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Cristãos em todo o mundo marcaram Epifania com celebrações tradicionais

Os cristãos de todo o mundo celebraram quinta-feira (6) a Epifania, o Dia de Reis para os católicos e o Baptismo de Cristo para os ortodoxos.

No Vaticano, o Papa Francisco usou a homilia para criticar o consumismo e para encorajar as pessoas a trabalhar pela justiça e fraternidade em sociedades dominadas pelo que chamou de "sinistra lógica do poder".

Em comentários posteriores de uma janela do Palácio Apostólico com vista para a Praça de São Pedro, Francisco referiu-se às celebrações por outros cristãos e elogiou as várias tradições da Epifania.

"Hoje, os pensamentos vão para os irmãos e irmãs das igrejas orientais, tanto católicas como ortodoxas, que amanhã [sexta-feira] celebram o aniversário do Senhor", disse Francisco perante centenas de peregrinos, segundo a agência de notícias Associeted Press (AP).

As igrejas orientais celebram o Natal na sexta-feira, 7 de Janeiro, de acordo com o calendário juliano.

Em Istambul, o líder espiritual dos cristãos ortodoxos do mundo, o patriarca ecuménico Bartolomeu I, celebrou a missa da Epifania antes de liderar a cerimónia tradicional da Bênção das Águas, durante a qual os banhistas competem para recuperar uma cruz flutuante atirada à água.

Bartolomeu atirou uma cruz de madeira para o Corno de Ouro, o estuário que divide a cidade turca de Istambul, sob o olhar de membros da pequena comunidade grega ortodoxa que usavam máscaras contra o vírus da covid-19.

Este ano, a cruz foi recuperada por Galip Yavuz, 36 anos, que disse ser a sua quinta tentativa de a recuperar.

Bartolomeu, que recuperou recentemente da covid-19 e foi submetido a uma cirurgia cardíaca em Novembro, é considerado o primeiro entre os patriarcas ortodoxos, embora apenas alguns milhares de gregos vivam agora na Turquia.

O patriarca também controla directamente várias igrejas ortodoxas gregas em todo o mundo, incluindo a Arquidiocese Ortodoxa Grega da América.

O seu patriarcado em Istambul data do Império Ortodoxo Grego Bizantino, que ruiu quando os turcos otomanos muçulmanos conquistaram Constantinopla, a actual Istambul, em 1453.

Cerimónias semelhantes das cerimónias das águas foram realizadas na Grécia predominantemente ortodoxa, Chipre, Bulgária e Roménia, com nadadores a competir entre si para agarrar uma cruz flutuante atirada aos mares, rios ou lagos.

Milhares de fiéis cristãos ortodoxos na Bulgária negligenciaram as restrições às reuniões públicas devido à pandemia e mantiveram-se fiéis às suas tradições de séculos, mergulhando em rios e lagos gelados.

As celebrações foram canceladas ou reduzidas em muitas partes da Grécia, que enfrenta um surto de infecções pela variante Ómicron do vírus da covid-19.

Em Chipre, algumas pessoas mergulharam nas águas geladas da baía de Larnaca, na costa sul da ilha, para recuperar a cruz lançada pelo líder da Igreja Ortodoxa Grega, o arcebispo Chrysostomos II.

Em Espanha, uma banda militar tocou o hino nacional no exterior do palácio real em Madrid, antes de o rei Felipe VI entregar medalhas a 16 membros das forças armadas, numa cerimónia que data de 1782.

A participação no evento foi limitada pelo segundo ano consecutivo devido a restrições sanitárias, e a família real, dignitários e tropas usaram máscaras faciais, segundo a AP.

O país realiza tradicionalmente desfiles de "cabalgata" na véspera da Epifania em que os três "Reyes Magos" cavalgam em carros alegóricos pelas principais cidades e vilas de toda a Espanha.

Tanto crianças como adultos deixam os seus sapatos de fora na noite anterior e recebem presentes dos três reis no dia 6 de Janeiro, feriado no país.


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