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Em Toronto:

José Cesário aborda realidade política portuguesa durante encontro do PSD local

Por Jonathan Costa
Sol Português

A mais recente reunião geral do Partido Social Democrata (PSD) de Toronto, que se realizou na passada sexta-feira (1) na Casa do Alentejo, teve a participação de um convidado especial.

José Cesário, deputado à Assembleia da República Portuguesa, atravessou o Atlântico para debater a realidade política portuguesa, proporcionando um serão informativo durante o qual foram abordados temas como a evolução do partido ao longo da última década, a participação das comunidades da diáspora nos processos eleitorais e a actuação de António Costa como Primeiro-ministro de Portugal.

Cerca de 30 pessoas, maioritariamente de persuasão social-democrata, compareceram para ouvir as opiniões do veterano político, apresentando e debatendo também algumas das preocupações que afectam a vida e a realidade dos imigrantes portugueses residentes no Canadá.

Em declarações ao jornal Sol Português, Paula Medeiros, que preside ao PSD de Toronto e foi a organizadora do evento, considerou "importantíssimo tentarmos situar os nossos imigrantes na actual realidade política portuguesa, para que possam fazer ouvir as suas vozes", o que podem fazer através do voto, mas para isso é necessário estarem bem informados.

A participação do deputado português surge nesse sentido, lembrando que José Cesário "passou muitos anos como secretário de Estado das Comunidades e demonstra uma enorme paixão por todas as comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo" tendo por isso um conhecimento profundo das necessidades da diáspora face à actual situação do país.

Ao iniciar a sessão, José Cesário abordou as previsões do desenvolvimento económico de Portugal para o futuro próximo face a outros países europeus salientando que "a Alemanha projecta um crescimento económico de apenas 1% para 2019, tal como a França, enquanto que "a Espanha vê os seus valores a cair".

Como salientou, "o Brexit trará imensas conse-quências a toda a Europa e pior será se o Reino Unido sair da União Europeia sem um acordo: isso irá afectar o turismo e a exportação dos nosso produtos", referiu.

"Será um golpe duro para a nossa economia – não digo que vamos ter uma crise como em 2011, mas é óbvio que virão problemas e necessitamos de uma liderança forte para os enfrentar", afirmou.

O deputado à Assembleia da República deixou também uma análise à prestação do seu partido ao longo da última década, abordando a inconsistência demonstrada na sua liderança.

"Não sei se será agora o Rui Rio que conseguirá unir este partido", opinou, considerando que "teremos que aguardar" pois "estamos fragmentados e precisamos de um líder que inspire confiança, união e que cative o povo português".

Na sua avaliação "demonstramos demasiada volatilidade e não conseguimos criar consistência – é algo que não tem sido fácil para nós ao longo da última década, mas não podemos perder essa esperança".

José Cesário deixou ainda críticas ao actual Primeiro-ministro de Portugal, António Costa, considerando-o inconsistente na sua liderança do país.

"Este governo do PS irá agora atingir um acordo com a Europa em circunstâncias bem diferentes que o PSD encontrou em 2015. O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista tinham um alvo, que não era o PSD mas sim Pedro Passos Coelho, então aliaram-se a esta geringonça.

"O António Costa no início demonstrava-se frio, calculista – tentava passar a imagem que tinha um rumo designado para o seu governo. Agora que o cerco se está a apertar, parece um líder bem diferente, emocional, nota-se algum desespero de quem não tem o barco controlado", referiu.

Antes de abrir a sessão a perguntas da assistência, o deputado português quis alertar ainda para dois assuntos prementes, um deles a importância dos imigrantes não colocarem a morada de Portugal no cartão de cidadão se residem fora do país, adiantando ser ilegal.

"Vão encontrar problemas, não só com ambos os fiscos português e canadiano, mas também não serão aceites no processo eleitoral português", explicou.

Por outro lado, revelou, "a partir de agora, qualquer binacional pode-se candidatar a deputado em Portugal" com a eliminação dessa restrição, o que significa que poderá em breve haver "um candidato de Toronto ou Montreal", situação que, afirmou, o deixaria "imensamente feliz".

Com a sessão aberta a perguntas do público, Laurentino Esteves expressou alguma desilusão com o partido que sempre apoiou, nomeadamente a omissão de uma mensagem de Rui Rio, actual líder social-democrata, direccionada à diáspora portuguesa.

"O meu partido sempre abriu as portas aos imigrantes, aos trabalhadores. Sempre nos dedicámos a quem luta por construir uma vida honesta. Não vejo qualquer interesse do nosso actual líder em criar uma maior conexão com os portugueses espalhados pelo mundo, o que me deixa triste e desapontado", desabafou.

José Cesário deixou a sua resposta: "Não posso falar pelo Rui, o que posso é abordar os factos: atingimos os piores resultados da história do nosso partido nas últimas sondagens. Omitir os milhares, senão milhões, de portugueses que se encontram actualmente a viver fora do país, cujos votos também contam, provavelmente não é uma estratégia de sucesso. Teremos que aguardar para ver se algo muda nesse sentido", concluiu.

Por seu turno, Paula Barbosa deixou um apelo a uma estratégia de defesa dos imigrantes indocumentados no Canadá, considerando que se encontram aqui "sozinhos e abandonados quando apenas lutam para criar uma vida honesta".

Paula Medeiros abordou a questão indicando concordar, mas, como destacou, "há vários anos que tentamos trabalhar com estes imigrantes indocumentados e sempre que organizamos manifestações ou angariações, nunca aparecem – eu entendo que seja por receio e medo, mas se não trabalharmos em conjunto, se não mostrarmos as caras de quem sofre com este problema, não iremos chegar a uma solução", referiu.

Posteriormente e em declarações ao jornal Sol Português, José Cesário deixou um apelo ao envolvimento político das comunidades imigrantes portuguesas.

"Neste momento contamos com cerca de 30 mil votos dos nossos imigrantes, gostava de deixar o desafio de tentarmos atingir 40 ou 50 mil, seria algo que me deixaria imensamente orgulhoso", referiu.

"A democracia é o melhor sistema político visto até à actualidade. Sem o povo, a sua existência é impossível; façam as vossas vozes serem ouvidas. Mesmo estando longe, a união faz a força. Lutamos todos por um futuro melhor para o nosso Portugal – conto com todos vocês", concluiu.


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