PENA & LÁPIS


Correspondente do Brasil:

As Amazonas

Por Francisco G. de Amorim
Sol Português

Muito se tem escrito sobre as "amazonas"! Desde os mais antigos historiadores, se contam casos de amazonas, mulheres guerreiras.

Dizem alguns "sábios" que amazona vem do grego popular a-(privado) + mazos (seio) porque diziam que as amazonas cortavam o seio direito para melhor usarem o arco e atirar as lanças. Completamente falso, até porque, de tantas obras de arte helénicas, não há uma só que mostre alguma amazona com o peito cortado. Segundo Hesíquio de Alexandria, um gramático, provavelmente do século V, que compilou o melhor dicionário de palavras gregas pouco usuais e até obscuras, de que se conservou um só manuscrito, do século XV, a palavra provém do pérsico ha-mazam, guerreiros, ou de hamazakaran¸ da mesma origem, que significa fazer a guerra. E, certamente, por piada popular os gregos "cortaram" o seio das amazonas! O pior é que muita gente acreditou e escreveu sobre isso, alguns dizendo que elas não queriam homens, que matavam as criancinhas, etc. Se não queriam homens... donde vinham as criancinhas? Como é fácil aceitar a primeira mentira que as pessoas ouvem!

Quando eu era criança também ouvia dizer que os comunistas comiam as criancinhas!!! No café da manhã!

Amazonas em luta com guerreiro grego (Baixo relevo do sec. IV a.C.)

Heródoto conta o seguinte, a respeito dos sarmatas: quando os helenos estavam em guerra contra as amazonas (os citas chamam as amazonas de Oiorpatas, que na língua helénica significa "matadoras de homens", pois em cita "homem" é oiore "matar" é pata), depois de vencerem a batalha do Termodon eles retornaram ao mar, levando em três naus todas as amazonas que tinham podido capturar vivas; no alto-mar, todavia, elas atacaram os homens e os massacraram. (Segundo se consegue averiguar (?) a batalha ter-se-á dado em Terme, na Ásia Menor, hoje Turquia, e os samartas habitavam na parte norte do mesmo mar, onde é hoje a Ucrânia).

Mas elas não conheciam a navegação, não sabiam lidar com os timões, nem com as velas, nem com os remos; sendo assim, após o massacre dos homens, elas estavam sendo levadas ao sabor das vagas e dos ventos, e afinal chegaram a Cremnoi, (Cremnoi fazia parte do território dos citas livres). Desembarcando naquele lugar após a viagem, as amazonas rumaram para uma região inabitada; aí se apoderaram da primeira manada de cavalos que encontraram e, montadas nesses cavalos, saíram saqueando os bens dos citas.

Os citas não conseguiam explicar o acontecimento, pois não conheciam nem a língua nem os costumes do povo das amazonas, e perguntavam-se admirados de onde elas vinham. De entrada eles as confundiram com homens todos da mesma idade, e se empenharam em combate contra elas; mas quando, no final do combate, recolheram os mortos, reconheceram que se tratava de mulheres. Depois de deliberar sobre o assunto, decidiram não continuar a matá-las; em vez disso, enviaram até onde estavam as amazonas os homens mais jovens entre eles, em número aproximadamente igual ao delas; esses jovens deveriam acampar nas proximidades das mesmas, e agir de conformidade com a conduta delas; se elas os atacassem, eles fugiriam sem combater e, cessada a perseguição, voltariam a acampar nas proximidades delas. Os citas tomaram essa decisão movidos pelo desejo de vir a ter filhos com elas.

Enviados com essas instruções, os jovens fizeram o que lhes havia sido prescrito. Percebendo que eles não tinham vindo para fazer-lhes qualquer mal, as amazonas os deixaram em paz, e com o passar dos dias os acampamentos se aproximavam cada vez mais um do outro; nada tendo além de suas armas e cavalos, à semelhança das amazonas, os jovens viviam como elas dos saques e da caça.

Ao meio dia as amazonas agiam da seguinte maneira: dispersavam-se uma a uma ou aos pares, dirigindo-se a lugares diferentes, para satisfazerem suas necessidades naturais. Os citas notaram o seu procedimento e fizeram o mesmo. Um deles aproximou-se de uma amazona que estava só; ela não o repeliu, permitindo-lhe que se satisfizesse com ela. Não podendo falar-lhe (os dois não se compreendiam um ao outro), ela lhe fez sinais com a mão para que ele voltasse no dia seguinte ao mesmo lugar com um de seus companheiros, dando-lhe a entender que deveriam ser dois, e que ela mesma traria outra consigo. De volta, o jovem relatou o episódio aos demais, e no dia seguinte, levando consigo um companheiro, foi em pessoa ao mesmo lugar, onde encontrou a amazona com uma companheira. Os jovens restantes, tomando conhecimento desse fato, passaram a relacionar-se com todas as amazonas.

Em seguida eles juntaram os dois acampamentos e passaram a morar com elas, cada um tendo como mulher aquela com a qual havia tido relações sexuais primeiro. Os homens não conseguiam aprender a língua das mulheres, mas as mulheres podiam compreender a dos homens; quando eles e elas passaram a entender-se, os homens disseram às amazonas: "Temos pais e temos bens; não continuemos, portanto, a levar uma existência assim; voltemos para onde está nosso povo e vivamos com ele; sereis nossas mulheres e não teremos outras." As amazonas responderam:

"Não seríamos capazes de conviver com as mulheres do vosso povo; nossos hábitos não são os mesmos delas; manejamos o arco, atiramos a lança, montamos a cavalo; não aprendemos os trabalhos femininos; vossas mulheres nada fazem do que dissemos; elas se ocupam dos trabalhos femininos, permanecendo em suas carroças, sem ir à caça nem a parte alguma. Não poderíamos, portanto, entender-nos com elas. Mas se quiserdes ter-nos como vossas mulheres e parecer perfeitamente justos, ide até onde estão vossos pais, recebei vossa parte de seus bens, voltai depois e moremos no que é nosso."

Os jovens concordaram e fizeram isso. Após receberem sua parte dos bens eles voltaram para junto das amazonas, e elas lhes disseram o seguinte:

"Temos medo e preocupação diante da perspectiva de ter de morar neste lugar, depois de vos haver separado de vossos pais e de haver causado muitos danos ao vosso território. Mas, já que preferistes ter-nos como vossas mulheres, fazei o seguinte juntamente connosco: vamos embora, saiamos desta terra, atravessemos o rio Tânais e moremos do outro lado."

Os jovens também se deixaram convencer quanto a isso, atravessaram o rio Tânais com as amazonas e marcharam no rumo do sol nascente durante três dias a partir do Tânais e três dias a partir do Paios Maiétis, na direcção do vento norte; chegando à região onde moram actualmente, fixaram-se lá. Desde então as mulheres dos sarmatas conservam o modo de vida de seus antepassados: vão caçar a cavalo com seus maridos ou sem eles, vão à guerra e se vestem à maneira dos homens.

Os sarmatas usam a língua cita, que falam incorrectamente desde a antiguidade pelo facto de as amazonas não a terem aprendido bem. Quanto ao casamento, eles procedem da seguinte maneira: nenhuma virgem se casa antes de ter morto um inimigo, e algumas delas envelhecem e morrem solteiras por não terem podido cumprir essa norma".

Amazonas continuam a povoar o nosso mundo. Podemos lembrar algumas que se destacaram, como Joana d'Arc, Elisabeth I, a brasileira Maria Quitéria de Jesus, Maria Slodowdka Curie, Margareth Tatcher, e mais uns milhões delas como a maioria das nossas mães e mulheres que lutam, Deus sabe como para educar filhos e manter a harmonia dentro da família.

Não precisam de cavalos e espadas, mas de inteligência, bom senso e muito amor.

E até a Padeira de Aljubarrota... não fosse lenda!

www.fgamorim.blogspot.com


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