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Luso Support Centre Peel pronto a servir utentes de Mississauga e arredores

Por João Vicente
Sol Português

O terceiro centro de apoio para deficientes da Luso Canadian Charitable Society (LCCS) foi oficialmente inaugurado no passado sábado (30) em Mississauga, onde vai servir as necessidades dos utentes da região circun-vi-zi-nha, incluindo Brampton e a região de Peel.

Ao reforçar dois centros já existentes em Toronto e Hamilton, o novo edifício, designado oficialmente de Luso Support Centre Peel (LSCP), vai ter dupla função pois passa a ser também a sede desta organização beneficente luso-canadiana.

Ali serão prestados serviços durante o dia a utentes como Paul de Melo, que em Julho se tornou o primeiro cliente do novo centro e que desde então beneficia dos programas de apoio desenvolvidos por esta organização.

"É uma questão de confiança", como nos diz a irmã, Luísa Riquinha, que adianta: "não me sentia confortável a colocá-lo em qualquer lado e quando ouvi que a LCCS ia abrir aqui, fiquei maravilhada".

O efeito no Paul e na família que há 33 anos cuida dele foi imediato e Luísa afirma que o irmão – que há muito deixou de querer sair de casa para frequentar qualquer outro tipo de programa de dia – passou a gostar de ir para o LSCP, está mais feliz e gosta muito das funcionárias que diariamente lidam com ele.

A nível pessoal, os três dias por semana que o irmão passa no centro permitem-lhe também descansar um pouco, bem como resolver assuntos que não podia dar-se ao luxo de encarar até agora.

Neste momento o LSCP tem apenas uma mão cheia de utentes, mas está já a avaliar os pedidos de 20 outros potenciais clientes e quando estiver a funcionar em pleno, com as instalações devidamente preparadas para o atendimento e a prestação de serviços, prevê vir a acolher entre 80 a 100 pessoas nos seus programas de dia.

Segundo o presidente da LCCS, Jack Prazeres, o objectivo é ir aplicando os donativos conforme vão sendo angariados, mas a organização conta também com um importante contri-buto na forma de trabalho voluntário e agora que o sector da construção vai abrandar durante o período de Inverno, calcula que isso contribua com mais mão-de-obra gratuita, o que ajudará a "esticar" o dinheiro da organização para completar todas as obras necessárias.

Se tudo correr bem, e contando com a ajuda dos voluntários, Jack Prazeres prevê que o LSCP esteja a funcionar a 90% da sua capacidade até Abril do próximo ano.

Desde o início que um dos grandes apoiantes desta causa tem sido o sindicato LIUNA Local 183, que tem contribuído com avultados donativos e cujos membros têm oferecido trabalho voluntário, ajudando assim à cons-trução e adaptação das instalações, e sustentando ope-ra-cionalmente os programas.

O valor desta contribuição ficou destacada quando no decorrer da inauguração foram reveladas as paredes onde figuram os nomes dos principais dadores e o sindicato teve direito a uma parede inteira só para si, descerrada pelo administrador da "183", Jack Oliveira, e pelo director Jaime Cortez

Jack Oliveira, que se mostrou visivelmente comovido durante o seu discurso, afirmou ainda em declarações aos órgãos de comunicação social que há oportunidade para fazer mais e melhor.

"Espero que eles [LCCS] tenham ainda mais um ou dois centros – têm muitas pessoas a bater-lhe à porta e o espaço nunca chega, por isso nós, da parte da LIUNA e da Local 183, vamos continuar a ajudar para que isso aconteça", afirmou o sindicalista luso-canadiano.

Jack Oliveira exortou também a comunidade portuguesa a envolver-se e a apoiar esta causa através de angariações de fundos e deixou uma palavra de agradecimento aos sócios da "183, cujos sacrifícios possibilitam a concretização de projectos como este".

Por seu turno, o ministro das Finanças do Ontário, Charles Sousa, elogiou a construção de centros como este que, como salientou, ajudam a sociedade e a economia.

Após recordar no seu discurso que tudo começou com a compra de um autocarro que facilitava o transporte dos deficientes e seus familiares, Charles Sousa destacou que o governo provincial contribuiu com 500 mil dólares para o centro de Toronto, 650 mil para o de Hamilton e revelou que também o novo centro irá receber um subsídio de meio milhão de dólares, cujo cheque será entregue por ele próprio durante a gala que se vai realizar no dia 21 deste mês.

Outros representantes políticos marcaram presença nesta inauguração, incluindo o deputado federal luso-canadiano Peter Fonseca que, acompanhado dos colegas Gagan Sikand, Iqra Khalid e Sonia Sidhu, salientou que "cada precioso dólar investido neste espaço vai fazer um mundo de diferença nas vidas de indivíduos da nossa comunidade e das suas famílias".

Entretanto, o deputado provincial Bob Delaney agradeceu a todos quantos tornaram possível este projecto e contextualizou a sua importância com um exemplo: há 14 anos, quando assumiu funções na Assembleia do Ontário, onde representa o distrito de Mississauga-Streetsville, uma das primeiras visitas que recebeu no seu escritório foi a de uma família com uma criança com deficiências cognitivas.

Esse encontro sensibilizou-o para os problemas e lacunas que existem na prestação de serviços na região de Peel e que levam a que as duas organizações que até aqui mantinham centros de apoio para deficientes em Mississauga tenham longas listas de espera, algo que conta venha a ser aliviado com a entrada em funcionamento deste centro da LCCS.

Em representação da presidente da Câmara de Mississauga, o vereador George Carlson destacou que quando começou a sua carreira, há cerca de 30 anos, a principal preocupação era "a construção de estradas, escolas e, de vez em quando, um jardim", mas que com o passar do tempo passaram a surgir outros tipos de projectos dirigidos a idosos, a jovens, a pessoas com deficiências ou ao multiculturalismo, o que, a seu ver "torna-nos numa comunidade melhor por isso", declarando-se feliz "por ter vivido para ver estas mudanças na nossa sociedade".

De Toronto vieram também duas políticas com raízes lusófonas, designadamente a deputada provincial Cristina Martins, que realçou a importância do projecto ao afirmar que "está muito longe do meu distrito [eleitoral (Davenport)], mas muito perto do meu coração", e a vereadora da Câmara torontina, Ana Bailão, que sugeriu ao município local que, à semelhança de Toronto, não cobre imposto predial ao novo centro.

No final da cerimónia – e uma vez terminados os discursos, procedido ao descerramento das placas e ao corte da fita inaugural – todos os que se encontravam na assistência foram convidados a deslocar-se ao primeiro andar para um beberete durante o qual a ex-presidente da Câmara de Mississauga lhes dirigiu também algumas palavras.

"Isto é algo muito, muito especial", declarou a nonagenária Hazel McCallion ao indicar que "neste país damos assistência àqueles que precisam e os portugueses ajudaram a estabelecer essa nossa reputação", gracejando que Streetsville é a "capital portuguesa de Mississauga".

Presente à cerimónia estiveram o deputado provincial Vic Dhillon, o presidente do centro da LCCS de Hamilton, Joe Botelho, e o presidente do Centro Cultural Português de Mississauga, Tony de Sousa, entre outras figuras da vida empresarial, política e comunitária.


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