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Canadá/Covid-19:

Em semana marcada por recorde de infecções, nova recomendação é usar máscara de tripla espessura

O número de casos de Covid-19 a nível mundial aumentou em quase 3,6 milhões na última semana, para 47,2 milhões, o que com 33,4 milhões que são considerados terem ultrapassado a doença originou nova descida na taxa de recuperação, de 72,2 para 70,8 por cento, enquanto que os óbitos passaram a totalizar 1,2 milhões, acrescidos por mais 47.000 mortes.

No Canadá os mesmos valores continuaram também em ascendência, com cerca de 20.700 novos casos a elevarem o total de infecções para 239.600 e mais 235 óbitos a aumentarem o número de mortes atribuídas ao vírus corona para 10.229.

Isto, por seu turno, resultou num ajustamento da taxa de recuperação para 83,7 por cento (200.755 pessoas), face a 84,1 registada na semana anterior.

Na pretérita quarta-feira (28) o Banco do Canadá (BdC) anunciou que ia manter a taxa de juro directora inalterada, a 0,25 por cento, prevendo que a economia canadiana não venha a recuperar por completo das perdas originadas pelo confinamento até 2022 e que até lá continue à mercê do rumo que toma a pandemia.

O banco central canadiano, que em Julho indicou estar convicto de que o Canadá escapou ao pior, actualizou a sua avaliação da política monetária nacional face a uma recuperação mais forte durante o Verão do que era inicialmente esperado, realçando que o país tinha invertido mais de 70 por cento do declínio que se verificou na primeira metade do ano.

As entidades bancárias calculam agora que a economia venha a regredir 5,7 por cento este ano, mas que tenha um crescimento anualizado na ordem de 4,2 por cento em 2021 e 3,7 por cento no ano seguinte.

Por sua vez, o mercado imobiliário continua de vento em popa, atingindo em Setembro os níveis mais altos na venda de casas mono-familiares desde 2003, com o preço de referência em Toronto a subir 9,1 por cento em relação ao ano passado, para 1,2 milhões.

Entretanto, peritos do sector da saúde no Ontário advertiram que todas as semanas ficam potencialmente centenas de casos de Covid-19 por detectar dado que a província não está a utilizar toda a sua capacidade de realizar testes de despistagem, sobretudo ao fim-de-semana, quando se verifica menor afluência de público nos postos e clínicas – um padrão de comportamento que perdura desde a Primavera.

Face a isto, é pouco provável que a maioria dos canadianos venha a desfrutar de uma época natalícia com grande reuniões familiares, cantares de porta-em-porta ou viagens, anunciaram quinta-feira (29) as autoridades de saúde, que realçaram que quem vibrar com as tradições da quadra é melhor preparar-se desde já para mais sacrifícios.

Os dirigentes políticos reconheceram que as medidas restritivas não têm conseguido alterar a trajectória das infecções de forma significativa, mas ainda assim o Primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, bem como o vice-director dos serviços de saúde do Canadá, dr. Howard Njoo, e o Pimeiro-ministro do Quebeque, François Legault, contam-se entre os que incentivam os canadianos a esforçarem-se por conter o alastramento da doença para que as festividades de 25 de Dezembro possam realizar-se, ainda que adaptadas à realidade actual.

Por sua vez, o Governo do Ontário deu a conhecer as novas projecções dos serviços de saúde, que sugerem que o alastramento da pandemia na província está a estabilizar, prevendo-se que o número de novos casos diários se mantenha na ordem dos 800 a 1200 durante as próximas semanas.

Na capital do Ontário, a Comissão de Transportes Públicos de Toronto (TTC, na sigla em inglês) indicou que tenciona aumentar a oferta de máscaras gratuitas aos utentes e revelou que, de acordo com a última auditoria, a sua taxa de utilização nos transportes públicos ronda os 98 por cento, embora apenas 91 por cento as usem correctamente.

Por seu turno, o ministro dos Transportes federal, Marc Garneau, anunciou que a entrada de grandes navios de cruzeiro em águas territoriais do Canadá vai continuar interditada pelo menos até ao final de Fevereiro, bem como de embarcações de menor porte com 12 ou mais passageiros a bordo.

Na recta final da semana, a detecção de um surto de Covid-19 entre três assistentes do Primeiro-ministro do Ontário levou ao encerramento do seu escritório de representação em Etobicoke-Norte, mas uma porta-voz do governo indicou que há pelo menos duas semanas que Doug Ford não visitava as instalações.

Um grupo representante da indústria da restauração apelou entretanto ao governo provincial para que explicasse o fundamento da decisão de impor restrições mais severas àquele sector de actividade.

Doug Ford indicou que durante esta semana iria apresentar um plano para a reabertura das empresas nas regiões mais afectadas e poucos dias depois anunciou que as restrições actualmente em vigor em Toronto, Peel, York e Otava poderiam vir a ser aliviadas seguindo um novo sistema que usa quatro cores que definem categorias entre "prevenção" e "encerramento".

Por seu turno, o presidente da Associação de Hospitais do Ontário, Anthony Dale, viria a alertar para a existência de "pressões financeiras extremas" que estão a afectar os hospitais da província, apelando ao governo para acelerar a atribuição das verbas que lhes foram prometidas para poderem arcar com as despesas decorrentes da pandemia.

Entretanto a Dra. Theresa Tam, directora dos serviços de saúde do Canadá, alertou para o facto de haver mais regiões a comunicar taxas mais altas de infecção nos últimos dias, incluindo a existência de 26 comunidades indígenas com dois ou mais casos activos.

Em resposta, o Primeiro-ministro Justin Trudeau anunciou que o governo federal vai acrescentar mais 200 milhões de dólares às verbas destinadas a combater o novo vírus corona nas comunidades indígenas, sendo mais de metade desse montante destinado às creches e pré-escolas, 60 milhões para as Primeiras Nações e 26 milhões para instituições pós secundárias indígenas.

O chefe de estado anunciou ainda que a aplicação COVID Alert pode agora fornecer informações mais detalhadas a quem tenha estado exposto ao vírus pois as pessoas infectadas passam a poder indicar a data em que começaram a ter sintomas ou foram testadas – embora essas novas funcionalidades sejam opcionais.

Segundo foi revelado também no final da semana, o Canadá tenciona aumentar o número de imigrantes a que anualmente concede entrada no país, considerando-os necessários para estimular a recuperação da economia no período pós-pandemia.

Segundo o ministro da Imigração, Marco Mendicino, o Canadá vai receber mais 1,2 milhões de imigrantes nos próximos três anos.

Enquanto isso, imunólogos canadianos dizem que estão a detectar sinais reveladores no sangue dos pacientes da Covid-19 que ajudam a prever a gravidade da infecção e podem levar ao desenvolvimento de tratamentos mais eficazes.

No fim-de-semana a vice-Primeira ministra, Chrystia Freeland, anunciou ter-se submetido ao teste de despistagem do vírus corona após ter recebido um alerta de potencial contacto através da aplicação COVID Alert no seu telemóvel, vindo a revelar posteriormente que o resultado foi negativo.

Na segunda-feira (2) a Ministra da Saúde do Ontário, Christine Elliott, veio a público pedir a ajuda do Governo Federal e de fornecedores internacionais para colmatarem a falta de vacinas contra a gripe.

Segundo revelou, o número de inoculações até à data é quatro vezes superior às que se registaram no ano passado, devido aos alertas emitidos pelas autoridades de saúde.

Entretanto Justin Trudeau indicou que o Governo Federal está a envidar esforços para que haja doses suficientes da vacina contra a gripe em todas as zonas do país, para quem a quiser receber, visto ter sido altamente aconselhada este ano devido à pandemia.

A situação tem servido também como prática para a distribuição de uma eventual vacina contra a Covid-19, se e quando esta surgir.

Enquanto isso, os professores de uma escola primária em Scarborough recusaram-se a trabalhar na segunda-feira e parte do dia de terça, após nove funcionários e dois alunos terem acusado infecções de Covid-19.

Em consequência, foi declarada a existência de um surto infeccioso e dada ordem de quarentena a 58 alunos da Glamorgan Junior Public School, como medida de precaução, embora a escola tenha continuado a funcionar.

Os professores voltaram às aulas ainda na terça-feira, enquanto um dos colegas continuava em estado grave nos cuidados intensivos.

Na terça-feira (3) o comité consultivo nacional divulgou a lista de prioritários para a administração de uma eventual vacina contra a Covid-19, nomeadamente, trabalhadores essenciais, pessoas que representam maior risco de transmitir a doença, assim como as que correm mais risco de adoecer gravemente ou morrer.

Entretanto a Dra. Theresa Tam, responsável pelos serviços de saúde nacionais, revelou as novas recomendações com respeito às máscaras não-cirurgicas que são usadas no dia-a-dia pela maior parte dos canadianos.

Segundo a médica, que salienta a importância do seu uso nesta altura do ano em que aumentam os casos e se passa a viver e a conviver mais dentro de casa, estas devem agora ter pelo menos três camadas de tecido.

De acordo com as directrizes da Agência de Saúde Pública do Canadá, as máscaras devem ser compostas por duas camadas de tecido de alta densidade, tais como algodão ou linho, e acrescidas de uma terceira camada no interior, constituída por um "tecido tipo filtro", dando como exemplo polipropileno.

A directora dos serviços de saúde ressalvou, porém, que não estão a sugerir que se deitem fora as máscaras existentes e salientou que o mais importante é a forma como estas são usadas e assentam na cara – devendo ficar apertadas em torno do nariz e cobrir por completo o nariz e a boca, sem descurar o conforto e a facilidade de respirar.


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