PORTUGAL EM FOCO


Associação ZERO alerta que biomassa florestal residual é insuficiente

A associação ambientalista ZERO alertou domingo que a biomassa florestal residual disponível não é suficiente para cumprir os planos do Governo para novas centrais de produção de energia eléctrica.

A Associação Sistema Terrestre Sustentável ZERO baseia-se em cálculos que demonstram que não há biomassa florestal residual suficiente e considera que o Governo está a exagerar nas expectativas de uso desta fonte de energia renovável para produção de energia eléctrica.

Para a ZERO, este facto pode, não só ameaçar a sobrevivência de indústrias que recorrem à floresta como fonte da matéria-prima, como é o caso da indústria dos painéis de madeira, como também obrigar as empresas a recorrer à exploração insustentável de madeira de primeira qualidade para triturar e queimar para a produção de electricidade.

Nesse sentido, alerta para a necessidade de uma verdadeira avaliação do potencial de biomassa residual florestal, para perceber o potencial existente não explorado e redimensionar o mercado energético em conformidade.

A ZERO recomenda ainda ao Governo que incentive o regime de co-geração nas centrais dedicadas de biomassa florestal residual, de forma a aproveitar os recursos florestais com eficiências energéticas que podem chegar aos 80%.

Recomenda também que o executivo promova a aposta em centrais de pequena dimensão a nível local, com o intuito de utilizar os resíduos florestais recolhidos a curta distância para aquecimento, nomeadamente em piscinas municipais e edifícios públicos.

A associação reclama ainda que se avaliem e monitorizem os impactos ambientais e sobre a saúde das populações, decorrentes das emissões de gases resultantes da queima de biomassa em centrais dedicadas.

No quadro de investimento em energias renováveis para atingir as metas definidas nos compromissos internacionais de redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE), o Governo português anunciou nos últimos meses um novo ciclo de investimentos em novas centrais dedicadas de biomassa e a possibilidade de conversão das centrais a carvão ainda em funcionamento para biomassa, recorda esta associação ambientalista.

Estas medidas foram anunciadas como a solução dos problemas da floresta portuguesa resultantes da falta de políticas adequadas ao longo das últimas décadas, aponta.

Embora reconheça que é preciso diversificar as fontes de energia renovável, a ZERO manifesta a preocupação de as necessidades de biomassa florestal residual decorrentes dos investimentos previstos não ultrapassarem já o potencial de fornecimento anual desta matéria-prima, que se estima rondar os 5,1 milhões de toneladas por ano.

A estimativa de produção anual de biomassa florestal residual em Portugal varia entre os dois milhões de toneladas secas e os 5,1 milhões de toneladas secas, sendo que, deste último valor, 1,4 milhões de toneladas/ano e 1,1 milhões de toneladas/ano, são provenientes de pinho e eucalipto, respectivamente.

Tendo por base informação recolhida pela ZERO, as 18 centrais de biomassa - dedicadas ou em regime de co-geração - exigem uma quantidade de Biomassa Florestal Residual na ordem dos dois milhões de toneladas anuais para o seu funcionamento em pleno, valor que ultrapassará os quatro milhões de toneladas anuais, na eventualidade de se concretizarem todos os projectos previstos para instalação até 2019.

"Este cenário poderá ser agravado no futuro, a concretizar-se a intenção anunciada pelo Governo sobre a eventual conversão da central termoeléctrica do Pego a carvão para biomassa, a acontecer em 2021, e a possibilidade de efectuar a mesma conversão, ainda que de forma parcial, na central a carvão de Sines", alerta a ZERO.

Com base em cálculos efectuados pela associação, a conversão da Central do Pego exigirá um fornecimento anual superior a um milhão de toneladas de biomassa florestal, "levantando dúvidas sobre a eventual obrigatoriedade (ou não) de cumprir critérios de sustentabilidade que obriguem a abandonar a opção de biomassa florestal residual (BFR).

Numa altura em que decorrem em Bruxelas negociações para acordar o texto final da Directiva das Energias Renováveis que substituirá a actual (aprovada em 2009), e definirá as linhas de actuação da União Europeia (UE) em matéria de renováveis até 2030, a ZERO exige ao Governo que seja ambicioso na utilização dos recursos nacionais, de forma sustentável a longo prazo.


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