal." – transcrito do: "Jornal de Tondela" 31/08/2006.

Esqueceu-se, porém, de perguntar: "se não tivesse sido político, chegaria onde cheguei?"

Para jovem que acaba de sair dos bancos universitários, com diploma, a melhor carreira conhecida é a política.

Mesmo que não alcance lugar de relevo, abre-lhe portas para tudo ou quase tudo.

Estando a conversar com um advogado sobre a razão porque grande parte dos políticos é formado em Direito, este respondeu-me: – "Nem todos!...; mas como quer que se escolha para cargo, que se vagueie, se não entre amigos e conhecidos do líder dominante? É assim em toda a parte."

Quantos ilustres desconhecidos não passam a vida a vegetar na obscuridade, apesar de queimarem as pestanas, em bibliotecas ou laboratórios, durante anos? Ninguém os convida para mostrarem os conhecimentos, nem lhes reconhece as capacidades. São apenas ilustres desconhecidos.

Antiga e ilustre colaboradora do blogue "Luso-brasileiro" – já falecida – revelou-me que o primeiro livro de poesia que publicou teve grande sucesso porque o pai, homem influente em Lisboa, conseguiu a "crítica" de individualidades notáveis, para a menina querida. "Até fui à televisão!..." – confessou-me.

O pai faleceu, deixou-lhe bens, mas não a influência. A qualidade dos poemas melhorou, mas os livros não se venderam...

Talento não chega, como muitos julgam. É mister o "coro" dos amigos e apoios influentes. Quem pensar o contrário é ingénuo ou pascácio.


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