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LIUNA Local 183:

Convívio natalício destaca contributo dos delegados sindicais responsáveis pela saúde e segurança no trabalho

Por João Vicente
Sol Português

Os delegados sindicais responsáveis pelo cumprimento das regras de saúde e segurança no trabalho nas obras a cargo da LIUNA Local 183 são considerados elementos fundamentais no sucesso deste sindicato.

Diariamente, quase um milhar dos cerca de 54.000 sócios da "183", repartidos entre os sectores "industrial" e "construção", fazem valer os termos dos contratos de trabalho, bem como as leis que protegem os trabalhadores de situações inseguras, e o seu contributo foi sábado (2) reconhecido durante o habitual convívio natalício que o sindicato lhes dedica.

Como destacou o administrador deste sindicato, são profissionais que têm que ter um conhecimento detalhado das leis, dos contractos e da forma como funciona o local de trabalho, assim como uma personalidade firme e resoluta para resolverem conflitos ou desacordos entre empregados e patrões sem se deixarem demover.

"Infelizmente não é para qualquer um", diz-nos Jack Oliveira, realçando que a pessoa certa para este cargo "tem de ser militante, alguém que não tenha medo e que acredite em impor os contractos de trabalho e a segurança".

Só assim serão capazes de fazer cumprir as leis e os termos dos contratos para que não ocorram situações injustas e para que os trabalhadores possam chegar aos seus lares e às suas famílias ao fim do dia, sãos e salvos, ressalvou.

"A função dos nossos delegados e dos nossos responsáveis pela segurança, que são todos certificados, é precisamente prevenir [os acidentes] no local de trabalho", acrescentou João Ferreira, que os considera "os olhos e os ouvidos" do sindicato no local.

Este representante de sector da "183" explica que quando os delegados encontram um problema, "contactam o supervisor e se ele não conseguir resolver o problema, chamam o representante daquele sector [...] e ele interfere".

Para que isso aconteça. as pessoas que ocupam esses cargos são cuidadosamente escolhidas, recebem formação específica para poderem exercer as funções e formação profissional contínua para que possam acompanhar as mudanças de leis e regulamentos que afectam os locais de trabalho.

É um processo contínuo também no local de trabalho, como nos diz António Ribeiro, um dos delegados de saúde e segurança da "183" que explica que apesar da formação que recebem, "há coisas que acontecem que não sabemos, e aprendemos com isso – estamos sempre a aprender coisas diferentes para que no futuro não voltem a acontecer".

E o perigo está em todo o lado, desde a maquinaria e equipamento que usam, às ferramentas e métodos de trabalho, além das condições climatéricas, daí que toda a atenção seja pouca e tenha de ser "constante" pois um deslize pode ter sérias consequências.

O elemento mais difícil no trabalho, refere António Ribeiro, é o factor humano – "somos nós próprios", diz ao explicar que "o trabalho tem que andar para a frente e nós sabemos, mas às vezes esquecemo-nos de que o mais importante não é o trabalho andar para a frente, é chegarmos a casa ao fim do dia".

"Às vezes esquecemo-nos disso e as companhias também, mas o nosso trabalho não é esquecer, é prestar atenção e fazer sentir à companhia que estamos a prestar atenção, porque isso ajuda-nos a todos", concluiu.

Também João Ferreira considera o factor humano um dos mais difíceis de controlar na prevenção de acidentes, afirmando que, na sua experiência, os dois dias mais perigosos são a segunda e a sexta-feira.

Às segundas-feiras os trabalhadores por vezes ainda não entraram no ritmo de trabalho e, como diz, "até parece que se esquecem de como fazer bem as coisas", e às sextas, a pressa para acabar o trabalho, "a cabeça já a pensar no fim-de-semana", também leva a um aumento na taxa de acidentes.

João Ferreira, que foi o primeiro inspector português no Ministério do Trabalho do Ontário, trabalha actualmente para a LIUNA como representante de sector e não vê com bons olhos certas mudanças que impedem os sócios do sindicato de irem aprendendo no trabalho até poderem ser promovidos a inspectores.

Enquanto que antigamente as pessoas chegavam a esse cargo já com vários anos de experiência no trabalho, hoje em dia a exigência de cursos pós-secundários afasta os membros mais velhos e experientes e, na sua opinião, o facto de serem mais jovens, com formação académica mas falta de experiência em primeira mão, é problemático.

No decorrer de um serão simples mas animado, Jack Oliveira fez questão de destacar o papel dos delegados sindicais enquanto se dirigia às cerca de 1200 pessoas que enchiam o salão nobre da sede da "183", salientando ser essencial reconhecer estes membros pelo bom trabalho que desempenham ao longo de todo o ano.

Com ele estiveram o secretário tesoureiro Luís Câmara – que foi também incumbido de proferir a oração de graças que precedeu o jantar – o presidente do sindicato, Nelson Melo; o vice-presidente Bernardino Ferreira; o secretário Marcello Di Giovanni; e os directores Jaime Cortez e Patrick Sheridan.

Escutaram-se também as palavras do vice-presidente da LIUNA e responsável pela zona central e oriental do Canadá, Joseph Mancinelli, que considerou tratar-se de "uma noite para celebrar estes líderes, tudo de bom que aconteceu este ano e todas as coisas boas que vão acontecer em 2018", salientando que deverá ser um ano ainda melhor do que agora termina para o sector da construção civil.

O ministro do Trabalho do Ontário, Kevin Flynn, foi um dos vários representantes políticos que estiveram presentes neste encontro, embora tivesse de se ausentar antes ainda dos discursos.

Em seu lugar usaram da palavra o ministro das Finanças provincial, Charles Sousa, o ministro federal da Imigração, Refugiados e Cidadania, Ahmed Hussen, os deputados federais Peter Fonseca e Judy Sgro, a deputada provincial Cristina Martins, os vereadores Maria Augimeri e César Palacio, bem como a vice-presidente da Câmara de Toronto, Ana Bailão.

Durante o serão foi ainda exibido um vídeo sobre a recente atribuição de uma comenda a Jack Oliveira e a noite concluiu com música para dançar a cargo do DJ da empresa luso-canadiana de som, luzes e entretenimento, TNT FX.


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