SAÚDE & BEM ESTAR


Comissão da Igualdade lamenta "estereótipos discriminatórios" em campanha antitabágica

A Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) lamentou sábado o recurso a "estereótipos discriminatórios" na campanha antitabágica intitulada "Uma princesa não fuma", do Ministério da Saúde.

"Segundo o último relatório do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, da Direcção-Geral da Saúde, os homens portugueses estão a fumar menos, em oposição ao grupo das mulheres. O Inquérito Nacional de Saúde, em 2014, revelou que uma em cada 10 mulheres com 15 ou mais anos fumava, com um crescimento relevante nos últimos anos", começa por referir um comunicado da CIG disponibilizado no seu sítio na Internet.

Perante "estes dados preocupantes", a CIG "considera de extrema importância a realização de uma campanha de sensibiliza-ção neste sentido", lamentando, contudo, "a forma utilizada para transmitir esta mensagem, recorrendo a estereótipos discri-minatórios, os quais são igualmente prejudiciais à vida das mulheres e dos homens na nossa sociedade".

A campanha, intitula-da "Uma princesa não fuma", mostra o relacionamento entre uma mãe fumadora e uma filha e começou na quarta-feira (dia 30), no mesmo dia em que a deputada socialista Isabel Moreira defendeu que o Ministério da Saúde deveria retirar o vídeo.

"Espero que o Ministério da Saúde retire a campanha, que é uma campanha misógina e culpabili-zante das mulheres", declarou à agência Lusa.

No dia seguinte, confrontada com as críticas, a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirmou que a campanha antitabágica visa diminuir o consumo de tabaco nas mulheres mais jovens, que são quem mais está a fumar.

Graça Freitas esclareceu que esta campanha do Ministério da Saúde, que acompanhou desde o início, é dirigida a um público-alvo: as mulheres jovens.

Isto porque "é nesta parte da população que o consumo de tabaco está a aumentar, em vez de diminuir", explicou.

Segundo Graça Freitas, a campanha tem um enquadramento epidemio-ló-gico que são as mulheres adolescentes, porque são as que estão a fumar mais.

Relativamente ao `slogan' "opte por amar mais", a directora-geral da Saúde esclareceu que se refere ao bem-estar, ao amor à vida e não a terceiros.

"Queremos, desejamos que o consumo do tabaco se reduza", adiantou, optando por esperar pela forma como a campanha vai evoluir.

Segundo Graça Freitas, se se verificar que é útil alguma alteração, esta será feita.

Segundo o Ministério da Saúde, o consumo de tabaco é responsável por 10,6% das mortes em Portugal, o que significa que o tabaco mata um português a cada 50 minutos e que as mulheres estão a adoecer e a morrer mais por doenças associadas ao tabaco.

O relatório das doenças oncológicas, publicado em 2017, destacou o aumento de 15% da mortalidade no sexo feminino, entre 2014 e 2015, por tumores malignos de traqueia, brônquios e pulmão.


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