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Arsenal do Minho de Toronto aos 31 anos

Efeméride foi orgulhosamente comemorada em nova sede

Por Joana Leal

Sol Português

O Arsenal do Minho of Toronto Community Centre comemorou sábado (30) o seu 31.º aniversário, efeméride celebrada com orgulho e alegria na sua nova sede – localizada na rua Dundas, junto à Jane – por um grupo de cerca de 300 pessoas.

O jantar de gala estava marcado para as 19h00 e apesar de estarmos atentos, mentiríamos se disséssemos que foi fácil encontrar o local. Já no que toca ao estacionamento, esse foi bem mais fácil e apesar do frio que se fazia sentir a nossa equipa foi calorosamente recebida pelas gentes do Minho.

"Gentes de coração aberto", tal como nos viria a dizer António Letra, um natural de Murça (distrito de Vila Real) que emigrou há 41 anos para o Canadá e é uma figura indissociável desta colectividade minhota.

Elemento integrante da Comissão de Apoio do Arsenal do Minho, falou-nos em representação da presidente, Laurinda Araújo, destacando que desde Janeiro que têm nova sede e apesar de ser um espaço pequeno, "serve as necessidades diárias do clube".

Mais tarde António Letra acabaria por nos confidenciar que foram praticamente corridos da antiga sede: "O senhorio convidou-nos a sair", admitiu.

Criado em 1986 por um grupo de bracarenses residentes em Toronto, o objectivo inicialmente visava homenagear o clube desportivo da terra – o Sporting Clube de Braga.

Esse sonho acabaria por crescer e, para além da função desportiva, passou também a ter um importante carácter sociocultural, uma vertente que é hoje condição sine qua non na definição do Arsenal do Minho.

Aquilo que numa primeira fase surgiu graças a "um saudável bairrismo", como nos confessa António Letra, transformou-se "numa das organizações mais sólidas da comunidade luso-canadiana em Toronto", afirma com orgulho.

Para o membro da Comissão de Apoio do Arsenal, o clube "é um promotor, um arauto da cultura e dos costumes do norte que enriquecem o nacionalismo canadiano", ressalvando que "o Canadá deve sentir-se orgulhoso por ter grupos como o nosso".

Conhecido por um vasto programa de eventos durante todo o ano, "celebrações como a Festa de Aniversário do Clube e do Rancho, a Festa de S. Martinho, a Passagem do Ano, a Festa das Concertinas, a Festa do Caçador, a Festa do Arroz de Cabidela, a Festa do Cozido à Portuguesa, a Festa de S. João, a Festa da Páscoa e as Rusgas são algumas das festividades que nos cimentam, fortalecem-nos e agarram-nos uns aos outros", diz o nosso interlocutor, destacando que "os minhotos têm um espírito notável de união".

Apesar de um reduzido número de sócios – pouco mais de 100 – as Direcções do clube foram conseguindo criar uma dinâmica que garante grande afluxo às realizações do Arsenal, obrigado-o a recorrer a instalações maiores sempre que necessário.

"Não é por acaso que fazemos festas de 1200 pessoas. E se tivéssemos espaço para 1500 também as fazíamos", garante António Letra.

Na noite de sábado, o aniversário foi celebrado de forma mais intimista na sede, com um jantar de gala a que se seguiu a actuação do seu próprio rancho, um grupo folclórico composto por cerca de 50 elementos, de todas as gerações, que representam as danças e os cantares da cultura minhota.

A riqueza das suas tradições e a alegria contagiante das suas gentes exibem-se através do rancho do Arsenal que nas suas actuações transporta o público até essas terras do Norte de Portugal, seja pela exuberância das cores garridas da indumentária – onde predominam os tons amarelos, azuis e vermelhos – seja pela rica filigrana que as senhoras ostentam.

É no Norte de Portugal que esta técnica vagarosa e delicada de trabalhar os fios de ouros – cujas origens remontam ao tempo dos Fenícios – tem o seu expoente máximo e não deixa de ser surpreendente que tenha conseguido resistir ao passar dos tempos e que ainda hoje, até em pleno coração de Toronto, as jovens meninas se "ourem" com notório orgulho, em representação das suas raízes.

No período dos discursos que marcaram o aniversário do Arsenal, António Letra destacou estarem a celebrar-se "31 anos de alegria" uma vez que "as gentes do Minho são muito alegres – onde há minhoto e garrafão há alegria" – e agradeceu ainda a presença dos associados, da comunidade, dos dirigentes e da deputada federal Julie Dzerowicz.

Na ocasião, a política destacou a sua recente proposta na Câmara dos Comuns para que Junho seja reconhecido oficialmente no Parlamento canadiano como o Mês da Cultura Portuguesa – tal como acontece já a nível do Ontário – e o 10 de Junho como o Dia de Portugal no Canadá.

Dzerowicz, que tem assento no Parlamento em representação de Davenport, círculo eleitoral onde reside o maior número de portugueses e luso-descendentes no Canadá, explicou que a sua proposta tem três bases.

"Em primeiro lugar, em honra do trabalho árduo dos luso-canadianos ao longo dos últimos 60 anos para manterem vivas a língua, a cultura e as tradições portuguesas no Canadá".

A deputada deu como exemplo colectividades como o Arsenal do Minho e citou Justin Trudeau, indicando que "o nosso Primeiro-ministro está sempre a dizer que os canadianos são mais fortes devido às suas várias culturas e nós podemos ter orgulho português e também ser orgulhosos canadianos."

Em segundo lugar, a deputada destacou que a sua proposta-de-lei pretende reconhecer as contribuições dos luso-canadianos para o Canadá – líderes políticos, artistas, cientistas, empresários, etc. – e em terceiro lugar garantir que a cultura, a língua e as tradições portuguesas serão respeitadas e preservadas para as gerações vindouras.

Destaque-se que para além do jantar de gala de sábado, o Arsenal havia iniciado as comemorações do seu 31.º aniversário um dia antes, com a realização de um Porto de Honra no qual estiveram presentes também o Ministro da Imigração, Refugiados e Cidadania, Ahmed Hussen, a deputada provincial Cristina Martins e uma representante da vereadora Ana Bailão.


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